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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

28
Set17

Sou só uma espectadora ...


Beia Folques

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Por várias vezes tenho-me deparado, confrontado com os problemas mais ou menos graves de amigos, familiares enfim de todos aqueles que nos cruzamos nesta vida. E uma coisa é certa tenho dificuldade em lidar com a dor, os desgostos da vida dos outros.

 Não que a não entenda ou a sinta, que não me afecte ou doa ver a preocupação ou a tristeza nos outros, mas simplesmente pela minha total impotência em poder aliviar, ajudar, ser de alguma forma útil, ter resposta para as dúvidas, em suavizar o sofrimento.

É tão desesperante a nossa incapacidade, é tão limitado o nosso raio de acção em sermos solidários e prestáveis. Somos tão insignificantes, mesmo desnecessários.

O meu desconforto, desalento só se iguala-la ao que me acontece quando assisto a um filme e estou tão envolvida na história, como se estivesse presente na trama e quero ajudar, intervir, mudar o enredo para alterar aquela realidade, para o drama não ser tão intenso e não posso, não tenho poderes para isso. Eu sou só uma mera espectadora.

Ser espectadora é tão redutor, tão inútil. Ser espectadora da vida real é tão frustrante.

Refugio-me sempre em pedir ajuda Divina. Alguém com poder Sagrado venha em socorro e dê a ajuda necessária, a confiança na vida, a cura, a tranquilidade e a paz tão precisas para ultrapassar essas fases mais turbulentas, mais difíceis. Pedir que tudo passe bem depressa e ter a certeza que como nos filmes que vai haver um final glorioso e bem feliz. Tudo vai correr bem.

 

26
Set17

Mas as crianças Senhor....


Beia Folques

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Ao ver o telejornal, ao ler as notícias dos jornais, ao navegar nas redes sociais conclui que existe um fio condutor nas parangonas do dia, como se trata mal as nossas crianças em Portugal.

Desde abusos por negligência levando à morte destes anjos aos abusos sexuais vindos de familiares, amigos, estranhos. Choca-me a incapacidade dos nossos responsáveis em dar apoio e resposta atempada às situações já sinalizadas.

Lembrei-me deste poema:

Balada da neve.

Batem leve, levemente, 
como quem chama por mim. 
Será chuva? Será gente? 
Gente não é, certamente 
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania: 
mas há pouco, há poucochinho, 
nem uma agulha bulia 
na quieta melancolia 
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente, 
com tão estranha leveza, 
que mal se ouve, mal se sente? 
Não é chuva, nem é gente, 
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía 
do azul cinzento do céu, 
branca e leve, branca e fria... 
– Há quanto tempo a não via! 
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça. 
Pôs tudo da cor do linho. 
Passa gente e, quando passa, 
os passos imprime e traça 
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais 
da pobre gente que avança, 
e noto, por entre os mais, 
os traços miniaturais 
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos... 
a neve deixa inda vê-los, 
primeiro, bem definidos, 
depois, em sulcos compridos, 
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador 
sofra tormentos, enfim! 
Mas as crianças, Senhor, 
porque lhes dais tanta dor?!... 
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza, 
uma funda turbação 
entra em mim, fica em mim presa. 
Cai neve na Natureza 
– e cai no meu coração.

 

Augusto Gil

25
Set17

Segunda-feira


Beia Folques

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Vamos lá dar início a esta semana. Todos podemos contribuir para que a semana seja uma excelente semana. Por isso hoje deixo um apelo a uma população muito particular que privo diariamente, os meus caros colegas automobilistas.

Por favor caros colegas automobilistas colaborem para que a semana não seja tão caótica como a que passou.

De manhã como venho com a fornada das 7 da manhã a coisa funciona bem articulada e oleada. Lá vimos todos em velocidade cruzeiro e em piloto automático, sem percalços. Os meus colegas da manhã suponho que seja tudo gente que detesta confusões, buzinadelas, xingamentos públicos e outros “stresses”., por isso acordam cedo, fogem da confusão e fazem-se á estrada quase de madrugada.

O verdadeiro problema está no regresso a casa. Saía eu às 16:30, 17 ou 18h do trabalho o caos é sempre o mesmo. A semana passada na 2ª circular houve acidentes quase todos os dias. Cheguei a fugir para Monsanto duas vezes, e azar dos azares numa das vezes chego a A5 e pimba acidente outra vez, lá fico entalada no trânsito.

