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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

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Amelices e outros estados de alma

05
Jun17

Lágrimas


Beia Folques

 

Ouvi há dias um homem por volta dos seus 80 anos dizer o seguinte: em criança tinham-lhe ensinado que os homens não choram, aquilo era coisa de meninas.

Porquê questionava ele na sua 3ª idade, poder chorar é um privilégio de meninas, mas porquê?  Chorar é uma bênção confessa ele.

Lembro-me em jovem a mãe de uma amiga minha contar uma história que tinha acontecido com ela. A minha querida Miocha (é o nome desta senhora) após tirar a carta de condução teve um pequeno acidente com o carro do pai, foi lavada em lágrimas contar ao pai e a resposta dele foi : enxagua essas lágrimas, guarda-as para situações que assim o exijam. Aprendi com ela e sempre que um filho meu chora por tolices digo logo guarda essas lágrimas para quando precisares.

Ainda há pouco tempo ao ver a minha filha numa festa da escola a fazer uma actividade as lágrimas começaram a cair. São lágrimas de mãe, a ver o seu bem mais precioso a crescer. É daquelas coisas que tento disfarçar discretamente, mas uma mãe ao meu lado reparou e disse: ainda bem que não sou a única assim eu posso chorar sem vergonha. Porque é que temos vergonha de um acto tão incontrolável, tão puro e genuino?

Quem já não chorou de alegria num reencontro, por um gesto generoso ou inesperado? Quem já não chorou por solidariedade, quando alguém que gostamos ou mesmo um desconhecido ter sido bafejado pela sorte? Quem já não chorou ao sentir-se reconhecido ou amado? Quem já não chorou ao ver um fim feliz num filme? Quem já não chorou ao recordar algo mágico, um momento, um sorriso, uma palavra?

A vida dá-nos momentos de pura alegria, é generosa, boas surpresas, momentos de sublimação e superação, etapas ganhas, reuniões gratificantes, o inesperado, o êxtase e paixão. Esses momentos também são vividos com lágrimas de alegria e agradecimento.

Quem já não chorou sem razão aparente, sem motivo. Somos surpreendidas por elas mas reconhecemos que estão lá para nos ajudar. Lágrimas quentes e salgadas que caem só para aliviar o peso da nossa existência. Lágrimas que nos dão paz e equilíbrio. Lágrimas generosas que aparecem sem razão e nos lavam a alma.

 Mas quem já não chorou derrotado, convulsivamente, dorido, ferido, apunhalado? A vida nos dá esforço, põe à prova, nos testa, a vida não tem regras, dá dor e decepções, a vida não tem rede, a vida nos traí,a vida dá-nos rupturas e separações dolorosas, a vida não nos prepara para tanta coisa, a vida nos ultrapassa. Em todas estas etapas choramos tantas vezes por cansaço, impotência e frustração, pesar, tristeza e desalento, raiva, medo e dor, injustiça. E temos aquela forma tão intima de nos expressar, de expelir ou somente acalmar toda a dor, toda a mágoa,todo o mal, toda a saudade.

O senhor tinha razão lágrimas são uma bênção, tenho o maior respeito por elas. Em toda a sua diversidade elas são poderosas e necessárias. Só as repugno quando são por tolices, as lágrimas são demasiado valiosas para se perderem por ninharias. Como costumo dizer se for para chorar sobre o leite derramado que seja leite condensado.

 

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