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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

16
Jun17

Filhos de um Deus menor


Beia Folques

MARGARITA SIKORSKAIA.jpg

Qualquer famosa figura mediática tem contratos milionários com várias marcas, algumas dessas marcas os obrigam a ter uma conduta livre de escândalos ou que não levante qualquer tipo de polémicas, isso envolve drogas, jogo, relações amorosas ou não, etc. Uma conduta angélica, sem margem para questões que possa obrigar a marca a ter que se desmarcar da estrela. As marcas ao definirem essas premissas fizeram um estudo prévio na sociedade, e do mesmo apoia-se no que é politicamente correcto. As hipocrisias do costume!

Esses contratos acabam por ser espartanos, ditatoriais, limitando a liberdade do contratado. Ficando esses refém da marca.

 

Posto isto só me ocorre que princípios se rege o mundo das marcas e da sociedade em geral.

 Para as marcas não é problema alugar uma mulher para entregar o filho/filhos. Ter um comportamento egoísta onde se nega ao filho o carinho, o colo, o calor de uma mãe é passível de ser considerado de justificável. Onde é ignorado o filho comprado nunca poderá usar a palavra mãe. Onde o superior interesse da criança não é avaliado. As marcas e a sociedade vivem bem com isto ? o dinheiro dá direito a comprar filhos, infelizmente é essa a mensagem que se passa…Um filho pode ser tratado como um objecto negociável isto é simples mercadoria, a estrutura familiar pode ser ignorada, o maior interesse da criança pode ser desprezado. É tudo uma questão de valores monetários.

 

A mensagem que esta criatura mediática transmite acerca da sua opinião sobre as mulheres incomoda-me. O seu cepticismo em relação ao sexo oposto, a sua desconfiança indigna-me. A falta de respeito e consideração que tem por elas, pois só as encara numa perspectiva de usá-las para um fim. Com a sua atitude assume que o sexo oposto é algo dispensável, desnecessário, utilizável e descartável. Basta ter dinheiro e somos os donos dos nossos filhos.

 

Os filhos não nascem a partir de um projecto de vida em comum entre 2 pessoas, onde cada um contribui com o seu papel, de um acto de amor. Mas sim de um devaneio egocêntrico e egoísta de alguém. Da  megalomania de pensarmos que somos pequenos deuses.

 

A mensagem que as marcas passam é que as mulheres são objectos rotuladas do pior, os filhos podem ser comprados desde que tenhamos dinheiro para tal. A sociedade acha isto aceitável, é uma total ausência de valores.

 

Também não entendo o silêncio da sociedade civil em geral, dos meios de comunicação que não fazem uma discussão séria sobre “barrigas de aluguer” e das feministas em particular sobre este assunto.

 Esta prática em si está errada, nem pode ser considerada moderna ou pioneira porque é só e somente criminosa.

Ps- o contrario também considero criminoso, negar ao filho o direito de ter um pai.

 

Quadro de Margarita Sikorskaia

14
Jun17

CR7- brincar aos honestos


Beia Folques

Muito se tem falado nas televisões sobre a possível fuga ao fisco Espanhol do CR7, 15 milhões.

Ontem ouvi um “entendido” num canal de tv que estava muito incomodado como era nocivo para os fãs do Ronaldo, o seu ídolo não fazer as suas declarações fiscais de uma forma clara e sem subterfúgios, nem esquemas. Como era grave transmitir para os jovens a ideia que se pode fugir às suas obrigações com as finanças. Eu não vejo o CR7 com essa função pedagógica, ficaria feliz se soubesse que não está metido em evasões fiscais, mas não estou à espera que seja ele o elemento diferenciador desta doença, praga.

                Quem deveria ter esse papel acima de todos os outros cidadãos, quem deveria ser exemplo de transparência e integridade são os nossos políticos, elementos do governo, quem gere a coisa pública. Exemplos desde a famosa sisa das casas até coisas bem mais graves com fraudes, evasões, paraísos com métodos sofisticados e intrincados, eles são mestres nessa matéria. Os nossos políticos já sabemos que se puderem não declaram, fogem, omitem nas suas declarações os “seus” bens. Que em boa verdade os “seus” bens são constituídos por bens, património que seriam de todos nós, que deveriam ter sido transformados para utilidade pública e não contas, propriedades particulares. Que eles gananciosamente e deliberadamente subtraíram, roubaram, divergiram aos contribuintes. Quem gere o nosso legado como contribuinte não é isento, nem impoluto.

