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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

16
Ago17

Farmácia


Beia Folques

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Fui a uma farmácia aviar uma receita. Retirei a senha e fiquei à espera da minha vez. Estava uma senhora com uma idade já avançada mas muito bem arranjada à frente de um dos balcões. Reparei que ela ficou nervosa e depois percebi pela conversa com um dos funcionários da farmácia que só agora a dita senhora tinha percebido que precisava de uma senha para ser atendida. No meio da agitação da senhora e do funcionário esclarecer que só seria atendida mediante a senha para não haver protestos de outros clientes resolvi ceder a minha senha e fui buscar outra para mim. Resultado fui remetida para uns 4 lugares à frente do meu anterior número. Como ando sempre em modo rápido e não tenho muito tempo a perder, nem gosto resolvi usar o velho modo de relaxamento, inspira e respira e pensa que fizeste a boa acção do dia ao ajudar esta senhora . E Deus não dorme e um dia posso ser eu, e mais meia dúzia de coisas que sonhamos que existem nestas teorias do retorno e alinhamento do Universo.

A senhora foi atendida e para meu grande espanto queria amostras de cremes para a cara e ia falando e falando sobre a pele dela. Eu fui atendida e a receita aviada e lá ficou a senhora a falar de quando era nova e a pele era outra, e de como estava calor na rua, e das dores e dos achaques que tinha, e que o café estava fechado para férias e sei lá mais o quê. A funcionária que a atendia cheia de educação e simpatia lá ia dizendo que sim ou que não.

Fiz um pequeno exercício de memória e é verdade quando vou a uma farmácia a população que lá se encontra é maioritariamente idosa, geralmente até se vê 1 ou 2 sentados nas cadeiras de espera.  Uma coisa é certa como aquela senhora deve existir milhares de Portugueses que se deslocam às farmácias á procura de alguém que simplesmente os oiçam. Que disponham do seu tempo para lhes dar uns 10 minutos de atenção. As farmácias agora desempenham esse trabalho a bem da sociedade, para a comunidade. Será que alguém  reconhece o valor a estes farmacêuticos, técnicos ou ajudantes de farmácia que se enchem de paciência e bondade para acompanhar e ouvir estas pessoas  que por alguma razão se encontram sem companhia e querem um pouco de calor humano e a encontram numa farmácia. Estranha sociedade que construímos.

Aqui fica um grande bem aja para todos que trabalham numa farmácia e servem de panaceia a quem os procura.

14
Ago17

Sabão azul e branco


Beia Folques

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Assisti a uma conversa entre mãe e filha. A filha uma mulher por volta dos 30 e muitos 40 anos, a mãe com cerca de 70 anos. A filha explicava à mãe que não podia voltar para o marido, ele a tinha traído com outra mulher e ela não estava disposta a aceitar. A mãe explicava-lhe para não tomar esta decisão a quente, para dar tempo, cerca de 3 meses para compor a relação. A filha mulher bem assertiva e com uma excelente auto estima respondeu à mãe, ele enganou-me agora, se aceitar desta vez ele vai voltar a fazer o mesmo não sei é quando, eu quero respeito, dignidade. A mãe voltava com muita calma a pedir á filha para não deitar tudo a perder, não tomar nenhuma decisão agora, para adiar e reconsiderar.

Apeteceu-me intervir. Estou assim no meio das duas. Compreendo a urgência da filha em querer acabar com tudo. Como ela dizia está casada algum tempo, o marido conhece-a bem, se ela relevar esta infidelidade, indirectamente estará  sujeita a outras que aí viram. Entendo a mãe e o seu velado cepticismo no que concerne ao amor.

O que consigo perceber de histórias de infidelidades no masculino é que o que a filha diz é verdade. Ao permitir, fechar os olhos, branquear ou disfarçar a ocorrência de uma traição física, sim porque existe as que não são físicas, não necessariamente consumadas com uma terceira pessoa e acho que ferem talvez mais que estas infidelidades, está-se sujeita a que eventualmente se repitam.