Que se passa meus amiguinhos condutores? Por favor concentrem-se, foquem-se na estrada no condutor da frente ou de trás, apliquem-se no que estão a fazer e não me tramem. Andam muito aéreos, distraídos ou mesmo frenéticos, não sei com o quê e depois dá cacetada.

Meus queridos ainda não começou o tempo das chuvas e o trânsito já anda todo engalinhado. Haverá no Inverno muitas oportunidades para conviver de uma forma mais próxima com os outros condutores, para trocar impressões e outros mimos e afocinharem-se todos. Aí até vos desculpo o nevoeiro é traiçoeiro, a chuva na estrada é enervante e perigosa, agora com bom tempo, caramba!

Eu já tenho uma vida um pouco preenchida, cheia de horários e compromissos para cumprir e se vocês sonhassem como me prejudicam com os vossos descuidos teriam de certeza um pouco mais de cuidado e colaboravam para eu chegar a tempo e a bom porto mais descontraída e bem-disposta.

 Por favor lembrem-se de mim ao pegar no carro.

 Boa semana.

22
Set17

Chega o Outono.


Beia Folques

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Como o cair das folhas nas árvores….

Vou deixar levar as preocupações, não adianta precaver com o que pode ser. Nada é do nosso controle, que pretensão ou inocência a nossa achar que somos os “comandantes” da nossa vida. Ou será insanidade presumir que guiamos a nossa existência? Mania das grandezas, quiçá… Tudo é tão volátil, frágil, fino e instável.

Como as árvores deixam cair as folhas e não lutam contra isso em ciclos milenares, temos que deixar a vida fluir. Seguir o curso dela, por vezes o nosso. Porque ela é isso ganhar e perder ininterruptamente. Ir do verde jade doce e seivoso à esmeralda intensa e vibrante, chegando ao âmbar castanho dourado, fossilizado e matizado.

A diferença é que a nossa vida não são ciclos constantes, é mais intrépida e surpreendente, talvez mais traiçoeira. Mas vamos fazer como a natureza deixar ir e ter fé que tudo se renove, se equilibre e assim fiquemos mais fortes.

Acabaram as tréguas dadas pelos dias luminosos e longos de Verão. Vamos dar início a mais um ciclo, a mais uma fase. Mais uma preparação interior para abraçar o frio, vento cortante e chuva.

Mais uma remodelação da empresa, mais um ano lectivo, mais uma adaptação da família a novos horários, novas rotinas que todos os anos se alteram. Às oscilações de humor que tudo isto provoca em todos nós, às dúvidas e medos do que aí vêm, às surpresas e instabilidade do mundo em que vivemos, ás fricções criadas pelo Homem e catástrofes naturais.

Vamos ignorar, deixar-nos ir, deixar cair….

 

Pintura- Birkenwald I 1903 Gustav Klimt

19
Set17

Até num hospital existe poesia..


Beia Folques

 

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Faz hoje 3 anos que assisti a este momento. Recordações de uma estadia num hospital a acompanhar uma das minhas filhas.

Sai um pouco do quarto da minha filha enquanto ela dormia para dar uma volta no corredor e assisti a uma cena preciosa.

Uma menina com cerca de 4 aninhos a fugir de um quarto no mesmo piso da minha filha no hospital. A mãe vinha atrás dela a chamá-la, alertando-a para não correr e ter cuidado porque ainda tinha no braçinho os cateteres. A menina não parava e quando chegou ao fim do corredor ficou lá, colada ao vidro imenso olhando para fora e disse: eu quero ver as árvores a dançar.

Eu estava tão absorta com os meus problemas, com a convalescença da minha menina, tão entregue á minha tristeza que não via para além da minha realidade.

Aquela menina colada ao vidro acordou-me para o lado bom e generoso da vida. Olhei ao meu redor, fixei-me naquela janela imensa e vi as árvores que com o vento que estava agitavam-se, contorciam-se, bailavam. A menina tinha razão dançavam ao som do vento.

 Saí da minha letargia, voltei para a minha filha com a minha fé renovada.

Existem anjos para nos devolver a força, o encanto, a magia da vida.

18
Set17

Bancos de jardim - Notting Hill


Beia Folques

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Ontem revi "Notting Hill" pela milésima vez. E nem por coincidência do meu texto da semana passada revisitei esta cena maravilhosa de um banco de jardim.

 

"For June who loved this garden from Joseph who always sat beside her. Some people do spend their whole lives together."

