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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

12
Out18

É sexista ou será só parvo?


Beia Folques

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Tive formações em ambiente de trabalho toda a minha vida profissional. Recentemente tive mais uma. Trabalhei sempre em departamentos onde existiam mais homens que mulheres, acho que a maioria das vezes era a única mulher. Nem sempre foi fácil ou simpático mas fui gerindo essas limitações da melhor forma que sabia. Nunca recorri aos recursos humanos quando me senti mais “agredida” como profissional. Até ter tido esta formação onde ponderei seriamente em fazer uma queixa. Toda a situação simplesmente não é admissível, passo a explicar:

- mais uma vez era a única mulher no meio de homens, mas nada que não esteja habituada. O “formador” para demonstrar casos práticos foi pedindo a cada um dos participantes para fazer um exercício com a sua supervisão. Eis que chegou a minha vez. Qual é o meu espanto quando sou tratada como se fosse acéfala, os passos que tinha que fazer foram descritos e explicados como se eu fosse uma criança de 4 anos. Informação que já tinha sido dada anteriormente e que eu já tinha apreendido, pois se estou numa formação mesmo que contrariada ou o assunto seja o mais desinteressante possível esforço-me para aprender e tirar o maior proveito da mesma. A matéria de complexo não tinha nada o que ainda me deixou mais irritada, era do mais básico possível. Senti-me francamente chocada com a diferença de atitude que teve comigo comparando com os meus colegas mesmo aqueles que se poderiam equiparar ao meu grau de conhecimento naquela matéria.

Entre outros “mimos” no trato com a minha pessoa ainda teve a imbecilidade de responder a uma questão que coloquei quando estava o dito "formador" a fazer uma demostração com um colega que eles eram só homens e não eram “multi task” como as mulheres, o que num ambiente de café até aceitaria e poderia brincar mas ali não era o local para chalaças ou idiotices. Mais uma vez incorreu num erro grave e elementar nas relações de trabalho.

Não admito comportamentos paternais ou condescendentes no local de trabalho. Não quero nem preciso de proteccionismo ou de alguma espécie de tratamento diferenciado, só peço respeito e igualdade de oportunidades e de comportamento.

Tratar um colega de forma diferente é só uma forma de o discriminar e segregar pois está-se a remeter para outra esfera que não a do grupo. Ocorreu-me a realidade das castas, aqui existia a dos homens um nível superior e depois as mulheres que o “formador” no seu entender têm problemas de aprendizagem.

Hoje em dia que se discute até ao desvario estas questões relativas ao sexismo ou discriminação do gênero, observo que o preconceito está mais latente do que nunca na nossa sociedade. Há 20 anos atrás não era tão visível, era mais homogéneo e correcto o tratamento.

Sinto-me incomodada por mim mas só de pensar nas minhas filhas e tantas outras mulheres que têm que viver com estes trogloditas escrevo este texto. Hoje não estou para ficar calada.

Assusta-me o facto de este assunto ser da ordem do dia, na nossa função como educadores, das agendas de todas as escolas e de tantos Ministérios, da comunicação social, etc e o que deduzo é que quanto mais se discute talvez mais ruido se coloca ou diminui-lhe a importância e a mentalidade sexista ou o preconceito não é ultrapassado muito menos vencido. Estamos a viver um retrocesso civilizacional nesta área, o que irá agravar os desequilíbrios e as diferenças em todos os aspectos entre sexos tornando toda a Sociedade mais frágil e pobre.

A minha imensa questão é se esta gente com este tipo de comportamentos tem consciência do mesmo. São sexistas ou só e simplesmente parvos?

09
Out18

As noticias.


Beia Folques

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Cheguei a um ponto de saturação das notícias, dos acontecimentos que assolam este planeta e em particular este país. São tantos casos denunciados ou discutidos, tão variados, tão graves e provocadores e aparecem todos misturados com o que existe do mais desnecessário e supérfluo que torna a nossa missão de cidadão activo e participante do mundo quase impossível. Demasiadas frentes.