 Mas também é verdade, pelo menos é assim que vejo estes tristes e por vezes mortíferos acontecimentos num casal é que um homem ao cometer adultério não é o fim do mundo. As mulheres tendem a fazer a comparação com elas e se fosse eu que tivesse sido infiel? Não pode ser feita assim a comparação, a infidelidade no feminino e no masculino são dois universos completamente diferentes e distantes, milhares de horas de luz. Um homem dá uma “escapadela” só pela aventura, adrenalina, tentar afirmar algo a ele próprio acima de tudo. Ou só e mais nada por ter alguém que lhe alimente o insaciável ego, elogie a sua personalidade, glorifique o seu orgulho. Alguém que lhe chame de Tarzan, tigre ou mesmo Sandokan. Os homens precisam deste reforço talvez porque são mais inseguros. Depois têm a coisa extraordinária de separar o papel da mulher e das outras relações de pozinhos de perlimpimpim. Estas ditas conquistas só lhes servem para os enaltecer e vangloriar nem que seja perante eles próprios, talvez só para gozo e realização pessoal.

Compreendo o papel da mãe a tentar desvalorizar a infidelidade do genro, e pedir à filha para pesar bem como tomar as suas decisões.

Nunca no meu casamento o meu marido me brindou com uma encruzilhada destas, logo tudo o que aqui escrevo é resultado de observar, ver o que acontece ao meu redor. E constatar que cerca do 90% de divórcios que acontecem é o resultado de infidelidade do marido.

Mas questiono-me se fosse uma das minhas filhas a pedir-me ajuda, conselho nesta matéria o que diria. Diria que sim, que ao aceitar, perdoar este episódio estaria implicitamente a abrir a porta a outros que por ventura surgissem, isso sem dúvidas, o futuro em relação a esta área será sempre incerto. Mas sobretudo diria para fazer o que o seu coração ditasse. Só ela conhece o marido, só ela sabe o que quer dessa relação, e o que quer para ela. E se não conseguir viver com essa permanente dúvida é melhor seguir noutra direcção, pois a suspeição irá consumi-la. Também pode ser que ele não volte a se por a jeito e tudo se reorganize. Numa relação a dois desde que aja real vontade tudo é possível ou não...

Lembrei-me daquela velha máxima lava com sabão azul e branco, lava mais branco e tira as nódoas mais difíceis.

10
Ago17

Dramas da vida real.


Beia Folques

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É confuso e até a ser dramático chegar á minha idade e ser corrigida graças ao acordo ortográfico, a roda dos alimentos que se virou do avesso, e até o simples acto de cumprimentar se tornou um bicho de 7 cabeças.

Em qualquer encontro, convívio social deparo-me com esse dúvida 1, 2 beijos ou aperto de mão? Fui educada nos 2 beijos e assim foi até regressar a Lisboa. Vivi na Madeira e ai era 2 beijos, sempre, não havia margem para dúvidas. Desde que voltei confronto-me com esta dúvida, será esta pessoa é de 1, 2 beijos ou de aperto de mão? Se estiver no Algarve, Trás-os-montes, ou na Madeira estou bem é 2 beijos.

Vivi toda a minha adolescência na linha de Cascais e na minha adolescência eram 2 beijos, sem hesitações. Agora na linha é a confusão completa, se tenho um convívio, jantar, almoço, encontro social lá vou eu para a “luta”, voluntariosa e generosa cumprimento com 2 beijos, 70% das vezes lá fico eu com a cara suspensa. As pessoas cumprimentam com aquele ar de descaso, enfado, bem como se fosse uma maçada. Já dar 1 beijo é uma canseira quanto mais 2.No fim a coisa já corre melhor, registei mentalmente e tenho as tabelas com 1, com 2, com aperto de mão e aqueles que bom era dar uma cabeçada, e assim a coisa não falha. Verdade seja dita esta preocupação também tenho que a ter no Porto, já aderiram á moda de me baralhar. 

Não é suficientemente mau ter esta inquietação no social, quanto mais no campo religioso, imaginem na missa. No momento em que o Sr. Padre resolve dizer “ saudemo-nos na paz de Cristo” eu estremeço, olho à minha volta e analiso a situação, serão de 1,2 beijos ou aperto de mão?