Estão os vários comentadores tão preocupados com o exemplo do CR7 ?? As nossas leis, até permitem se és político e fores condenado por fraude fiscal após cumprires a pena, podes recandidatar-te a um cargo público novamente. Hilário, volta a por a mão na massa, com a farinha que é de todos nós.

Vamos pedir responsabilidades a quem de direito e deixem-se de macacadas ou melhor falando  faits-divers. Para variar vamos lá ser honestos.

 

08
Jun17

Teoria da conspiração.


Beia Folques

 cvv.jpg

As pessoas andam sobressaltadas, em permanente frenesim, em constante instabilidade. Tudo se altera, as regras da empresa, os teus direitos e deveres perante a sociedade e as instituições governamentais, o comportamento de quem nos governa. Diariamente ouvimos notícias nos meios de comunicação de estruturas estáveis e sólidas serem desfeitas e reduzidas a nada. Nunca sabes com o que podes contar. Até a nível mundial o panorama está em permanente tumulto. O que gera uma suspeição generalizada de quase tudo e de todos.

Temos terreno fértil para as teorias de conspiração, no local de trabalho, na sociedade em geral, nas famílias se alguém quiser lançar a suspeição para reinar. Nada melhor que uma boa teoria da conspiração para desacreditar algo ou alguém especifico. É tão fácil e está tão disseminada esta “maquinância” que o que é verdade, o falso o que é real e o que se quer sabotar se misturam, gerando a dúvida e a trama facilmente ganha terreno. É lançada a depreciação ou mesmo a desonra só para deter poder, para manipular a opinião dos outros, para governar ou mesmo sem mais razão do que causar dano.

Estou farta das teorias da conspiração, quero claro, transparente, lógico e racional. Não suporto viver com a questão é verdade ou é mentira, está exagerado, está empolado, está desvirtuado, está tramado ou enredado.

 Temos tudo minado de teorias da conspiração, temos que questionar todo o tipo de informação que nos chega, cansa e desgasta tanto estar sempre alerta.

E porque é que pensamos sempre o pior de alguém ou de alguma situação? Onde perdemos o benefício da dúvida e geramos logo um julgamento rápido e repleto de verdades universais que se convertem em histórias articuladas e falsas? Porque não observamos e analisamos as situações com um olhar menos caustico e acutilante.

É tão triste e esgotante se fores tu o alvo de alguma teoria da conspiração, se fores o objecto de eleição de alguma mente maquiavélica e transtornada. Como te defendes? Ignorando e deixando o tempo passar pois ela se desmonta por si? Ou fazendo advogada de ti mesma em praça pública?

 Já diz o povo palavras loucas orelhas moucas. Será tão simples assim???

Discutindo este assunto com uma pessoa muito querida para mim, ela desmontou a teoria da conspiração e demostrou com a lengalenga que passo a descrever ( é uma história em espanhol) e explica como ela nasce, como cresce e insufla:

- Dois homens se cruzam num passeio, um pisa o pé ao outro. O que foi pisado vira-se para o outro cavalheiro e cumprimenta com a frase : Buenos dias senor mio.

E segue o seu caminho. O que pisou ficou a pensar, então pisei aquele tipo e ele em vez de me responder mal, cumprimenta-me e deseja um bom dia. O que ele quer dizer com este :

Buenos dias senor mio???

 Mio del gato. El gato caza al ratón. el ratón se come el queso.

El queso viene da la leche, la leche de la vaca.

La vaca tiene dos cuernos.

Me llamó cabrón!!!!

Conclusão o senhor que pisou, germinou todo um encadeado de presunções e precipitou uma conclusão. Ao contar a uma terceira pessoa o que lhe aconteceu já está o enredo montado, ele pisou fulano tal que o insultou de “cabrón” por algo tão inocente e casual como o incidente de ter pisado sem querer o pé do dito senhor.

