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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

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Amelices e outros estados de alma

13
Set17

Bancos de jardim.


Beia Folques

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Gosto de jardins. Costumo frequentar um jardim que é perto do meu local de trabalho. Sempre que posso e o tempo colabore vou até lá descomprimir, passear. Por vezes almoço no jardim, sentada num banco ou mesmo sobre a relva.

 Este fascínio por jardins não é de agora. Sempre que posso visito um, ou se estou a fazer um determinado percurso que tem um jardim próximo lá vou eu, atravesso um desses espaços maravilhosos, que são um prazer para os sentidos.

 Tenho especial gozo em ver as pessoas a passear os seus cães, brincar com as crianças, no seu exercício físico diário, ou somente desfrutando da paz e da natureza daquele local.

Mas de todos os frequentadores de um jardim aqueles por quem tenho especial afecto e simpatia são os casais de namorados, apaixonados que lá estão em verdadeira comunhão com o amor e a natureza. Invariavelmente quando passo por eles sorriu, conseguem tirar-me um sorriso de cumplicidade, por me darem a alegria de ver uma demostração de amor tão inocente e voluntária, genuína e simples. Por vezes em locais mais recônditos outras vezes  desafiadoramente expostos á vista  de todos. Completamente ausentes e abstraídos de quem os rodeia. O que me enternece sempre é que estes casais estão tão absortos neles, embora o espaço seja público e mais ou menos frequentado, eles ficam revestidos por um manto que  torna as pessoas que circundam invisíveis para eles, estão num Mundo lá deles. Perdidos dentro da sua paixão.

Quantas juras de amor, promessas de um futuro juntos e vitorioso um banco de jardim já ouviu? Quantos beijos apaixonados ou abraços intensos foram lá dados? E as gravações feitas a canivete que são a testemunha de um amor eterno  ficam assim eternizadas num banco de jardim ou mesmo numa árvore, existe algo tão pueril e doce como esta expressão de amor?

A magia do jardim não é só a sua arquitectura paisagista, os seus jardins cuidados e floridos, o elemento água: os seus repuxos, fontes, cascatas. Os animais que por lá andam, ou mesmo os passarinhos que juntamente com o som das folhas das árvores quando dá um vento são a orquestra perfeita para ouvir num jardim. A principal magia de um jardim são as pessoas que o gozam e os amantes que se entregam.

Para quê estátuas ou monumentos num jardim se podes ter imagens reais tão belas e expressivas?

Ainda ontem fui ao “meu” jardim e deparei-me com um casal que costuma lá ir. O banco  de jardim que costumam estar sentados geralmente é o mesmo. Gosto de os ver, não sei se são casados, amigos coloridos ou não, namorados mas nota-se a o seu entendimento e sua cumplicidade nos pequenos gestos e olhares, como tocam os ombros. O curioso é que não são um casal de jovens e sim um casal de cerca de setentas e muitos que se sentam ali naquela comunhão de sentimentos.

Vê-los renova-me a fé que este sentimento não se gasta nem se perde com o tempo, nem com a idade. Não há limites para se amar num banco de jardim.

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