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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

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Amelices e outros estados de alma

22
Ago17

Sunset ou pôr-do-sol


Beia Folques

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Ficar na praia até ao entardecer é daqueles prazeres que poucas coisas podem igualar.

Adoro ver a praia a esvaziar de gente, a neblina a ganhar terreno, a calma e a paz a encher o que ainda há pouco era barulho e agitação, gritos de crianças, jovens a jogar badminton ou crianças a jogar futebol.

O pôr-do-sol é sempre aquele momento mágico na praia, sobretudo no Verão. Gosto de ver as poucas famílias que esperam por esse momento. Os pares de apaixonados que ficam para se aconchegarem naquele cenário, os grupos de amigos que estão lá em alegre cavaqueira.

O meu pôr-do-sol era assim. Inventaram o Sunset e acabaram com esse momento de retiro, de contemplação, e de encontro connosco ou com alguém que queiramos partilhar esse instante. Eu não sou mulher de Sunset. Os bares de praia fazem cartazes de Sunset´s, um sunset para eles é algo assim bem regado de álcool, uns almofadões imensos espalhados na areia, e uma música estridente. Uma gente armada em hippie-chic e o ambiente está montado.

O meu pôr-do-sol é algo mais íntimo e a banda sonora não é aquela música infernal que me obrigam a ouvir, eu quero o sussurro das ondas ou do vento, algum grasnar de alguma gaivota errante. As conversas abafadas das pessoas. Gosto desses sons, dispenso o barulho do batuque infernal tribal africano ou sul americano com que os Dj nos brindam.

Toda essa poluição sonora me incomoda. Os bares de praia a partir das 18h começam a colocar a música, ás 19h ela está estridente, passado meia hora está perfeitamente incontrolável. Chego a pensar se o DJ estará lá para nos ensurdecer. Esta permissão de colocarem música na praia sem controle é a falta total de respeito pelos veraneantes como eu, que só querem paz e sossego. Só querem estar lá e apreciar o belo a quietude e harmonia, a paz que transmite um pôr-do-sol na praia.

Os ditos Sunset ficam muito bem em qualquer telenovela ou nos “morangos com açucar”. Na vida real são artificiais, plástico, são mesmo agressivos

Podem dizer que me posso afastar e ir para outro ponto na praia. O problema é que se alugo uma sombrinha numa praia com banheiro, uma praia que eu escolhi por diversas razões. Acho que o meu direito a desfrutar da praia é igual ao direito de qualquer cidadão. As minhas escolhas não interferem na liberdade dos outros, gostava que o reciproco fosse verdade.

A única coisa que peço é que se respeite as leis de poluição sonora.

Na realidade eu só quero um pôr-do-sol, daqueles dos antigos.

 

autor da foto: Gonçalo Campos

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