Como demonstrado simples assim. Cada cabeça a sua loucura, que tenhamos sempre o bom senso de saber filtrar o trigo do joio e não ir em histórias mais ou menos mirabolantes.

O que me assusta é que a mesma história por mais extraordinária e incrível que seja, repetidas inúmeras vezes passa a ser tomada como verdade.

Buenos dias amigos mios….

 

 

06
Jun17

O “meu homem”.


Beia Folques

Expressão utilizada em Trás-os-Montes pelas mulheres para designarem o marido, companheiro, namorado.

Em miúda, adolescente e até à relativamente pouco tempo quando ouvia esta expressão causava-me estranheza pela rudeza da mesma. O “meu homem” é conectado com sentimento de posse, algo primário. A minha geração foi educada para não pertencer a ninguém, nem ninguém ser “seu”. Foi criada para ter um namorado, marido, companheiro ou esposo, o que seja mas não com aquele caracter de retenção e exclusividade absoluta, propriedade. A nossa preparação foi para sermos autónomos, ser o nosso sustento, ser responsável por nós, pelos nossos sonhos e ambições pelas nossas decisões. Ter alguém como parceiro para partilhar, dividir, nunca sobrecarregar ou pesar.

Ao usar o termo o “meu homem” existe aqui uma enorme confiança no outro, uma entrega, rendição total da mulher. Este “meu homem” é vital para a mulher. Transfere-se para ele a carga da relação, é o homem. Rendição é uma não palavra para mulheres como eu, a confiança é possível mas estamos sempre alertas. Fomos criadas para questionar, cautelosas, criticas, observar, comparar, interrogar. Este é o resultado da nossa formação para sermos modernas e independentes.

Falando com algumas destas mulheres ainda é assim que tratam os seus maridos, companheiros de uma vida que já morreram, o “meu homem”. Esse cunho que imprimem que os distingue de todos os outros é lindo. Apesar da rusticidade da expressão, agora e só agora admito que é a maneira mais romântica para tratar o ente querido.

Pena tenho que com tanta civilização, socialização, preconceito, evolução não consiga assim definir alguém. Também é verdade que os homens da minha geração foram educados para não terem essa carga, esse peso na relação sobre eles.

Com tanta evolução algo se perdeu. Deve ser maravilhoso confiar cegamente e poder se entregar sem reservas nem restrições de uma forma tão inocente e total. Poder sobrecarregar sem complexos nem sentimentos de culpa. Ter alguém que aceite essa responsabilidade e passe a ser o fiel depositário da tua vida, teres a confiança extrema de o incumbir dessa missão.

O “meu homem” é só e simplesmente isso sem papéis, nem aquisições, sem contratos. É algo elementar que remonta ao principio da civilização. São duas pessoas que se têm uma à outra sem regras pré- estabelecidas é mais simples e talvez não o seja pois a base é a confiança. Tem a ver com a essência das relações amorosas, é dar, acreditar, confiar, entregar.

O meu marido, o esposo (palavra que abomino) já denotam uma sociedade, é o resultado de ter contraído matrimônio, fez-se um pacto, uma união escrita, contratual.

O maior dilema que se coloca caso se queira fazer uso dessa expressão é que as mulheres são educadas para serem seguras, fortes, independentes, autossuficiente. Ao verbalizar o “meu homem” teriam que assumir a sua fragilidade, a sua dependência e submissão. Logo não poderá fazer parte do nosso léxico. Ficamos com os predicados, o politicamente correcto do marido ou com o companheiro ( que me sabe a pouco para uma relação amorosa) , do sensaborão, tedioso e foleiro esposo.

Lamento não ter esse rasgo e poder dizer o “meu homem”, mas já é tarde.

05
Jun17

Lágrimas


Beia Folques

 

Ouvi há dias um homem por volta dos seus 80 anos dizer o seguinte: em criança tinham-lhe ensinado que os homens não choram, aquilo era coisa de meninas.

Porquê questionava ele na sua 3ª idade, poder chorar é um privilégio de meninas, mas porquê?  Chorar é uma bênção confessa ele.

