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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

26
Jun18

Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré.


Beia Folques

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Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. Ressalvo que este texto não tem nada a ver com futebol. Só que é um excelente provérbio e lembrei-me dele de tanto cruzar com gente que sonha em um dia ser jacaré.

Somos forçados a viver com este tipo de gente. Pessoas sem estrutura, hombridade, seriedade e princípios.

Gente que nasceu ou cresceu, desenvolveu-se num limbo, no meio de um lamaçal. Viveram sempre em terreno estéril. Nunca souberam a importância do reconhecimento do outro, da rede entre todos, o que são raízes, o ter raízes, o criar raízes. Quer essas sejam na família, na sociedade, grupo de amigos ou mesmo em termos profissionais. Gente que não tem a mínima noção e desvaloriza o outro ser humano, que vive com as premissas erradas.

 A palavra humano é desconhecida no seu parco mundo linguístico, diria mesmo misteriosa para essa gente. Qualquer portador de Asperger identifica, tem mais empatia com o outro que estes elementos.

Gente que faz literalmente tudo para se impor, para se colocar em bicos de pés e dizer aqui estou eu, querem ganhar visibilidade a todo o custo. Gente que na presença de alguém superior, com mais poder ou influência se humilha, se coloca de quatro, qual serviçal perante o amo. Acho que noutros tempos foram muito úteis como capatazes, tem o perfil certo para terem voz e autoridade perante os fracos, precários e desprotegidos.

Para fazer vingar o seu plano, por vezes só um triste e mísero plano, pois os sonhos e ambições efectivamente grandes e de relevo não os têm, destroem tudo o que seja válido. Pois esses podem por a nu a sua ganância ou mesmo incompetência, os seus esquemas obscuros e planos de bastidores. Essa gente nunca é clara nem óbvia é cínica e hipócrita, levamos algum tempo a decifrá-los.

O que assisto é a forma como levam a vida a desconsiderar, despromover ou desacreditar os outros. Manipulam a informação, boicotam qualquer esforço de melhoria, dividem para "reinar", empolam ou subestimam situações para “explicarem” os seus objectivos.

Qual réptil que tem várias peles e as vai usando de acordo com os diversos interlocutores. Vão mudando o discurso, adaptando sistematicamente a postura dependendo com quem estão a lidar e o grau de influência que querem ter nessa pessoa. Não têm só uma palavra, não têm só uma lógica, não têm só uma pele. Têm várias, várias verdades universais, muitas máscaras. E quando confrontados e sabem que já não vale a pena reencarnar mais nenhuma personagem pois o pano foi aberto e o palco está à vista, dependendo do contexto a resposta será eu não queria mas, eu não faço, eu não tive a culpa, não fui eu, pensei que era melhor assim, foi por bem, por vezes um deprimente eu é que mando como se isso fosse explicação para qualquer tipo de acção.

O que essas pessoas se esquecem é que os outros não são como eles e corre sangue quente nas veias, e que a vida dá muitas voltas. Os outros têm uma visão superior da vida, tem outras razões para a viver, objectivos reais e verdadeiros para lutar. A maldade ou a perversa existência deles para os restantes é vista como algo desnecessário mesmo fútil e mesquinho. São mesmo escusados.

A vida faz-se de alianças sinceras, de interajuda, de consensos simples e leais com base em relações honestas e transparentes e esta é a verdade para tudo que envolve a nossa existência: família, na sociedade, grupo de amigos ou mesmo em termos profissionais.

A esta espécie de pessoas lembro que quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. Não me lembro de um ser deprimentemente maquiavélico não ser descoberto, de alguém que sofra de uma condição patológica do poder não acabar a ser tratado como um desequilibrado ou mesmo de um serviçal, invertebrado, prepotente e arrogante capataz chegar a dono da Herdade. E também quem semeia ventos colhe tempestades. Bem este último provérbio fica para um próximo texto. 

O que eu queria mesmo era viver num mundo onde o Ser fosse mais importante do que o ter, e infelizmente esse ter para que tanto se batem e a tanto custo ser mesmo tão nanico, tão pouco e tão efémero.

23
Mai18

Kokedama- Desde a rede de galinheiro a uma planta decorativa.


Beia Folques

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Para realizar uma Kokedama precisamos de:

Rede galinheiro, musgo, terra, substrato, areia, muda de planta, fio de costurar grosso verde, argola de ferro, arame.

Aqui fica o meu resumo passo-a-passo.

IMG_20180523_115955_resized_20180523_120010864.jpg    1. Retira-se a muda da planta do vaso e separam-se os pés com as raízes.