Se estiver rodeada de homens agradeço a Deus e penso isto com um aperto de mão se resolve. Mentira, os cavalheiros também querem beijo e volto eu ao meu desassossego.

É o momento da missa que mais detesto. Mas há quem adore. Já vi pessoas que devem tirar esse momento da missa para baterem recordes de beijos, fazem autênticas piscinas na Igreja a angariar o maior número de saudações. Penso mesmo se não existirá este desafio no “guiness” e estarão a treinar.

Por vezes cruzo-me com pessoas que não conheço, ou conheço relativamente pouco tempo e compreendo que seja de 1 beijo pois não conheço a família nem as suas tradições e se existe esta ideia logo teve que surgir em algum lado. Mas todos aqueles que privei em criança, adolescente ou mesmo aqueles que sabemos de onde vêm e agora aparecem com 1 beijo, abomino, mesmo. Como estranho imenso aquelas pessoas que ao beijar nem tocam na outra, fazem um ligeiro ensaio da saudação.

Adoro mesmo é quando o cumprimento é um beijo na mão. Surpreende-me sempre, é o tipo de cumprimento personalizado, toca-me de outra forma. A mim me encanta deparar-me com um cavalheiro, é pena é ser algo em desuso.

 E por favor desçam à terra e Sr. Padre acabe com as saudações na missa, eu quando vou quero paz e sossego. É que não gosto mesmo de beijar estranhos, isto de oscular por aí não é para mim.

08
Ago17

Experiências.


Beia Folques

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É necessário proporcionar-nos momentos felizes, ter experiências, aventurar-nos um pouco.

Resolvi organizar um programa com umas amigas para termos uma experiência que há muito andava curiosa para a realizar. Andar de helicóptero.

Já me tinha cruzado com este programa umas quantas vezes e andava sempre a adiar. A primeira vez que ouvi falar deste passeio foi quando um amigo meu levou a namorada no seu dia de anos, achei que tinha sido uma ideia fantástica. Realmente é a forma ideal para passar um aniversário, festejar alguma data especial ou fazer algum roteiro mais privado ou romântico com alguém. Pois eu apostei num encontro de amigas. Combinei com duas boas amigas e não foram mais pois este helicóptero só dá para 4 tripulantes, e lá fomos nós.

Chegámos um pouco antes da hora agendada pois não conhecíamos bem a zona, o passeio Marítimo de Algés junto à Torre de Controlo Marítimo. Não havia necessidade destes receios pois está tudo muito bem sinalizado. Fomos muitíssimo bem recebidas por um jovem de nome João. Um autêntico relações públicas, conversador e simpático. Depois de tomar um café tivemos a nossa mini aula de segurança e esclarecimentos sobre o voo. Estávamos prontas para embarcar. Eu ia muitíssimo apreensiva pois tenho um medo terrível de alturas.

 Demos início ao passeio, bem foi lindo. Nem me lembrei das vertigens. A vista distraiu-me completamente. O Tejo é magnífico, e está ladeado de pontos interessantes, ambas as margens oferecem imagens curiosas de tal maneira que não conseguíamos fixar muito tempo em um ponto em particular, pois surgia outro com mais ou outro interesse.

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Cerca de aproximadamente 10 minutos chegámos á outra margem. O helicóptero pousou no Hotel Quinta Tagus onde iriamos almoçar regiamente. Este programa que fizemos além do passeio de helicóptero de ida e volta também incluía almoço no restaurante do Hotel Quinta Tagus. Fomos recebidas com algum cuidado e ficámos a cargo de um colaborador do Hotel, o Rafael que era um jovem cheio de iniciativa e de uma disponibilidade encantadora. Enquanto bebericávamos uma taça de espumante podemos explorar os jardins do Hotel Quinta Tagus, que tem uma vista fantástica, o ângulo de visão cobre desde a ponte sobre o Tejo quase até ao Bugio.

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Fomos almoçar, a ementa já estava destinada e era sugerida pelo restaurante. Eu queria era mesmo aquilo, alguém que pensasse por mim e me surpreendesse. Ficámos no exterior do Hotel Quinta Tagus, debaixo dos pinheiros com vista para o jardim, Serra de Sintra, Belém ou até para o Cristo Rei.