Lembro-me em jovem a mãe de uma amiga minha contar uma história que tinha acontecido com ela. A minha querida Miocha (é o nome desta senhora) após tirar a carta de condução teve um pequeno acidente com o carro do pai, foi lavada em lágrimas contar ao pai e a resposta dele foi : enxagua essas lágrimas, guarda-as para situações que assim o exijam. Aprendi com ela e sempre que um filho meu chora por tolices digo logo guarda essas lágrimas para quando precisares.

Ainda há pouco tempo ao ver a minha filha numa festa da escola a fazer uma actividade as lágrimas começaram a cair. São lágrimas de mãe, a ver o seu bem mais precioso a crescer. É daquelas coisas que tento disfarçar discretamente, mas uma mãe ao meu lado reparou e disse: ainda bem que não sou a única assim eu posso chorar sem vergonha. Porque é que temos vergonha de um acto tão incontrolável, tão puro e genuino?

Quem já não chorou de alegria num reencontro, por um gesto generoso ou inesperado? Quem já não chorou por solidariedade, quando alguém que gostamos ou mesmo um desconhecido ter sido bafejado pela sorte? Quem já não chorou ao sentir-se reconhecido ou amado? Quem já não chorou ao ver um fim feliz num filme? Quem já não chorou ao recordar algo mágico, um momento, um sorriso, uma palavra?

A vida dá-nos momentos de pura alegria, é generosa, boas surpresas, momentos de sublimação e superação, etapas ganhas, reuniões gratificantes, o inesperado, o êxtase e paixão. Esses momentos também são vividos com lágrimas de alegria e agradecimento.

Quem já não chorou sem razão aparente, sem motivo. Somos surpreendidas por elas mas reconhecemos que estão lá para nos ajudar. Lágrimas quentes e salgadas que caem só para aliviar o peso da nossa existência. Lágrimas que nos dão paz e equilíbrio. Lágrimas generosas que aparecem sem razão e nos lavam a alma.

 Mas quem já não chorou derrotado, convulsivamente, dorido, ferido, apunhalado? A vida nos dá esforço, põe à prova, nos testa, a vida não tem regras, dá dor e decepções, a vida não tem rede, a vida nos traí,a vida dá-nos rupturas e separações dolorosas, a vida não nos prepara para tanta coisa, a vida nos ultrapassa. Em todas estas etapas choramos tantas vezes por cansaço, impotência e frustração, pesar, tristeza e desalento, raiva, medo e dor, injustiça. E temos aquela forma tão intima de nos expressar, de expelir ou somente acalmar toda a dor, toda a mágoa,todo o mal, toda a saudade.

O senhor tinha razão lágrimas são uma bênção, tenho o maior respeito por elas. Em toda a sua diversidade elas são poderosas e necessárias. Só as repugno quando são por tolices, as lágrimas são demasiado valiosas para se perderem por ninharias. Como costumo dizer se for para chorar sobre o leite derramado que seja leite condensado.

 

Resultado de imagem para lagrima

31
Mai17

Irritações e disrupções


Beia Folques

Ando com esta palavra engasgada, disrupção.

É a palavra da moda, não há discurso nenhum de político, empresário, administrador, consultor, gestor, guru de qualquer treta, coach, mister ou mestre que não tente encaixar esta palavra a meio da mensagem que querem transmitir. Tenho a impressão que toda esta população pensa que a palavra tem o poder de um  Big Bang.

Se gosto da palavra ou do conceito que querem divulgar? Sinceramente não, chego mesmo a abominar. Até fui aos "livros" ver se me dissuadia desta minha total rejeição pela disrupção, esclarecia melhor o conceito por detrás da palavra. E nada, a palavra para mim continua a ser desconforto e arrogância.

Tenho que ser disruptiva porquê????  Sou uma pessoa de pontes, de elos, de alianças, de aliar o passado ao futuro. Negar e dizer que o que existe está todo errado e que agora é que é, vamos criar e construir o inimaginável é falso. A ideia de quebrar e criar de novo por si só é inútil. Retirar ilações do que já foi feito e fazer uma análise séria do mesmo é valor acrescentado a tudo o que se queira desenvolver. Só avançamos se não perdemos a informação que já detemos e utilizarmos o melhor dela. Gosto da evolução, do avanço, da transformação mas como etapas a ultrapassar e atingir e não a partir de um corte. Nunca podemos desprezar as sinergias entre os vários elementos, são fundamentais para o crescimento de algo.