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    2. Corta-se um quadrado de rede de galinheiro e é a partir dessa rede que se cria o vaso. Dá-se a forma de ninho, unindo os cantos com o próprio arame para arrematar o ninho que se criou. Por fim com um fio metálico interliga-se toda a borda superior para a estrutura ficar unida. Se quiser ter a planta suspensa é agora que coloca a argola directamente no topo deste vaso de arame. 

IMG_20180523_103028_resized_20180523_103042756.jpg    3. Forra-se o interior desta estrutura com musgo. O fundo e as paredes laterais.

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    4. Coloca-se no interior do ninho uma mistura com o seguinte preparado: areia, substrato e terra. Fazendo uma cama para colocar a planta.

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      5. Introduz-se a raiz da planta dentro deste vaso e preenche-se com mais terra para ficar perfeitamente plantada.

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     6. Agora vamos forrar exteriormente este vaso com musgo. Pega-se em “mantas” de musgo e vai-se rodeando a estrutura com ele. Com a linha de costurar ata-se o musgo ao vaso. Neste processo com as nossas mãos vamos moldando o trabalho, dando forma ao nosso vaso e elaborando a forma esférica. Temos que colocar várias camadas de musgo até obter o efeito pretendido por nós.

IMG_20180523_121153.jpg    7. Quando o nosso trabalho tiver o formato que queremos, mergulhamos a planta numa bacia com água. Retira-se da água e apertamos muito bem para a forma ficar bem definida e sair o excesso de água.

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    8. Temos a nossa obra de arte finalizada.

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Após assistir a este Workshop tudo parece bem mais simples. A vantagem de ter feito esta formação é perceber a técnica subjacente a esta arte, quais as plantas que se adequam a este trabalho, o tipo de “solo” a usar conforme a planta que se escolhe e mais mil e um pormenores que só se despertam ouvindo e interagindo com quem entende sobre esta matéria. É uma experiencia que só nos enriquece e embeleza a vida.

No Hortus Conclusus haverá novo Workshop de Kokedamas dia 9 de Junho. É no Porto, mas ir ao Porto é sempre um grande prazer. Então com este motivo de jardinagem fica um passeio irresistível.

https://www.facebook.com/Hortus-Conclusus-399142973898175/

 

A minha aposta agora é fazer Kokedamas com orquídeas. Adoro essa flor tão exótica e frágil. É o tipo de planta que de certeza se adequa a realizar uma Kokedama fabulosa. A manutenção de uma Kokedama é relativamente simples, é gerir a quantidade de água a borrifar para ela estar sempre verde e viçosa.

Agora mãos na massa ou mesmo na terra.

21
Mai18

A insustentável beleza das Kokedamas.


Beia Folques

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Kokedamas é uma técnica Japonesa onde se cria uma estrutura esférica forrada a musgo com uma planta. Sendo essa uma arte Japonesa a execução de uma Kokedama pauta-se pela paciência, a técnica, a organização em todo o processo. O resultado final é uma planta ornamental cujo vaso é a sua raiz envolta numa base de musgo.  O efeito visual é de uma simplicidade extrema mas com traços de uma sofisticação discreta só possível vindas de Oriente onde a arte de tratar plantas é algo que cultivam e desenvolvem há milhares de anos. Onde o minimalismo é imperativo.

Uma Kokedama acrescenta ao espaço onde a colocas um toque de beleza, arte, evasão. Remete-nos para locais de contemplação e meditação, para paz e harmonia.

A Kokedama pode ser apresentada em cima de uma base mas para o seu efeito ser mais potenciado é preferível que a suspenda, como uma planta aérea. Suspensa evidencia a sua graça e leveza.

Ando sempre à procura de coisas que me ajudem a ausentar-me da rotina. Não que a rotina por si seja algo errado ou mau, é necessária mas temos que a quebrar para nos reorganizar e reequilibrar, não sermos engolidos por ela. Tenho que me abstrair por momentos do meu eu como mãe, mulher, funcionária de uma empresa, dona de casa, irmã, filha, e mais mil e uma coisas que constituem a minha vida. Isto é de tudo que exija de mim atenção, responsabilidade, respostas, tempo, preocupação, desgaste, trabalho. Porque a rotina envolve todos estes sentimentos, estados de espirito em grande escala, numa exponencial. Para me revitalizar preciso de instantes ou mesmo de um curto período de tempo com total ausência do quotidiano.

Falaram-me deste workshop no Porto de Kokedamas. Já conhecia as ditas plantas e admirava o engenho e arte ali existentes. Tive a sorte de ter umas amigas que também se interessam por botânica e fomos até ao Porto assistir a esta aula.