Sinto-me exaurida desta sobrecarga informativa ou desinformativa de que somos vitimas. As notícias até as mais desinteressantes são divulgadas com violência, de uma forma exagerada e extremada. Constantemente somos chamados a ter uma opinião, a tomar uma decisão, a aceitar ou rejeitar um acontecimento, sem termos todos os dados, sem ter tempo para reflectir. Se nos alheamos é como se nos demitíssemos do nosso papel como cidadão, porém se nos queremos manter informados entramos numa bola de neve descontrolada. Temos que filtrar tudo o que nos chega, pois a maioria da informação chega manipulada ou adulterada.

Culpo os governantes pelo desassossego em que vivemos. Eles são os maiores geradores de turbulência social. Se fossem honestos, se trabalhassem em prol de um país, se cumprissem o que prometeram não haveria um mundo tão desigual onde nasce todo o tipo de mal da nossa sociedade, onde germina toda a espécie de ervas daninhas.

Hoje estamos a discutir até ao limite a viragem política no Brasil um país onde o caos, insegurança e a miséria são obras de má governação, a Venezuela que nem me apetece emitir comentários de tão aberrante a sua situação calamitosa. Por cá ministro da defesa indefensável, o nojo dos jogos da nossa justiça, um país onde só existe litoral, o eterno fogo, onde os transportes públicos falham sistematicamente e existe tanto mais para nos tirar do sério só ouvindo o jornal da noite. Vivemos tempos irresponsáveis, fracturantes e perigosos nos 4 cantos do mundo.

Já não bastando o estado de corrupção e ineficácia assim como total desprezo dos políticos à realidade do país ou mesmo ao mundo em que vivemos. Temos uma comunicação social ávida de nada onde nos mesmos sítios onde se discute os dramas do CR7, as tricas mais bestiais de algum apresentador de tv, o futebol dentro e fora de campo, o género ou sem género, a toilette da Melania Trump e qualquer outra cretinice ou inutilidade discute-se também as alterações climáticas ou o brexit, diria que tudo isto com o mesmo grau de importância ou de gravidade.

Interrogo-me se esta insanidade, profusão e descontrolo informativo não serão para intencionalmente nos distrair e afastar do que está a acontecer de importante ao nosso redor. De propósito, para nos vencer pelo cansaço. É esgotante estar sempre alerta, procurar a verdade das notícias, tentar ver o mundo de uma forma lúcida, separar o que verdadeiramente interessa da amálgama de informação que nos é disponibilizada. E assim a pouca voz que o cidadão tem desaparece por completo no meio de tanta desinformação mascarada de informação, estamos atolados em lixo.

01
Ago18

Prendas que são verdadeiros "penicos".


Beia Folques

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Adoro um presente, acho que eu e talvez 95% da população mundial. Adoro aqueles que me surpreendem, que fico com cara de Uauhh!!.

O incrível é que um presente para ser fantástico não tem de ser propriamente de valor elevado.

Isto a propósito de um presente que não era para mim mas sinto-o como meu. Guardo como se fosse uma peça única de cristal delicadíssimo.

Os meus filhos na semana passada ao mexerem nuns caixotes que estão guardados desde a última vez que mudei de casa perguntaram-me porque raio eu tinha guardado um penico de plástico verde alface bem fluorescente. Se aquilo não devia ir para o lixo. Arrepiei-me toda.

Tal como a música da Ágata no seu refrão:

Podes ficar com as jóias, o carro e a casa

Mas não fiques com ele.

E até as contas do banco, e a casa de campo,

Mas não fiques com ele.

 

O meu “ele” é o dito penico.

A história do penico para mim é de uma ternura, de ajuda e generosidade, de amor que me toca profundamente.

O penico foi comprado por um dos meus filhos para oferecer á irmã mais pequena, não sei precisar se foi quando ela fez 1 ano. O meu filho teria uns 12 anos. Ele queria uma prenda para a irmã e não me pediu dinheiro, o dinheiro que ele tinha era dos trocos que lhe dávamos para um bolo na escola ou algum extra. O conceito de mealheiro nunca funcionou com este meu filho. Quando tinha dinheiro a mais era logo para algum jogo para o computador ou a Nitendo, Game boy ou algo do género.