"Come and sit with me."

 

Vejam e apreciem. Nice garden.

 

15
Set17

A lei da bola.


Beia Folques

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Será que a proibição de haver jogos de futebol nos dias em que há actos eleitorais vai aliviar a percentagem elevadíssima de eleitores que não exercem o seu dever, direito de voto?

Acho que não é por aí que se vai “educar” ou “motivar” o dito povo a exercer esse acto.

Ontem assisti a um debate na TvI24 sobre as autárquicas, Município de Loures. Os políticos convidados, os putativos futuros Presidentes desta Câmara estiveram ¾ do tempo do debate a discutir as ideias do André Ventura, pensei será que o tema deste painel é a personagem André Ventura. Após andarem a ver quem seria o menos racista, xenófobo, ou retardado mental restaram cerca de 3 minutos para cada um apresentarem a sua agenda para o município na próxima legislação, Portugal dos pequeninos. Isso é assistir á perfeição de um debate politico.

Agora vamos fazer um esforço e lembrar notícias antigas ou mesmo recentes dos nossos impolutos Presidentes de Câmara. Primeiro nunca são abonatórias ou dignificantes para os senhores ou senhoras, segundo deixam-me sempre espantada com a  “lata” das personagens, terceiro é mau demais para ser verdade. Desde a inesquecível Fátima Felgueiras, a nossa foragida de estimação com o patrocínio e ajudas de custo na sua odisseia pagas pela Câmara, ao actual Presidente da Câmara de Vila Real de Santo António que autoriza um hotel a 15 metros da praia em Monte- Gordo numa zona interdita a construção e instalação de imóveis, ao Senhor de Sintra que só se engana nuns zeros na avaliação da sua fortuna, como 5.600 euros fosse mais ou menos a mesma coisa que 5.600.000 euros. A casa do Medina mais outra história mal contada com valores pouco claros e contornos sinuosos. Temos o nosso clássico gang Nacional: Isaltinos, Valentins e afins, podia continuar com uma lista infindável da nossa excelência camarária, todos com mandatos mais ou menos duvidosos a servir clientelas e interesses muito particulares quando não a favor da própria família.

Todos eles alegam que são vítimas de manobras eleitoralistas, denuncias anónimas maliciosas, invejas quando não cabalas. Porém existe um princípio que deveriam seguir escrupulosamente, á mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta. Evitavam muita confusão.

Se os nossos políticos fossem sérios, honestos, se tivessem um projecto consistente visando a causa pública e os seus munícipes jamais haveria as taxas de abstenção ou votos nulos que existem em Portugal. O dito povo iria votar fizesse sol ou chuva, jogo de futebol ou até um chá dançante na associação recreativa do bairro.

O nosso poder político deveria se preocupar em reerguer uma classe que está tão mal vista pelos Portugueses, a deles. Deveriam escrutinar, seleccionar  e serem exigentes com os seus pares e órgãos dirigentes. Deveriam fazer o trabalho para que foram indigitados e não o trabalho de saque à riqueza do Estado e jogos de poder e interesses dúbios. No dia em que isto acontecer tenho a certeza que todos irão votar com vontade e satisfação, voluntariamente sem proibições de actividades públicas nomeadamente desportivas.

Esta lei que querem impor é própria de um país ditatorial e infelizmente não vai mudar o nosso panorama político. O problema são eles não é o povo. Faz parte da arrogância tão inata aos nossos políticos o não reconhecer a sua culpa, especificamente ao descalabro do peso  da abstenção em Portugal. Dizem que a culpa é da nossa democracia ainda não ter atingido a sua maturidade. Não atingiu e nunca irá atingir pois está refém dos profissionais da política, para eles porem e disporem da Res publica em proveito próprio. Enquanto a balança da democracia só carregar no prato dos deveres para o povo e o prato da balança dos direitos estiver praticamente vazio, não haverá leis para combater a ausência nas salas de voto que salvem o escrutínio final, a abstenção ganha sempre.

A nossa classe política é ávida de dinheiro e poder, é pobre de valores éticos, morais e democráticos. No dia em que começarem a defender a coisa pública, encararem o seu desígnio que é construir, criar, desenvolver em prol do nosso povo, do país não haverá o flagelo da abstenção.