Este tipo de trabalho enquadra-se na perfeição na minha constante busca por coisas que acrescentam algo, que abrem outras janelas e fornecem outra compreensão da vida, ou mesmo que nos reaproximam da própria essência da vida. Mexer nos elementos como a terra e água é algo ancestral e inato ao ser humano. Vem de longe esta proximidade e nos remete às origens. Origens essas que nos distanciamos com a azáfama do dia-a-dia. Colocar as mãos na terra, brincar com as raízes, separar bolbos, mexer na água, regar as plantas é o tipo de exercício que nos ajuda a descomprimir, descontrair e nos leva ao encontro dos elementos vitais para a nossa existência. Direcciona para o que realmente é importante, para o mais elementar da nossa vida. Coloca em perspectiva a nossa existência. Atolados no acessório ou desnecessário por vezes inconscientemente e sem reflectir pois a vida como a vivemos não deixa muito espaço ao pensamento e nos tornamos cópias uns dos outros, autómatos de uma vida, quais ratos numa roda dentro de uma gaiola.

Neste workshop de Kokedamas aprendi efectivamente a fazer uma Kokedama. Conheci gente diferente desde a idade, nacionalidade, motivações ou mesmo ambições de vida. Levou-me á Terra não só aquela em que se mexe e planta e sujam-se as mãos de uma forma positiva e criativa mas sim por me levar à Terra como um todo imprescindível para a nossa harmonia interior e exterior. Terra essa que a usamos abusivamente e nunca a valorizamos.

Enquanto estive dedicada e interessada nesta experiência, aprendendo e desfrutando da aprendizagem, com os sentidos acordados e estimulados pelo prazer no que se estava a criar, revisitei a minha natureza e recentrei o meu eixo. Porque o nosso eixo é constantemente afectado e abalado.

Sinceramente não sei que motivações levam os Japoneses a criar Kokedamas ou Bonsais. Mas estou em crer que deve ser pela mesma razão que encontrei, o efeito terapêutico que daí advém. Um balsamo para o corpo e alma, uma fonte de energia positiva.

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Koke (musgo

dama (bola)

O workshop realizou-se no Hortus Conclusus- Porto. O professor excelente, o espaço fantástico. Recomendo vivamente.O Professor é Interessante, entendedor, culto e adora o que faz levando-nos atrás com tanto entusiasmo. Assim é facil aprender ...

https://www.facebook.com/Hortus-Conclusus-399142973898175/

24
Abr18

Guiné Bissau, 25 de Abril de 1974.


Beia Folques

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Nesse dia estava na 3ª classe numa escola pública em Bissau. 

O dia iniciou-se como qualquer outro dia, fui para a escola normalmente. No caminho não havia nenhum desassossego, confusão ou mesmo agitação. Nada que nos indicasse o pesadelo que se iria iniciar dentro de poucas horas.

Já estava na sala de aula quando pensei que a guerra tinha invadido Bissau. Começou com sons estranhos, vozes altas depois olhando pela janela via-se uma confusão de jipes a subir e descer aquela rua com negros que já não se encontravam fardados e aprumados, que empunhavam armas com um ar perfeitamente ensandecido. Aos gritos coléricos, com uma postura agressiva e intimidante.

O que até então tinha sido uma gente cordata, simpática e próxima transformaram-se em gente hostil, rebelde, alterada e ameaçadora. Foi tudo tão inesperado e assustador.

Nem sei quem me foi buscar á escola e depois deduzo que fiquei fechada em casa até embarcar. Suponho que tenha vindo para Portugal Continental poucos dias depois. Realmente a última memória que eu tenho da Guiné foram os tumultos na rua, as feições carregadas na cara daquelas gentes vistas da minha sala de aula, o desvario total.

O meu horror foi tanto que não quis ouvir falar de África durante pelo menos uma década.

Nem África nem Africanos.

Talvez o que mais me custou no cimo dos meus 8 anos foi pelo muito que eu tinha-me esforçado para aprender a viver e a amar aquela terra com tantas limitações e constrangimentos, a adaptar-me aquela realidade tão diferente de todas as outras que eu já tinha experienciado. Onde tinha assistido a tanto sofrimento por parte de toda a família em especial da minha Mãe e nunca termos desistido dela, termos superado todos os obstáculos e essa mesma terra tinha-se tornado no meu mais profundo inferno de um dia para o outro.

O 25 de Abril de 1974 foi o dia em que perdi a minha inocência em relação ao ser humano, assisti ao pior dele.

Essa foi a minha percepção dos acontecimentos nos meus fabulosos 8 anos da minha existência na Guiné no dia 25 de Abril de 1974.

O que para mim sempre foi um mistério foi ter trazido a minha boneca negrita de farta cabeleira em carapinha e nunca tê-la posto de lado. Era um dos meus bebés chorões preferidos.

Posteriormente vivendo em Oeiras as minhas amigas nunca perceberam porque é que eu gostava tanto de brincar com uma boneca de cor, quando tinha outros bonecos lindos loirinhos de olhos azuis, mais sofisticados e Europeus.