Foi à Pré-Natal porque sabia que eu gostava dos produtos dessa loja. Andou à procura de alguma coisa que achasse útil ou engraçada para a mana mas com o dinheiro que tinha estava difícil a compra. Até que uma empregada da loja foi ter com ele para o ajudar. O meu filho explicou que gostava do penico, era giro e a mana iria precisar de um. Ao ver o dinheiro que tinha a empregada viu o problema. Então perguntou-lhe se a mãe tinha cartão da loja, como por vezes me acompanhava nas compras sabia que sim e disse o meu nome. Então a simpática e generosa funcionária ajudou-o com os pontos que eu tinha no cartão e assim o meu menino comprou o dito penico.

Faltaram uns 3 euros e ela não lhe disse nada. Um dia que fui á loja a funcionária identificou-me e contou-me a história.

Agradeci-lhe do fundo do coração e paguei o que devia que não era nada mesmo comparado pela alegria que ela me tinha dado pois conseguiu que o meu filhote se sentisse realizado e feliz e eu, bem não há preço quando se vê um miúdo chegar a casa radiante com um saco grande onde vinha um embrulho de alguma dimensão contendo uma prenda para a irmã bebé. Uma prenda que no mínimo era inesperada.

É irónico como um penico pode demonstrar sentimentos tão nobres. A ajuda entre os Homens na sua forma mais pura, desinteressada e genuína, a generosidade, a bondade, o carinho e o amor de um irmão.

Talvez o maior presente sejam sempre as pessoas, com o melhor que elas albergam e assim nos surpreendem. Neste caso a senhora que trabalhava na Pré-Natal, que foi um anjo para o meu filho e o meu filho que me encantou completamente com a surpresa para a irmã.

O valor das coisas está em nós como as sentimos e não no objecto propriamente dito. Por isso é que existem “penicos” que valem ouro.

 

24
Jul18

Desabafos.


Beia Folques

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Na minha busca incessante para encontrar o sentido ou a total ausência de sentido da vida encontrei algo que acho curioso que é o peso e a importância das palavras. Isto resultado das minhas poucas aulas de Yoga. A vantagem da Yoga é que nos trás proveitos físicos e abre uma porta para todo um mundo que devido à nossa vida mais ou menos turbulenta não nos debruçamos, o nosso cérebro e como ele nos domina.

A palavra pode ditar os nossos actos, por vezes indirectamente. Ao oralizar ou verbalizar mesmo que seja mentalmente uma palavra estamos a desencadear no nosso cérebro um conjunto de respostas ou acções de acordo com essa palavra.

Enfim essa foi a minha “discussão” ontem com uma amiga. Ela disse que estava “farta” de tudo que está a viver neste momento, efectivamente não se pode dizer que a vida dela no último ano tenha sido um mar de rosas, problemas de saúde vários e muito desagradáveis. Mas bolas está viva, a recuperar com amigos e família, com acesso a uma boa rede de profissionais, economicamente estável. Deve estar grata à vida e ao que a rodeia apesar de tudo, o saldo da balança é bem positivo. Em momentos de prova não está só, criou um conjunto de amigos sinceros e tem familiares que a apoiam. Tem mais do que talvez ¾ da população mundial: casa, comida, segurança. Além de ter todas as suas faculdades activas e tem dons que a maioria de nós não os têm como pintar ou escrever, apesar dos seus infortúnios recentes tem que estar grata à vida.

A palavra farta tem que ser substituída por grata ou agradecida, é urgente.