Disruptivo é romper. Romper com o quê??? Com o passado?? Mas tudo é resultado do passado, tudo se aprende com ele. Tudo o resto é presunção.

Talvez a minha estranheza com a palavra venha da sua origem. O prefixo dis do Latim é separação, dispersão, negação, contrário, e do Grego é dificuldade, mau estado, desgraça, contrariedade, privação.

Ou talvez seja a fonética da palavra que me incomoda, ou mesmo a associação a outras como distúrbio, dislexia, distracção, dissecação, dispensar, dissabor, disritmia, etc.

Podem modernizar ou adaptar a palavra mas em bom português está conectada com algo negativo.

É um erro fazer desta palavra a chave num discurso para a mudança, a disrupção ser o conceito por detrás da evolução, da melhoria, do novo, do crescimento da criação. Por si só acho que são visões antagónicas no progresso, no projecto evolutivo de algo.

Ninguém defende que os processos, métodos anteriores sejam os mais correctos ou eficazes., por vezes bem errados e até viciados. Mas fazem parte do que é o agora. Deve-se utilizar palavras como o melhorar, transformar, audácia, ser criativo, superar para motivar o grupo, para o empenho da equipa é evolução, crescimento, estratégia, objectivos, foco, coesão, união. Não é ser fracturante, nem desfragmentando, e muito menos com a brutalidade da palavra rasgar, sinónimos de disruptivo que se vai criar um grupo sólido, com um propósito evolutivo de crescimento.

Sou a favor do inconformismo, da interrogação, do desmontar para analisar e ver os vários ângulos das “peças”, do confronto de ideias, da mudança e modernização, na audácia nas decisões, mas nunca tendo como base o caos resultante da disrupção. Temos que ter a humildade e a sabedoria de aceitar o que existe e a bagagem que contém contra a soberba e a falácia da disrupção e assim constrói-se um futuro sustentável. Existe um equilíbrio a manter.

O que retive quando li o livro "Quem mexeu no meu queijo” é que é importante traçar planos, fazer projectos mas o foco é estar atento, sensível às mudanças e termos a abertura para fazermos parte dela, estarmos preparados para mudar e adaptar aos desafios que se apresentam perante nós. Fundamental é estarmos presentes e sermos os protagonistas desta história. E com bem se sabe história é uma sequência de acontecimentos. A história tem um fio condutor que une o passado com o presente e o futuro.

30
Mai17

Uma campanha sem medo.


Beia Folques

Como rezava a minha Mãe:

Menino Jesus descalçinho pelo chão mete o teu pézinho dentro do meu coração, dá saúde ao Papá, Mamã, avós, tios, primos, amigos e inimigos.

“louva a Deus com amor e não com terror” e “enfrenta o teu inimigo com a paz e não com a guerra”

 

 

 

23
Mai17

Madona, Nossa Senhora dos Milagres ou Anita no reino dos Liliputianos.


Beia Folques

Para minha defesa alego ser fã da Madona. Não daquelas que arrancam os cabelos e que vão aos concertos e choram. Mas porque lhe reconheço mérito, trabalho, empenho e o esforço com que construiu a sua carreira. Devo-lhe momentos fantásticos da minha juventude a ouvi-la e dançar ao som das suas músicas. Não a subestimo nem a ridicularizo, acho que é uma grande mulher.