Passado tanto tempo, décadas, agora eu presumo que foi para manter a minha ligação com África neste caso em particular com a Guiné. Uma forma de não esquecer que tinha pertencido àquele Mundo. Mundo esse onde tinha vivido e aprendido tanto, tudo tinha valido a pena com aquela experiência até chegar esse dia.

A minha boneca foi a forma que arranjei para manter o fio fino e frágil da minha inocência e da minha fé no Homem cuja corrente tinha-se fragmentado dentro de mim naquele dia tão violento.

Cuidar dela foi a forma para não sucumbir a ódios, preconceitos, discriminações e mesmo rancores.

20
Abr18

Guiné Bissau, 24 de Abril de 1974.


Beia Folques

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O meu pai é Militar e a família acompanhava-o em todas as missões. Fiz Angola, Lamego, Tavira, Guiné. Eu posso dizer que tinha o serviço militar feito aos 8 anos de idade.

Nesse dia estava na 3ª classe numa escola pública em Bissau, no mais inóspito de África. Guiné é uma África muito particular.

O primeiro confronto com aquele país foi com o clima. O clima extremamente húmido e quente, depois as estradas em bruto, os abutres que havia por toda a cidade, o batuque constante vindos das sanzalas durante a noite, os morcegos que saiam da biblioteca municipal no lusco-fusco, por fim as casas dos oficiais que eram tristemente confortáveis. Lembro-me na altura o meu pai ter sido ferido em combate. O Governador da Guiné na altura que era o General Spinola ter se disposto imediatamente em ir visitá-lo lá a casa. Para o General Spinola não ficar incomodado com a parca mobília que a nossa casa tinha (casa essa disponibilizada pelo Exército) os nosso vizinhos do lado, o agora Gen. Almeida Bruno e o Cor. Matos Gomes cederam parte da mobília da casa deles para compor a nossa, para suavizar o ambiente.

Guiné é uma África extrema. Além da guerra se desenrolar de uma forma muito violenta. Para mim tudo era intenso. Lembro-me dos voos constantes de helicópteros a caminho do hospital transportando feridos da guerra. Lembro-me de ouvir rajadas de metralhadora à noite. Uma realidade estranha.

Mas tinha coisas bastante simpáticas e curiosas. Foi o lugar em Africa que vi mais diferenças tribais. Havia dezenas de etnias negras. A diferença entre eles era tão notória que se distinguiam visualmente. Os islamitas eram bastante altos e muito magros, havia outras etnias onde a constituição física destacava-se por serem bem entroncados e fortes, havia também mais pequenos e franzinos. A forma como trajavam era bem distinta de etna para etnia. Outra diferença que me impressionou era a forma como se expressavam artisticamente. Os Muçulmanos da Guiné trabalhavam o ouro ou a prata com um requinte e sofisticação invejável a qualquer Europeu. A cidade de Bafatá podia rivalizar com a de Gondomar pois os trabalhos eram quase filigrana. Porém havia outras tribos que o que usavam como acessórios, enfeites era feito de pedra, malaquite por exemplo e a inspiração vinha da protecção, funcionavam como amuletos, artefactos mais primitivos e toscos.

A escola, essa era igual a todas as escolas que já tinha frequentado só que aqui havia crianças de outras cores. Fiz a 2ª e parte da 3ª classe na Guiné Bissau. Ser branca e católica era minoria, 90% das crianças era nativa da Guiné. Facto que para mim não era problema e para os meus pais também não. Não havia problemas de integração, lá íamos com as batas brancas, não havia mochilas de marca, nem ténis sofisticados. Tudo feliz, tudo homogéneo embora fosse a verdadeira mixórdia cultural e religiosa. O único cunho de estarmos em território Português era o cantar o hino de manhã. Aprendia, estudava, brincava, não havia insultos, “bullyIng” ou agressões verbais ou físicas.

Fora da escola brincávamos com as outras crianças nativas ou não em casa, na rua. Lembro-me de ter uma amiga a Adriana, uma Guineense grande que andava na minha escola e vivia do outro lado da rua numa cubata. Nunca senti que se interessasse pelo nosso modo de vida ou estranhasse os nossos bens quando ia lá a casa. A única coisa que ela adorava era o frigorífico e só porque a minha mãe fazia uma espécie de gelados com sumos e aquilo ia para o frigorífico solidificar. O nosso relacionamento com o nativo era fácil e natural.

Não havia nenhuma espécie de extravagâncias nem requintes nas nossas vidas neste Ultramar. Antes pelo contrário, era tudo muito minimalista como se diz agora. Havia uma livraria que recebia o Asterix, quando chegava era a minha loucura, o verdadeiro luxo.