Logo pela manhã vinha a rabujar sozinha porque o sol anda preguiçoso, detesto casacos no Verão e adoro calor a estalar, um Verão a sério. Vinha no carro a ouvir as notícias e oiço os fogos na Grécia, lembrei-me da desgraça do ano passado, acho que ficámos todos irremediavelmente traumatizados com os incêndios no nosso país e pensei nas minhas lamentações matinais. Tenho mais que estar grata e feliz com este Verão bem ameno porque Verões escaldantes podem trazer resultados angustiantes, temos bem presente tempos desses.

Quando foi do debate sobre a eutanásia falou-se do caso mediático do cientista Australiano com 104 anos que considerava que a sua vida já não merecia ser vivida. Houve um amigo meu que me disse nessa ocasião que o Australiano deveria estar grato por estar vivo e poder ver o pôr-do-sol ao fim do dia. Estar grato nem que seja por ver a beleza infinita deste planeta que se repete diariamente, incansavelmente. Morreu a ouvir Hino à Alegria, da 9ª sinfonia de Beethoven e rodeado da família, questiono-me se não teria sido mais enriquecedor ter vivido mais algum tempo podendo desfrutar do amor e paz da família e ouvir o milagre fascinante que é a música. Este homem tinha tudo para estar grato e estava profundamente farto, exausto mesmo. Talvez porque tenha interiorizado sistematicamente a palavra cansado, farto, esgotado, desmoralizado…

É o núcleo familiar que exige esforço, trabalho, disponibilidade, compreensão e podemos estar fartos deste peso, dessa avalanche de exigências diárias. O sentimento é grato por existirem, preencherem a nossa vida, dar uma razão para seguir em frente sempre, sem eles a vida teria menos sentido, a bênção e paz que é esquecermo-nos de nós e poder focar em alguém dando amor incondicional, ter alguém para dar um beijo de boa noite ou mesmo um abraço para reconfortar ou mesmo mimar.

É o resto da família que basicamente está entretida em ver os teus deslizes, ou atropelos para poder apontar ou alvitrar inquisitivamente os teus insucessos. Mas basicamente é essa a sua função talvez por nos conhecerem desde sempre acham que podem-nos julgar facilmente devido à proximidade. E temos que estar gratos nem que seja por existirem e seguirem a nossa vida com tanto escrutínio, interesse e o tal dito afecto familiar.

É a selecção de gente ruim, mesquinha, desagradável ou amargurada que a vida nos coloca de vez em quando de forma a termos a perfeita consciência de não tornarmo-nos assim. Temos que estar gratos por cruzarmo-nos com eles para seguir sempre no caminho oposto a estes sentimentos.

É todo o nosso querido passado que correu menos bem em alguns aspectos e temos que estar gratos pelo que de pior aconteceu e assim aprendemos com os erros e ganhámos confiança e segurança em nós para enfrentar os desafios do presente com garra e ilusão e entusiamo para o futuro.

É o cão que larga pêlo, ladra ou lambe toda a gente e só faz confusão em casa, mas em vez de se enervar com o bichinho e dizer que está farto a postura é estar grato nem que seja quando chega a casa está lá o fofinho a saltar com o rabinho a abanar só de o ver. Chegar a casa e presenciar a alegria do animal dá uma satisfação imensa.

É as plantas de que tanto gostas mas estás farto de regar com cuidado. Mas quando florescem vez o teu trabalho recompensado, temos mais de estar agradecidos por ajudar a que este processo aconteça e dê flor. Gratos por fazer acontecer este pequeno milagre da natureza.

É tantas coisas que fazem parte na nossa vida e dizemos que estamos fartos, talvez porque não paramos para pensar que estão lá porque são a nossa rotina e ajudam a um certo equilíbrio. Ou mesmo aqueles acontecimentos que atravessam a nossa vida e ficamos logo saturados e eriçados e talvez ocorram para sabermos estimar o que existe de bom no nosso quotidiano e estarmos gratos pela vida que temos.

E assim sucessivamente…

Dizemos a palavra obrigada com alguma despreocupação, por vezes mesmo com desinteresse ou leviandade, quase automaticamente. Não lhe fazemos a devida reverência pois ela encerra um conjunto de sentimentos que nos enriquecem a gratidão por algo; o reconhecimento do esforço alheio; o interesse, o cuidado ou mesmo o amor que sentimos do outro por nós; a gentileza, a dedicação ou preocupação de alguém por um conhecido ou mesmo desconhecido.

