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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

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Amelices e outros estados de alma

27
Jun17

Eu, cidadã acuso-me…


Beia Folques

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Vivi o aluvião na Madeira (vivia no Funchal) em 2010 com um saldo negativo de 47 mortos, 600 desalojados e 250 feridos. O ano passado vivi o incendio na Madeira (tinha lá uma filha de férias) que alastrou para a cidade do Funchal com um saldo de 3 mortos, 2 feridos graves e 1000 deslocados.

Todos os anos existem incêndios violentos. Tudo isto foi um prelúdio para o descalabro de Pedrogão Grande. Este ano foi a tragédia em Pedrogão Grande.

Desde o aluvião aos incêndios a facilidade com que a catástrofe evolui é impressionante e as causas são as mesmas: falta de limpeza nas matas, na floresta, na serra, nas ribeiras, a desestruturação do mundo rural, erros de planeamento urbanístico, o plano de ordenamento do território é inexistente ou não fiscalizado, o desordenamento do mesmo e por ultimo a desarticulação e ineficácia de quem nos deveria socorrer nestas ocasiões.

Li tudo o que havia para ler, vi tudo ou quase tudo que ouve de debates na televisão. Todos ou quase todos são unanimes a negligência e irresponsabilidade com que o estado trata este assunto é transversal a todos os governos. A sociedade civil tem a perfeita consciência que somos governados ininterruptamente por um bando de oportunistas e levianos. Li e ouvi cidadãos comuns com ideias e opiniões bem assertivas sobre esta matéria, catástrofes.

Mas ter uma opinião não chega, tínhamos que nos organizar e criar um movimento de cidadãos concertado e estruturado que exija explicações pelas decisões que tomam e soluções para os problemas.

Eu, cidadã acuso-me, sou responsável devido à minha omissão, complacência pelos nossos governantes. Sou culpada nessa medida por estas desgraças sucessivas.

Eu, como todos nós deveríamos ter uma voz mais interveniente, mais activa e participativa na sociedade. A sociedade civil está dispersa, sabe identificar os problemas mais prementes mas não consegue se organizar para se impor, exigir o respeito que merece. Não sei aonde ficámos manietados, mas é assim que me sinto. Que diabo de fenómeno ocorreu na nossa sociedade que nos levou a ser dirigidos por homens de má índole e de má fé. E nós placidamente assistimos e não nos erguemos, não levantamos a voz e questionamos o que nos levou a este descalabro e tentamos inverter a situação.

Talvez porque o maior bastião da democracia a justiça seja para uso exclusivo dos ricos e influentes e por isso tenhamos perdido a força de intervenção. A luta é desigual, lutar com máquinas políticas, interesses de milhões, jogos de influência e lobbies. Mas se nada fizermos somos coniventes nestes actos criminosos exercidos sobre todos nós.

Gostava de sair desta anemia civilizacional e encontrar cidadãos como eu que queiram reivindicar o nosso espaço, os nossos direitos, o nosso património que é nosso e não para uso e delapidação dos "grandes".

Queria exigir o respeito que merecemos e também por todos aqueles que já foram vítimas da incúria e desleixo dos nossos governantes. Dos que infelizmente morreram, dos desalojados, dos feridos e gravemente prejudicados, dos idosos que não tem voz e sobretudo pelos nossos filhos temos a obrigação de nos reorganizar em prol da sociedade. A sociedade somos todos nós.

 

Pintura: Neves e Sousa

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