Havia um pobre cinema, que passava uns filmes dos anos 50. O momento de maior diversão que por lá havia era o bingo na messe de oficiais. Uma vez num jogo de bingo em que fiz o cartão completo escolhi como prenda uma boneca bem negrinha com uma carapinha generosa, estava encantada com a minha nova “filha”.

Quando me vêm falar de racismo e comportamentos xenófobos dos Portugueses revolto-me pois estive lá e vivi sempre o oposto. Tanto éramos próximos que uma das recompensas num jogo realizado numa messe de oficiais era uma boneca negra e ninguém se sentiu incomodado ou agredido por tal objecto, era naturalmente aceite.

O meu pai foi ferido gravemente, duas as minhas irmãs tiveram que regressar ao Continente e ir viver com os meus avós porque estavam sempre doentes na Guiné. A vida era exigente, sofrida e dura para os meus pais. Mas nunca foi parte da equação deixar o meu pai a viver a guerra sozinho.

Aprendi a amar aquele lugar feito de tantos contrastes. Com a natureza em efervescência constante, onde tínhamos que manter os 5 sentidos sempre despertos e alertas.

Tenho saudades das trovoadas fabulosas e estrondosas que por lá aconteciam, das chuvadas violentas que largavam da terra um cheiro único, tenho saudades das cores e do cheiro dos cajueiros, de toda aquela paisagem rude e agreste, dos pântanos e das ostras. Daquele pequeno mundo onde coexistiam gentes tão diferentes. 

Essa era a minha percepção nos meus fabulosos 8 anos da minha existência na Guiné no dia 24 de Abril de 1974.

 

 

 

 

 

18
Abr18

No Reino do porreiro pá - o caso das viagens.


Beia Folques

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Logo pela manhã oiço que a figura Ferro Rodrigues tomou as dores dos deputados que se afiambraram com o dinheiro que o Governo Regional dá aos ilhéus pelas viagens de avião. Isto é o Estado reembolsa despesas acima de 134 euros para os Açorianos e no caso Madeirense acima dos 86 euros, até ao limite de 400 euros por viagem.

Pois vejamos o próprio Estado adianta 500 euros por semana sendo num total de 2000 ou mesmo 2500 euros por mês, conforme os meses aos senhores deputados para gastos com viagens. Estranho é a possibilidade de que o dinheiro ser deles mesmo que não as façam e imaginem sem necessidade de apresentar comprovativo de voo. Esta escumalha ao ter os bilhetes apresenta para reembolso. A coisa nem era escandalosa se o reembolso fosse entregue posteriormente aos cofres do Estado pois os bilhetes efectivamente foram pagos pelo próprio Estado. Mas não esta cambada de alpinistas sociais e políticos sem moral, princípios de cidadania, total ausência de respeito pelo cidadão e sem escrúpulos acha que este dinheiro é deles legitimamente.

Portanto caro cidadão, você e eu andamos a financiar alegremente a esta gente. Os nossos deputados pedem reembolso para os próprios de um gasto cuja despesa foi paga pelo Estado, dinheiro de todos nós.

Questiono o Estado ao dar dinheiro para viagens e que o fim não seja esse mesmo. É impróprio, indevido e lamentável.

Questiono o Estado por não exigir a comprovativo de compra dos bilhetes.

O Estado não está a desempenhar o seu papel ao permitir que o dinheiro público seja esbanjado sem controle pelos deputados. O próprio Estado para os senhores deputados é uma porta escancarada para as manhas e artimanhas desta fauna. Tão exigente com o resto da população e tão permissivo com quem delega o poder e que deveriam ser o exemplo. Acordem, o dinheiro que utilizam é de todos nós é para ser aplicado na causa pública.

Acho que por bem da transparência e da credibilidade dos nossos deputados e figuras do Estado esta lei seja analisada e rectificada pois peca por desleixo. Não faz sentido nem é legítimo sair do tesouro público dinheiro para pagar viagens não realizadas. Num país pobre como o nosso é uma prática escandalosa simplesmente.

Em relação a estes tristes provincianos e pobres políticos não sejam desonestos e abstenham-se de pedir um dinheiro que não é vosso. A passagem foi paga pelo erário público e lamento eu contribuo e a mim custa-me a vida e também me dói ser roubada de todas as formas e feitios por vocês. Já estou a pagar viagens, mais viagens não realizadas e a vossa ganância ainda vos leva a pedir o reembolso de um dinheiro que sai do Estado mais uma vez, que é pertença da causa pública e eu mais uma vez contribui e o fim dos meus impostos não é os vossos bolsos sem fundo privados. Tenham vergonha.

O vosso defensor já se sabe que vergonha não o assiste.

Vivemos no Reino do porreiro pá mas aborrece-me o porreiro ser só para alguns e o pá paga o desgoverno.

18
Abr18

No Reino do porreiro pá.