Não nos atirem mais areia para os olhos, estamos demasiado cansados para mais brincadeiras. E por favor sejam sérios.

http://expresso.sapo.pt/blogues/blogue_andamos_nisto/2017-09-14-Bola-ou-eleicoes--A-Democracia-nao-pode-ser-isto

13
Set17

Bancos de jardim.


Beia Folques

jardim1.jpg

Gosto de jardins. Costumo frequentar um jardim que é perto do meu local de trabalho. Sempre que posso e o tempo colabore vou até lá descomprimir, passear. Por vezes almoço no jardim, sentada num banco ou mesmo sobre a relva.

 Este fascínio por jardins não é de agora. Sempre que posso visito um, ou se estou a fazer um determinado percurso que tem um jardim próximo lá vou eu, atravesso um desses espaços maravilhosos, que são um prazer para os sentidos.

 Tenho especial gozo em ver as pessoas a passear os seus cães, brincar com as crianças, no seu exercício físico diário, ou somente desfrutando da paz e da natureza daquele local.

Mas de todos os frequentadores de um jardim aqueles por quem tenho especial afecto e simpatia são os casais de namorados, apaixonados que lá estão em verdadeira comunhão com o amor e a natureza. Invariavelmente quando passo por eles sorriu, conseguem tirar-me um sorriso de cumplicidade, por me darem a alegria de ver uma demostração de amor tão inocente e voluntária, genuína e simples. Por vezes em locais mais recônditos outras vezes  desafiadoramente expostos á vista  de todos. Completamente ausentes e abstraídos de quem os rodeia. O que me enternece sempre é que estes casais estão tão absortos neles, embora o espaço seja público e mais ou menos frequentado, eles ficam revestidos por um manto que  torna as pessoas que circundam invisíveis para eles, estão num Mundo lá deles. Perdidos dentro da sua paixão.

Quantas juras de amor, promessas de um futuro juntos e vitorioso um banco de jardim já ouviu? Quantos beijos apaixonados ou abraços intensos foram lá dados? E as gravações feitas a canivete que são a testemunha de um amor eterno  ficam assim eternizadas num banco de jardim ou mesmo numa árvore, existe algo tão pueril e doce como esta expressão de amor?

A magia do jardim não é só a sua arquitectura paisagista, os seus jardins cuidados e floridos, o elemento água: os seus repuxos, fontes, cascatas. Os animais que por lá andam, ou mesmo os passarinhos que juntamente com o som das folhas das árvores quando dá um vento são a orquestra perfeita para ouvir num jardim. A principal magia de um jardim são as pessoas que o gozam e os amantes que se entregam.

Para quê estátuas ou monumentos num jardim se podes ter imagens reais tão belas e expressivas?

Ainda ontem fui ao “meu” jardim e deparei-me com um casal que costuma lá ir. O banco  de jardim que costumam estar sentados geralmente é o mesmo. Gosto de os ver, não sei se são casados, amigos coloridos ou não, namorados mas nota-se a o seu entendimento e sua cumplicidade nos pequenos gestos e olhares, como tocam os ombros. O curioso é que não são um casal de jovens e sim um casal de cerca de setentas e muitos que se sentam ali naquela comunhão de sentimentos.

Vê-los renova-me a fé que este sentimento não se gasta nem se perde com o tempo, nem com a idade. Não há limites para se amar num banco de jardim.

11
Set17

Cacilheiros


Beia Folques

cacilheiro.jpg

Devia ter uns 8 anos quando vim morar para a região de Lisboa. Até lá tinha vivido em Angola, Guiné, Lamego, Vila Real de Santo António. Era assim uma espécie de cigana intercontinental, era e acho que continuo a ser.

Ao chegar a Lisboa lembro-me de perguntar aos meus pais se a margem Sul do Tejo era Espanha. Da minha experiência por terras Algarvias aquilo de duas margens de rio com um barco para fazer a ligação o outro lado só podia ser Espanha. Desde pequena sempre me encantou o Tejo e os cacilheiros.

Embora tenha vivido em Oeiras até aos meus 24 anos nunca tive grande proximidade e também não desenvolvi particular interesse pela margem Sul, basta dizer que nunca fui a uma praia da Costa da Caparica, ou nunca tinha visitado Almada, Trafaria ou Cacilhas, até mesmo o Cristo Rei. Tão perto e tão longe.

A única coisa que sempre tive curiosidade era atravessar o Tejo num cacilheiro, isso sim e desde criança.