 A ementa do almoço nem sempre é a mesma conforme o Rafael nos esclareceu. A nossa estava excelente, o vinho foi sugerido pelo Rafael. Revelou ser uma excelente escolha, era mesmo ideal para senhoras. Marchou todo, não ficou uma pinga que seja. Tivemos de entrada um gaspacho Algarvio que nem de propósito pois aprecio bastante e sabe tanto a Verão, uns ovos com cogumelos selvagens e shitake que adorei. Depois uns mexilhões em escabeche que não tinham nada a ver com o conceito de escabeche que conhecemos, tinham um certo toque oriental.

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O almoço propriamente dito foi uma interpretação de bacalhau á Lagareiro e bife á Portuguesa, aí eu já não conseguia comer mais. Por fim a muito custo comi uma cheesecake de lima que estava soberba. A pannacota também é de se experimentar.

O vinho realmente acompanhou todos os pratos na perfeição. Era Vallado branco, bem fresquinho, maravilha.

A cozinha do restaurante está a apostar na cozinha tradicional Portuguesa mas com ligeiras nuances. Que na minha opinião beneficiam e enriquecem o prato, nem que seja pelo factor surpresa.

O almoço decorreu na maior tranquilidade e paz possível, o local ideal para ter um almoço descontraído e informal com um serviço 5 estrelas. Era tudo o que nós estávamos a precisar, falar, rir, comer e beber.

São momentos que aproveitamos para estar alheadas um pouco do nosso dia-a-dia, actualizar as nossas conversas, fazer os nossos desabafos, rir descontraidamente, brincar com a nossa vida e brindar à amizade. Ter um dia com um tratamento diferenciado, um miminho e desfrutar da companhia das nossas amigas é necessário para o nosso equilíbrio e bem-estar. Este espaço proporciona-se excelentemente para este efeito.

Após o almoço o Rafael levou-nos a conhecer o outro lado do Hotel, o que está reservado aos hóspedes. Tenho que ir lá passar um fim-de-semana, fiquei encantada. Vimos a piscina muitíssimo bem enquadrada sobre o Tejo, as cavalariças onde o dono do Hotel tem uns belos exemplares de cavalos Lusitanos, a horta, o picadeiro. Tudo com muito charme e com um toque a campo.

 

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Já eram umas 16h e tínhamos que regressar. O nosso piloto, o André estava á nossa espera. O André foi um excelente piloto e uma simpatia, descontraído e prestável. Regressamos e para meu espanto foi demasiado rápido, não sei se terá sido do vinho que eu perdi a noção do tempo.

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Enfim, uma coisa é certa fiquei fã de andar de helicóptero. Adorei o programa que eles ofereceram e nós usufruímos. Só tenho que dizer que queria mais 10 minutinhos no céu de Lisboa.

A equipa do Lisbon Helicopters não podia ter sido mais solícita, nota 5. O Hotel Quinta Tagus também ficou muito bem avaliado por todas nós. Arrisque não tem nada a perder e tudo a ganhar.

 

Benditos momentos que nos dão folgo, vida e energia para voltar à rotina do dia-a-dia.

Benditas amigas que partilham estes momentos connosco.

 

E como diz uma amiga minha:

- As meninas boas vão para o céu e as meninas más vão para todo o lado. 

 

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 http://lisbonhelicopters.com/

http://quintadotagus.com/

03
Ago17

Momento Zen do dia.


Beia Folques

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Tenho um local encantado guardado no maior sigilo onde sempre que posso fujo ao fim do dia, uma esplanada á beira mar. Seja de Verão ou de Inverno. Se posso vou refugiar-me no meu espaço Zen.

 

É um tesouro meu, bem guardado. Geralmente esta esplanada tem poucos clientes, e esses são discretos e sossegados. Os empregados solícitos sem serem maçadores. Tem uns cadeirões de verga perfeitos, fabulosos para afundar-me neles. Gosto de ficar ali perdida em mim a olhar o mar e a saborear uma cerveja preta bem fresquinha.

 

Um dos meus mais secretos prazeres. Entregar-me a este dolce far niente.