Beia Folques

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Somos bombardeados por notícias com toda a sorte de má governação que reina neste país. Desde o escândalo do Hospital de S. João, listas de espera para especialidade com tempo médio aproximadamente de 3 anos em algumas regiões do país assim como exames como a mamografia e outros diagnósticos inexistentes também em alguns hospitais, escolas sem condições quer de infraestruturas ou falta de pessoal, má ou deficiente manutenção das linhas de comboio, supressões e atrasos de comboios ou mesmo no metro, a degradação da ponte sobre o Tejo, ambulâncias paradas por causa da cor (?), poluidores protegidos, temos a carga fiscal mais elevada desde 1995, etc, etc. Na maioria dos casos indicados resultado de não haver dinheiro embora a página da austeridade já tenha sido virada e agora vivemos tempos de alegre e franco crescimento económico garante o Ministro Centeno.

Pelo que observo não existe o mínimo respeito pelo cidadão comum, o eleitor o contribuinte. O dinheiro que pagamos em impostos directos ou não esfuma-se nos gabinetes da Assembleia da República. Não são geridos com o fim derradeiro da coisa pública. O erário público ou tesouro público não é gasto no bem público.

Ontem li esta afirmação do Ministro da Saúde “…  “boa saúde” do SNS depende de solidez das contas públicas” e pensei quando é que este milagre irá ocorrer, será certamente algo inesperado e inaudito as contas públicas sólidas. Era preciso termos políticos com outra formação, fibra e ambição. Não aquela cambada de ávidos, esfaimados de dinheiro fácil e de falso poder com que somos brindados. Coitado do Adalberto não me parece que vá ter na sua governação um SNS sadio e digno.

E mais uma vez repito ou escrevo que a culpa não é dos nossos políticos e sim de todos nós cidadãos que não nos conseguimos articular a favor dos nossos direitos básicos, a favor da clareza e da transparência das contas públicas, a questionar a justiça que temos. Não conseguimos criar movimentos de cidadania que pressionem os nossos governantes de forma a tomarem decisões a favor do dito povo e não a pensar nas clientelas, nas negociatas, nos seus bolsos e futuros empregos. Movimentos que exijam respostas a tantas questões que as respostas não são evidentes, que denunciem práticas ilegítimas ou obscuras no meio da governação. Todas as práticas desonestas e fraudulentas tomadas pelos nossos governantes saem demasiado caras às nossas finanças e acabamos todos por estar ainda mais sufocados com a maldita carga fiscal.

O que ainda mais me incomoda e entristece é que minam a capacidade de me orgulhar de ser Portuguesa, estes políticos e toda esta política envergonha-me é tudo tão à país de 3º Mundo que me choca.

Ninguém é responsabilizado pelo empobrecimento da população, pelas condições de vida, pelo esforço exigido ao nosso povo. Enfim ninguém é responsabilizado pela gestão criminosa e danosa deste país. Um país que sofre, sujeita-se e cala com uma classe de políticos que para eles está tudo porreiro pá.

Até quando?

04
Abr18

O mundo cor-de-rosa que ficou em tons de cinzento.


Beia Folques

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Fui consumidora fiel da Hola durante décadas. Comecei a seguir semanalmente esta revista quando a Princesa Carolina do Mónaco se casou em grande estilo com um tipo meio rufia enfim um playboy foleiro, Philippe Junot. Deixei de comprar a Hola após a morte da lady Diana. Ainda hoje folheei-o uma Hola mas não com aquele interesse e prazer com que a lia antigamente pois as Casas Reais já não são o que eram. As estrelas de cinema, os artistas e cantores já não têm aquele glamour e brilho de outros tempos.

A Hola era impecável nas suas abordagens das Casas Reais Mundiais em particular com a família Real Espanhola, eram tratados com o maior respeito e carinho. Portanto segui os romances todos do Príncipe agora Rei Filipe de Espanha. "Sofri" quando a Rainha Sofia boicotou o namoro do filho com  Isabel Sartorius. Menina de sangue azul pelo pai, tinha tido uma educação num colégio católico, curso universitário nos EUA em ciências politicas e falava 4 línguas porém não era o bastante para a Rainha pois tinha umas “nódoas”: os pais eram divorciados e a mãe consumia drogas.

O namoro não foi avante. O Príncipe teve outras namoradas não tão letradas mas igualmente bonitas e até mais sofisticadas na aparência.