A semana passada li a notícia que estava um cacilheiro à venda por 25 mil euros. Fiquei preocupada, daqui a dias já não existe nenhum na frota da Transtejo e eu nunca viajei num daqueles barcos tão característicos do nosso rio.

Sábado desprezei as minhas lides caseiras, as inadiáveis compras do supermercado, as rotinas do sábado de manhã e recrutei os elementos da família que estavam com vontade de fazer uma viajem de cacilheiro e uma mini incursão pela margem Sul. Lá fomos de manhã até ao Cais do Sodré apanhar o barco.  

A viagem foi excelente, o velho e cansado cacilheiro cumpriu a sua missão. A vista que temos ao atravessar o rio Tejo percorre a Ponte Vasco da Gama até à Ponte 25 de Abril. Lisboa é linda vista sobre aquele prisma e com aquela luz. Assim como a aproximação a Cacilhas se revela muito interessante. Tanto para ver e descobrir, é tão bom ver as coisas com outros olhos, por outros ângulos.

Após desembarcarmos em Cacilhas seguimos ao longo do rio. Apesar de a marginal estar decadente, os antigos armazéns ou fábricas que ali existiram estarem a desmoronar-se, tem um certo encanto. É interessante ver o que tinha existido atrás aquelas fachadas, algumas ainda com azulejos antigos e pormenores curiosos. No fim da marginal encontra-se o elevador panorâmico, ponto bastante atractivo, tem um jardim bastante simpático e cuidado. O elevador é envidraçado e durante a viagem temos uma vista fantástica sobre a margem Norte. O elevador Boca do Vento liga a margem do rio a Almada velha, a maneira mais fácil e simpática de visitar o Cristo Rei.

Para chegar ao Cristo Rei temos que atravessar Almada velha, é um passeio a pé de cerca de 30 minutos sempre a subir. Almada velha uma desilusão, suja com lixo espalhado pelo chão e pior ainda os passeios servem não para os peões utilizarem e sim é onde se estaciona os carros naquela cidade. Se tens problemas de mobilidade, se tens uma criança e necessitas de uma cadeirinha para a transportar, ou sofres qualquer outra limitação evita atravessar Almada, uma verdadeira gincana para os peões. Não percebo como numa rota turística como aquela a Câmara de Almada não se preocupa em respeitar os seus visitantes já para não falar em quem lá habita e dignificar a cidade com uma aparência cuidada e promovendo alguns princípios básicos de cidadania até mesmo higiene.

Chegámos ao Cristo Rei, este monumento tem 2 parques de estacionamento mas mais uma vez os carros estão no passeio, a dificultar a vida aos transeuntes. Mais uma vez não percebo a falta de cidadania dos nossos conterrâneos, aqui não se pode dizer que são habitantes de Almada e sim turistas nacionais ou não que se deslocaram de carro para visitar aquele monumento. Após mais uma odisseia chegámos ao Cristo Rei.

 Um panorama de tirar a respiração, lindo. Um ecran gigante, um postal. Não subi ao topo do Cristo Rei, mais uma vez as minhas vertigens traíram-me. Mandei a família tirar fotografias por mim e gozarem ao máximo com a vista. Pois se de baixo é magnífica no topo do Cristo Rei deve ser fantástica. Lisboa nunca decepciona, tivemos sorte pois estava um daqueles dias de luz sobre Lisboa, onde temos a certeza que a luz de Lisboa é única.

Vale bem a pena fazer esta mini excursão tão perto, tão acessível e tão reveladora da nossa cidade e arredores. O tipo de programa que vale para toda a família desde a mais pequena ao mais velho, ficaram agradavelmente surpreendidos.

Ainda passeámos mais um pouco, visitámos Cacilhas que é muito agradável.

No regresso viemos um pouco mais cansados, mas mesmo assim no barco foi mais uma sessão fotográfica a bordo. Quer na ida como no regresso os ocupantes do cacilheiro eram maioritariamente turistas não como nós Portugueses e sim estrangeiros. Eles então estavam rendidos ao trajecto.

Consternou-me identificar os poucos Portugueses que lá estavam e via-se que o usam como meio de transporte regular. A sua apatia, o seu desinteresse pelo céu, rio ou pela vista privilegiada que se tem das duas margens mais a vista das duas pontes é desconcertante.

É um graça poder desfrutar da beleza do Tejo e a sua envolvência diariamente. Até para aliviar a carga das nossas vidas convém não nos abstrairmos destas pequenas prendas que a natureza nos dá generosamente, são pormenores retemperadores e fonte de energia para o nosso quotidiano.