Existem momentos que tudo o que quero é desaparecer, e ir para a minha esplanada e sonhar. Keep dreaming.

Como diria António Gedeão: 

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.

01
Ago17

Colegas de trabalho


Beia Folques

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Os colegas de trabalho não são valorizados, na hierarquia das relações e no senso comum não entram no escalão dos amigos.

É assim uma sub categoria dos vários tipos de relacionamentos que temos e damos às pessoas com quem interagimos no local de trabalho.

Não sei se é da palavra trabalho associada ao colega que diminui essa relação, não a elevamos a outro nivel. Não a levamos tão a sério como eles merecem.

Nos vários locais de trabalho que passei ganhei amizades fantásticas. Por vezes pessoas tão diferentes de mim, as nossas formas de estar na vida tão dispares e encontramos tantos pontos de encontro, afinidades, cumplicidades e entendimentos.

 Também já tive o infortúnio de me deparar com excelentes imbecis, magníficos idiotas, gente completamente desprovida de valores, ética e educação, cooperação e sentido de missão, de um oportunismo desmedido. Infelizmente existe de tudo um pouco.

Mas voltando ao tema de hoje, um singelo elogio aos meus colegas de trabalho. Só posso confessar que felizmente encontrei colegas de trabalho tão bons quanto os ditos amigos. Pessoas que estão lá para me dar um alento, um sorriso quando estou saturada ou desanimada com algum problema ou dificuldade, um vá lá que isto vai melhorar, tem calma, respira, inspira… Chamam a atenção de algum erro pela positiva, ajudam a focar no principal, ensinam, promovem o nosso crescimento, colaboram, elogiam e brincam e aprendemos sempre algo com eles.

A verdade é que passamos mais tempo com os colegas de trabalho do que com os nossos ditos amigos.

Talvez prezamos mais os nossos amigos pois passamos com eles tempo com mais qualidade, quando nos encontramos com os nossos amigos geralmente o ambiente é mais relaxante e simpático e a nossa disposição também. O local de trabalho pode ser cinzento, tenso e dissimulado, pouco hospitaleiro para desenvolver novas amizades, andamos desconfiados de tudo e de todos. Mas no meio deste enquadramento existe sempre alguém que se destaca e aproxima-se mais da nossa forma de estar na vida ou na empresa e assim aparecem os colegas de trabalho. Os colegas de trabalho mais próximo de nós são com quem por vezes desabafamos o nosso desconforto ou decepção pela forma que o trabalho nos corre ou qualquer outro contratempo, trocamos opiniões e ideias. Mas não é só de trabalho que acabamos por falar, é difícil não reparar quando um de nós tem algum problema pessoal, familiar, profissional ou outro. Por vezes é injustamente com quem descarregamos a nossa frustração, ou irritação se algo nos vai mal. Acabamos por contar mais de nós do que seria suposto de acordo com os dogmas sociais com alguém que partilhamos o trabalho, acabamos por viver um pouco as suas alegrias, ambições ou preocupações e tantas outras emoções ou sentimentos. São relações de muitas horas, diárias, são relações que naturalmente e involuntariamente desenvolvem-se. São relações que para mim são fundamentais para a minha estabilidade e equilíbrio, para a minha sanidade mental.

O local de trabalho pode ser terreno inóspito e agreste se tivermos um colega de trabalho que seja,  a vivência nesse sitio torna-se mais suave.

Graças a Deus aparecem sempre uns anjos da guarda que são os meus tão queridos colegas de trabalho.

31
Jul17

Conselhos da avó- os meus alfinetes


Beia Folques

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Esse conselho sempre o segui, nunca o descurei. Já tinha conta antes de casar e a mantive orgulhosamente.

Os homens gostam de uma mulher bonitinha, arranjadinha, elegante e cheirosa mas não entendem toda a logística aqui associada e dispendiosa.

Por muito bom que seja o ADN temos que investir alguma coisa em cremes, cabeleireiro, perfumes, roupa, sapatos, acessórios, bijutarias ou mesmo joias, etc. E acima de tudo por nós e para nós que gostamos de andar bem apetrechadas. Logo eu que adoro pormenores e pequenos mimos no meu dia-a-dia, invisto seriamente nisso.