Casou-se precisamente com a que tinha mais lacunas no perfil de Princesa que a Rainha pretendia para o filho. Divorciada com os pais divorciados, uma vida bastante animada. Um passado Republicano e agnóstico onde ainda consta que chegou a ser detida com o seu ex-marido por posse de haxixe no México, enfim uma verdadeira Princesa. Desta vez foi o Rei D. Juan Carlos quem tentou boicotar a relação segundo o que surge nos media, a Rainha nem por isso. A Rainha Sofia pelo que se lê sempre tentou uma relação harmoniosa com a plebeia Letizia, devia ser para expiar os seus pecados pelo que aconteceu com a Isabel Sartorius

Curiosamente hoje acordo com este vídeo onde Letizia destrata pubicamente a sogra na missa de Domingo de Páscoa. Pelos vistos Letizia embora vá á missa contínua agnóstica, pois não entende o fenómeno do amor, da compaixão ou da generosidade que é necessário para viver em família e o significado do Domingo de Páscoa.

Uma Rainha não é uma “peixeira”, uma Rainha tem que respeitar quem a precedeu. Uma Rainha representa um povo, pode não ser todo o povo de Espanha que se identifique com a Monarquia mas se ainda existe uma família Real em Espanha é porque grande parte os respeitam. É um péssimo exemplo esta atitude grosseira, arrogante e rude da parte da actual Rainha para as filhas, assim como para a Sociedade em geral.

Sofia apesar de tudo foi uma Rainha irrepreensível, um exemplo de simplicidade, discrição e educação. Colocou sempre a família e Espanha em primeiro lugar, merecia outro trato da parte da nora. Esta cena foi só humilhante e ultrajante para Sofia mas acima de tudo para toda a Monarquia Espanhola.

Quando Espanha vive tempos de convulsões e o Rei deveria ser figura sólida e de consensos encontra-se a gerir uma crise familiar. Porque a egocêntrica da mulher não quer que a avó tire fotos com as netas. Um país com fracturas e uma família Real desavinda. Realmente a ocasião quer em tempo Litúrgico ou em tempo politico não podia ser mais despropositada para a birra da Rainha Letizia. O sentido de figura de Estado da Rainha Letizia é nulo deixando o actual Rei exposto e fragilizado perante todos.

Está visto que o verniz que disfarçava a falta de polimento estalou todo.

Letizia embora use sapato Stiletto o chinelo nunca saiu do seu pézinho. Por mais plástica que faça o seu lado pior é mesmo o interior e esse não existe cirurgião plástico que consiga melhorar.

Nem as 4786 amantes que o emérito Rei D. Juan Carlos teve durante a sua vida, a caça ao elefante pelo que foi tão criticado. Nem as negociatas do marido da princesa Cristina deixam a Casa Real Espanhola tão mal vista como esta má educação, má vontade e maus modos à saída da Igreja.

Felizes devem estar quem não gosta da Monarquia Espanhola pois após esta barracada pode ser que esta tenha os dias contados.

Este tipo de episódios ou acontecimentos não dignificam nem enobrecem ninguém muito menos a Monarquia.

Video, uma tensão bem Real em Palma de Maiorca 

 

27
Mar18

Bairros de lata


Beia Folques

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O mês de Março foi rico em notícias espectaculares e alarmantes do ramo imobiliário. Desde abrirem em Portugal por dia uma média de 4 agências imobiliárias. Em Lisboa alugar uma casa é só duas vezes mais elevado o preço em média do que outro local do país ou ainda a maioria dos jovens em Portugal não consegue arrendar ou comprar casa devido aos empregos precários e a um mercado de habitação com preços muito elevados.

Enfim o Direito Humano a uma habitação condigna em Portugal está difícil de garantir com esta nova dinâmica de mercados.

Já não bastava a especulação louca que vai dentro de Lisboa ou do Porto agora estendeu-se para zonas limítrofes das grandes cidades. Temos o caso da Costa da Caparica e Loures, certamente isto não irá ficar só por aqui.

A venda desenfreada e a saldos do nosso grande património a estrangeiros. As leis feitas sem olhar á realidade de um povo pobre e envelhecido, com empregos precários ou pensões de quase sobrevivência e sem protecção deu neste circo.

Na Costa da Caparica um fundo imobiliário estrangeiro comprou uma empresa seguradora que detinha 28 casas de piso térreo onde habitam cerca de 100 pessoas, 20 famílias, muitas delas a viver aqui há mais de 40 anos, agora querem a sua propriedade o que implica desalojar esta gente. Maioritariamente gente de idade que para complementar a parca reforma ainda trabalham em algum biscate. É ler esta notícia- Costa da Caparica e ver o Portugal que esquecemos, sem qualquer tipo de apoio que existe aqui dentro, paredes meias com a nossa vida. Em Loures uma história semelhante, a Fidelidade que agora é Chinesa quer despejar mais de 158 famílias, cerca de 400 pessoas em 3 blocos de apartamentos que pertencem a esta seguradora. Aqui estou a falar de situações com um número elevado de famílias, pois também existem pequenos prédios em Lisboa ou no Porto onde os inquilinos estão com ordem de saída devido a toda esta especulação. Tudo legal, tudo dentro da lei.