Boa semana

07
Set17

Chocolates com cruz


Beia Folques

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 Ontem li a notícia que a Lidl, supermercado que gosto e do qual faço algumas compras, adulterou a imagem de uma campanha publicitária de produtos Gregos. Esse “photoshop” constou na retirada das cruzes que estavam no topo de uma Igreja Ortodoxa. Os responsáveis pela cadeia Alemã escolheram uma fotografia da Igreja Ortodoxa Anastasi, um dos mais famosos “postais” da ilha Grega de Santorini para dar visibilidade à campanha. O imbecil da situação é que resolveram apagar em “photoshop” as cruzes no cimo das cúpulas azuis do edifício. A Lidl explica-se com a desculpa que “não querem excluir nenhuma crença religiosa. Somos uma empresa que respeita a diversidade…”.

Esta campanha publicitária visa a promoção de produtos alimentares Gregos, logo é algo bem identificado com o povo Helénico e a sua cultura. A cultura de um povo vai desde os seus usos e costumes, às suas tradições o seu modo de viver e estar, gastronomia e religião. Está tudo interligado.

Transcrito do Wikipedia: a Igreja Ortodoxa Grega é a principal denominação religiosa do país e representa quase toda a população do país, e que é constitucionalmente reconhecida como a "religião dominante" da Grécia.

Posto isto o que estranharia era que numa campanha publicitária visando a Grécia fosse colocada um templo Budista ou mesmo uma Sinagoga, até mesmo constar na foto a Heidi, uma girafa ou um restaurante de sushi.

A sociedade Europeia está a ceder a uma ditadura religiosa. Com a desculpa do neutro, da tolerância, do politicamente correcto estamos a aniquilar todas as nossas referências culturais, religiosas, ou mesmo arquitectónicas. Esta sujeição que nos impomos é feita de chantagem velada e simulada de algumas religiões,  embrulhado por um discurso do politicamente correcto. Cada país tem que se despir da sua identidade para ser aceite por outros é o que se quer impor, embora os donos deste raciocínio não cedam em nada da sua identidade, extremando a mesma.

O que a Lidl dá como explicação da sua decisão é paradoxalmente profundamente louvável, o respeito à diversidade. A maravilha do nosso planeta, a nossa diversidade mundial é também feita da grande palete de religiões que existem. A Lidl que reveja os seus argumentos. E isto é que temos que lutar para não sermos desprezados nem ignorados, a diversidade, as nossas características, as nossas idiossincrasias. A descaracterização de um povo é um caminho bastante perigoso.

Hoje deparei com mais uma notícia igualmente tentadora da nossa civilização. Os chocolates Godiva que eu pensava que eram Belgas não são Belgas e sim Turcos. Uma empresa Turca comprou a Godiva. Godiva um símbolo Europeu do chocolate por excelência, até aqui tudo bem ou talvez não. Essa empresa Turca resolveu não fabricar mais os bombons que contivessem licor, isto é, álcool. Mais uma vez a desculpa encapuçada: a Godiva quer chegar a todos os clientes e álcool é só para os adultos. Posso eu garantir como mãe de vários filhos que as crianças querem é o Kinder, nunca os vi em pequenos ou jovens entusiasmados com uma caixinha de Godiva. Mas isso devem ser os meus, os filhos dos outros devem ser bem mais sofisticados.

 Lamento que mais uma vez a cultura Europeia seja renegada, esquecida. A Godiva foi fundada em 1926 e sempre teve no seu portefólio bombons com licor. A boa notícia aqui é que passo a publicidade a duas chocolateiras Portuguesas que adoro e não ficam atrás da Godiva, a Arcádia e a Denegro. E essas ainda não se submeteram ao jugo religioso de alguns que pelos vistos tem muito poder.

 Rezo que a Ferrero Rocher não seja comprada por nenhum fundamentalista e os meus queridos MON CHÉRI desapareçam do mercado, aí sim belos pileques para adultos que se tomam docemente.

Está na hora de retaliarmos tão facilmente e simplesmente não comprando produtos dessas empresas que nos tentam manipular e forçar a uma cultura que não é a nossa. Pela nossa cultura pela nossa civilização temos que dizer um Basta, isto é um polvo. Queremos chocolates sem cruz.

 

Lidl elimina cruzes/ Observador

Turkish-owned Belgian chocolatier stops producing praline with alcohol

 

 

 

 

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