Os homens dificilmente percebem o preço de uma carteira, de uns óculos estilosos, ou mesmo um par de sapatos.

Puxa os sapatos, a loucura, o ponto da discórdia do lar, o desestabilizador da harmonia do feliz casal. Porquê mais um par de sapatos, que é quase igual a outro, a cor a mesma, uma réplica de outro que tens mas tem um ligeiro pormenor, ou o salto um pouco mais fino, ou mais alto. O meu querido não entende que esses pequenos detalhes que ele não percebe lhes conferem logo outra personalidade aos chinelinhos ou trapinhos, não consegue ver mas isso os torna únicos. E acontece nos sapatos e em um monte de peças que as tornam tão apetecíveis, sedutoras e desejáveis. Os homens não entendem as subtilezas, a palete de cores e texturas, a dinâmica dos padrões que constituem um guarda-fato de uma mulher.

 A Zara ajuda mas não faz milagres, tens que te socorrer de outras marcas para dar aquele toque perfeito, clássico ou casual, hippie-chic, romantico ou vintage ao teu look. Os lenços de seda, os cremes de beleza, as calças de ganga, um anel, sei lá tantos segredos bem guardado. E assim vai-se vivendo.

Para não entrar em esclarecimentos que nem eu muitas vezes sou capaz de dar a mim mesma e discussões desnecessárias, todas as minhas pequenas extravagâncias saem dessa conta.

Não partilho informação referente aos meus alfinetes, os meus alfinetes são meus. Se o meu marido me pergunta alguma coisa foi tudo nos saldos, estava tudo a 70% de desconto. Maravilha.

De resto a minha mãe já fazia o mesmo.

Obrigada avó tenho-me poupado a muita explicação que por vezes são bem complexas, talvez dignas de uma sessão com o psicólogo.

28
Jul17

Conselhos da avó- casar com um homem mais novo.


Beia Folques

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A minha avó estava cheia de razão. Não a ouvi e casei com um homem mais velho. Os homens efectivamente ficam velhos mais cedo do que as mulheres, e aborrecidos é eufemismo tornam-se mesmo tediosos.

 As mulheres depois da fase de investir no trabalho/carreira, na família, na casa e nos filhos, chegam a uma fase 40/50 anos e rejuvenescem. Percebem que andaram a dispensar energia e tempo em tudo menos nelas. A casa está pejada de inutilidades que só servem para acumular pó, os filhos já não são tão dependentes e podemos dar-nos ao luxo de folgar um pouco de tanta responsabilidade e trabalho. No trabalho/carreira dificilmente serás reconhecida, deste o “litro”, esforçaste-te e não passarás de um número, e daqueles bem insignificantes.

Então vais dar azo aos teus desejos, que estavam guardados e tinham sido adiados.

Estás cheia de energia, planos e tens uma criatura de pantufas ao teu lado, a ver F1 ao domingo, quantas vezes penso se oiço mais um Vrumm, Vrummm na tv parto-a. Se falo em cinema enumera-me o serviço bestial que a nossa operadora de telecomunicações oferece no aluguer de filmes. Querido, eu quero mesmo é o escurinho do cinema com aquele ecran enorme e aquele som fabuloso e não os putos à volta, não quero distrair-me com a revista que está mal colocada na mesinha, ou as flores que estão por regar. Quando proponho ir a um concerto ele brinda-me com uma lista de entraves, a multidão, a confusão, a qualidade do som, etc. Vamos para a praia passar o dia todo de papo para o ar e ele me alerta-me gentilmente dos perigos da exposição solar na minha pele sensível e do tão necessário almoço que deve ser pelas 13h de garfo e faca. Vamos viajar para fora e relembra-me como se eu tivesse 3 anos as turbulências do nosso mundo, onde  ¾ do planeta é conflituoso e perigoso, bem e logo eu que não estou nem aí para os eventuais riscos de levar com um homem bomba em cima. Interrogo-me que raio dá nos homens que é tudo uma dificuldade.