A minha questão é se nós assinamos a carta dos Direitos Humanos, se nós temos como um direito a habitação, como é que no actual panorama imobiliário o conseguimos garantir ao mais comum do cidadão. Será que existe na nossa malha de habitação social capacidade para dar resposta a toda esta gente? Ou o governo tem um plano b para alojar estes casos e outros que certamente vão aparecer à conta da bolha do imobiliário.

Temos três problemas: o mundo do imobiliário, o universo do trabalho e o desamparo ou mesmo abandono da nossa 3ª idade. Talvez o apoio da Santa Casa da Misericórdia fizesse mais sentido aos idosos do que ao Montepio. Também ajudava muito deixarmos de ser o reino do precário, a nova India dos call centers e passar a querer o sustentável e digno com um ordenado condigno e talvez assim embora com sérias ressalvas se consiga dinheiro para alugar algo minimamente decente numa zona aceitável.

 

O ordenado médio em Portugal é cerca de 924 euros mensais (dados de 2016), o valor que se deve destinar para habitação é cerca de 33% do ordenado então precisamos de imóveis com valores de aluguer na casa dos 300 euros. Sabem, acho que nem um quarto em Lisboa se consegue por esse valor, mesmo na mais longínqua periferia não devem existir apartamentos a alugar por essa quantia. Só me ocorre em algum “bairro da lata”,  e agora estou em crer que voltaram em força. Qual América latina entre os condomínios e as favelas.

Sabem Portugal é maravilhoso, hospitaleiro, cool, amável etc e etc para todo o Mundo menos para quem cá vive a tentar levar uma vida digna.

16
Mar18

The Office, isto é, o escritório.


Beia Folques

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Ontem revi alguns episódios da série The office. Série Britânica com aquele sentido de humor acutilante, pertinente, exagerado e único.

Esta série funciona como um manual de sobrevivência num escritório.

No escritório convém fingir que não estamos 100% vivos. Não questiona, não incomoda, não pensa, não mexe, não fala, não respira, não existe, limita-te a teclar no computador. Olha para a frente, não acordes ninguém.

O chefe entra e finge que estás ralado e preocupado com qualquer coisa, a verdade é que fingir é uma apetência ou mesmo uma arte necessária para trabalhar numa área inclusivamente que não a artística. Finge mais um pouco agora que estás a ajudar um colega, agora questiona um colega sobre alguma coisa de preferência alguma que ele não faça ideia do que falas e podes inclusivamente também não teres ideia do que estás a falar, tens é que fazer um ar entendido, assim garantidamente ele acha que tu dominas uma treta qualquer. Agora finge porque sim e tens um mail urgente, faz reenvio do mail e se possível inclui a Rainha de Inglaterra ou até o Papa. Agora descreve aquela reunião como algo só para sumidades e tu eras o único entendido e iluminado do grupo. E abre páginas nas aplicações de preferência naquelas mais intricadas, enche o ecran de gráficos e esquemas e documentos e cenas estranhas. Se o telefone toca faz aquele ar de enfado mas de muita preocupação e de que ninguém passa sem o teu trabalho, de que és imprescindível, atenção atende somente se o chefe estiver por perto senão lá vai ter que ir para o voice-mail. Ao ver esta cena lembrei-me de um director que tive em tempos idos que disse numa reunião de departamento os cemitérios estão cheios de imprescindíveis.

Quando o chefe está na sala o "escritório" acorda. Ri, bajula um bocadinho, adula a figura, interessa-se pela família da personagem, e pergunta-lhe tudo desde o trisavô até ao ratinho da India não esquecendo do Bonsai se está mais viçoso, passam automaticamente a pertencer ao seu clube de futebol. Fala de trabalho, assim tipo cheio de “estresses”, e preocupações, cenas e coisas várias e de dificuldade extrema, o grupo ri mais um pouco de toda e qualquer banalidade que se diga. Enfim a vida dele é tramada o departamento é complicado, a equipa é uma treta só lhe dá desgostos. Não sabem cumprir objectivos, olha bem uma cambada de inúteis, meu Deus se não fosse ele, ainda tem mais um ou dois que possa confiar agora o resto… E o trabalho nem falar de uma responsabilidade desmesurada, coitado, uma vítima.

A verdade é que se a Nasa o descobre está aqui está a trabalhar no Cabo Canaveral. Se o Wall Street desconfia da sua genialidade estará já hoje num jacto privado com destino a NY.

Grande Ricky Gervais, excelente desempenho.

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The office tem tudo o que se pede a um trabalhador motivado e proactivo.

O dia está feito de nada e coisa nenhuma. A excelência no local de trabalho.

 

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