Agora esperar que ela seja uma Santa Milagreira e vá dar uma áurea de ouro a Lisboa e arredores, dando fama e glória infinita parece-me um exagero. Toda esta romaria que raia o assédio que é exercido sobre a Madona me incomoda. Toda esta loucura mediática mais o serviçalismo do Medina que se desloca ao Hotel Ritz para se encontrar com ela com a desculpa esfarrapada de dar as boas vindas roçam o provincialismo no seu pior. Lisboa ganha e muito é certo com as publicações da rainha do rock nas redes sociais. Ela consegue fazer mais pelo turismo de luxo que uma campanha que se promova com custos milionários. Mas chega Lisboa vende-se por si só. Já ganhou o seu espaço a nível mundial senão ela não estaria aqui. Esta obsessão de vender o nosso património imobiliário desesperadamente a estrangeiros indigna-me. O turismo em Portugal e Lisboa em particular não é só isto que ilustra as fotos e notícias da Madona, ainda há pouco tempo o Richard Gere esteve em Lisboa na Fundação Champalimaud para acompanhar alguém Americano que estava por cá a fazer um tratamento médico. Isto me parece muito mais prestigiante de ser publicitado e bem mais glorioso para Lisboa e tudo o que tem para oferecer. Tudo o mais que se fizer pela Madona arruína a nossa fama, a nossa postura, a nossa mais-valia, vive e deixa viver.

A comunicação social deve respeitar e deixar uma folga entre ela e o público. Todo este folhetim Madona fez isto, comeu aquilo, foi acoli e acolá só me lembra a saga da Anita. A verdade é que nenhuma menina tinha a vida da Anita. Deixem a Madona lá no reino dela que em boa verdade não é o dos 99.9% da população Portuguesa. Continuamos os mesmos com ou sem Madona, á excepção do dono do imóvel e do agente imobiliário que o vão vender. Evitem a próxima capa da Anita, Madona está no reino de Liliput. Não nos façam mais pequeninos com este deslumbramento e obsessão.

05
Mai17

Pensando no dia da Mãe e filhos sem mãe.


Beia Folques

 

Encarei sempre a figura da Mãe como algo sagrado, sublime e intocável.

Sempre encontrei desculpas para todas as falhas das mães que encontrei nesta vida.

Ouvi queixas: a minha mãe isto, aquilo, etc e tal. E pensava o que há de errado com esta gente ???

Precisei chegar a esta idade e dizer que como existem maus filhos o mundo também tem muito más mães.

Existem mães estéreis, delas não sai nada, um carinho, um conforto, um mimo, uma palavra, um simples alento.

Interrogo-me como geraram vida pois são tão áridas, secas e egoístas.

Mães que destabilizam o equilíbrio emocional dos filhos. Mães que anulam as vontades e ambições dos filhos. Mães que destroem os sonhos. Mães que transformam tudo o que pode ser uma coisa boa, acontecimento positivo dos seus filhos em algo negativo. Mães que só criam drama e tragédia. Mães que não abraçam, não tocam, não amam.

Mães que não percebem que ao terem um filho deixaram de ser o centro do Mundo, que o seu papel é outro. É dar sem reservas, incondicionalmente, sem chantagens nem represálias. Em vez de serem uma concha, porto de abrigo para os seus funcionam como repelente para os filhos.

Conheço filhos de mães destas, muitos as desculpam até procuram defender as suas incapacidades de forma até bastante objectiva e aparentemente conexa. Relações que funcionam com papéis inversos. Foi esse o equilíbrio que desenvolveram para coexistir em família, para sobreviver nesta teia complexa que é o lar que nestes casos não passa de uma casa.

Pensando no dia da Mãe que se aproxima faço aqui um elogio a todos os filhos que se fizeram Homens e Mulheres e nunca souberam o doce que é ter uma verdadeira Mãe.

 

perola.JPG

 

02
Mai17

Divagações de uma automobilista- 2


Beia Folques

Todos os dias faço a A5 e é recorrente no meu trajecto matinal passar um Ferrari branco a toda a força. Sou daquelas que vai sempre na faixa do meio, assim em velocidade cruzeiro e em modo piloto automático. Só dou pelo Ferrari quando já passou, sinto no meu carro aquela vibração provocada pela passagem daquela bela máquina, acordo naquele momento. Invariavelmente assisto alguns carros que me acompanham pela manhã de forma monótona e regular acelerarem e vão atrás do Ferrari fazendo um cortejo. O Ferrari é branco e só me lembro da noiva com as damas de honor, ou o andor de Nossa Senhora com os crentes atrás. Eu não faço parte dessa procissão o meu carro só ficaria ridículo atrás de um Ferrari.

Se fosse para fazer parte daquele séquito era a dona do Ferrari tenho o síndroma da noiva, da diva, da estrela, enfim tudo menos da Santa.

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