Quero um homem novo, aventureiro e descomplicado. Pensando melhor teria que ter menos 20 anos do que eu. Assim na casa dos 30 anos, acho que eles começam a stressar e complicar quando chegam aos 40 anos, a partir daí só agrava e piora. O problema é que não sei o que se fala com alguém na casa dos 30, dos 20 anos sei porque tenho filhos com essa idade.

Tenho que falar com a Brigitte Macron, ela parece que anda tão feliz. Será que a minha avó também foi a dela e a Brigitte levou os conselhos mais a sério do que eu?

Ainda oiço a minha avó com carinho:

-minhas filhas nunca casem com um homem mais velho, eles ficam velhos cedo e aborrecidos, não querem passear.

 

27
Jul17

Dia das avós- conselhos de uma Avó


Beia Folques

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Dia 26 de julho, dia de Santa Ana. Uma generalização abusiva na realidade para dia dos avós,  mas é mentira é só e exclusivamente das avós. Santa Ana era mãe de Maria por isso avó de Jesus.

Uma das minhas avós era uma delícia, muito á frente para a época. Embora a postura, atitude e comportamento fosse aparentemente do mais tradicional possível.

Ao entrar na casa dos “vintes” ela deu-me uns conselhos que ainda hoje os lembro com um sorriso. Conselhos sábios.

O primeiro conselho:

- minhas filhas dizia ela a dirigir-se às netas nunca casem com um homem mais velho e explicava assim, eles ficam velhos cedo e aborrecidos, não querem passear.

O segundo conselho:

- minhas filhas tenham sempre uma conta no banco onde os vossos maridos não tenham acesso, os homens não precisam saber quando se gasta com os nossos alfinetes.

Não me casei com um homem mais novo e tenho que dizer é verdade eles ficam velhos e aborrecidos muito cedo, as mulheres são muito mais activas e voluntariosas, querem muito mais desfrutar e gozar o que a vida e o mundo oferecem. Como exemplo passear parece que estamos a pedir para ir a Marte em auto caravana.

Sempre tive uma conta no banco para meu uso e gozo exclusivo, espero que o meu marido nunca tenha a triste ideia de a ver. Os homens não percebem nada de gastos com alfinetes, e só Deus sabe como podem ser extravagantes.

Um bem aja a todas as avós que cumprem a missão de velar e orientar as netas.

 

A Virgem e o Menino com Santa Ana- obra de Leonardo da Vinci

25
Jul17

Vamos ser sérios para variar.


Beia Folques

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Não é a primeira vez que me deparo com a falta de rigor, seriedade e responsabilidade de um governo perante uma catástrofe que infelizmente gerou mortos.

Mortes de inocentes, mortes evitáveis, mortes por incúria . De um desgoverno  que  permitiu  que aconteça o que aconteceu.

Sempre me causou estranheza o número de mortes que houve na Madeira em 2010. Sempre suspeitei que o número foi trabalhado e a verdade abafada.

Agora enfrento o mesmo espectáculo, outra vez… Infelizmente.

Respeitem os mortos e façam honra a estas pessoas. Porque eram crianças, miúdos como os nossos filhos ou sobrinhos, eram pessoas que viviam para terem uma vida como todos nós. Eram pais, mães, tios, avós, filhos, colegas de trabalho, amigos. Pessoas como todos nós, pessoas com que nós  nos revemos nesta vida. Eram cidadãos e contribuintes para esta sociedade que é a nossa.

Encham-se de vergonha sr. governantes e ex-governantes não se escudem em falsas retóricas, em maquilhagem de dados, em camuflagem de discursos. Tenham por favor a hombridade a dignidade de dar um número, um rosto, um nome e acima de tudo um pedido de desculpas a cada um deles.

Porque vocês lhes ceifaram a vida. Por ignorarem a vossa posição e a vossa responsabilidade, esqueceram-se para quem vocês trabalham e quem vocês representam, o povo. Desprezam quem vos colocou nos comandos do país. Por permitirem que o país seja uma pira imensa.

Vamos ser sérios para variar e façam o mea culpa. Por favor não omitam um que seja um dos mortos, eles merecem isso. Serem reconhecidos que existiram e padeceram nesse fatídico dia.

 

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