Temos que dizer obrigada, sou grata mais vezes, do fundo do coração. Ter sempre presente o que estas palavras contém e repetir como um mantra, uma oração. Incessantemente para o nosso foco ser sempre: o amor e não o ódio, o que é bom e não o mau, o que nos dá paz e tranquilidade e não a agitação e turbulência, valorizar o “pão-nosso de cada dia” como algo único e inestimável, reconhecer o nosso nada perante o universo, apreciar tudo o que a mundo nos dá com os sentidos despertos.

Se interiorizarmos a gratidão certamente iremos desfrutar mais a vida. E o nosso obrigada, sou grata será dito não de forma automática mas sim consciente com todo o significado e sentimento que encerra.

Vamos dar ordem ao nosso cérebro para todos os nossos actos ou discursos sejam demonstração de gratidão perante: os outros, a natureza, a vida, o universo, Deus, o que seja. Temos muito mais para agradecer do que para sermos ingratos ou ressentidos. O retorno que esta constatação nos proporciona dá paz e serenidade, saúde física e mental.

 

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26
Jun18

Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré.


Beia Folques

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Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. Ressalvo que este texto não tem nada a ver com futebol. Só que é um excelente provérbio e lembrei-me dele de tanto cruzar com gente que sonha em um dia ser jacaré.

Somos forçados a viver com este tipo de gente. Pessoas sem estrutura, hombridade, seriedade e princípios.

Gente que nasceu ou cresceu, desenvolveu-se num limbo, no meio de um lamaçal. Viveram sempre em terreno estéril. Nunca souberam a importância do reconhecimento do outro, da rede entre todos, o que são raízes, o ter raízes, o criar raízes. Quer essas sejam na família, na sociedade, grupo de amigos ou mesmo em termos profissionais. Gente que não tem a mínima noção e desvaloriza o outro ser humano, que vive com as premissas erradas.

 A palavra humano é desconhecida no seu parco mundo linguístico, diria mesmo misteriosa para essa gente. Qualquer portador de Asperger identifica, tem mais empatia com o outro que estes elementos.

Gente que faz literalmente tudo para se impor, para se colocar em bicos de pés e dizer aqui estou eu, querem ganhar visibilidade a todo o custo. Gente que na presença de alguém superior, com mais poder ou influência se humilha, se coloca de quatro, qual serviçal perante o amo. Acho que noutros tempos foram muito úteis como capatazes, tem o perfil certo para terem voz e autoridade perante os fracos, precários e desprotegidos.

Para fazer vingar o seu plano, por vezes só um triste e mísero plano, pois os sonhos e ambições efectivamente grandes e de relevo não os têm, destroem tudo o que seja válido. Pois esses podem por a nu a sua ganância ou mesmo incompetência, os seus esquemas obscuros e planos de bastidores. Essa gente nunca é clara nem óbvia é cínica e hipócrita, levamos algum tempo a decifrá-los.

O que assisto é a forma como levam a vida a desconsiderar, despromover ou desacreditar os outros. Manipulam a informação, boicotam qualquer esforço de melhoria, dividem para "reinar", empolam ou subestimam situações para “explicarem” os seus objectivos.

Qual réptil que tem várias peles e as vai usando de acordo com os diversos interlocutores. Vão mudando o discurso, adaptando sistematicamente a postura dependendo com quem estão a lidar e o grau de influência que querem ter nessa pessoa. Não têm só uma palavra, não têm só uma lógica, não têm só uma pele. Têm várias, várias verdades universais, muitas máscaras. E quando confrontados e sabem que já não vale a pena reencarnar mais nenhuma personagem pois o pano foi aberto e o palco está à vista, dependendo do contexto a resposta será eu não queria mas, eu não faço, eu não tive a culpa, não fui eu, pensei que era melhor assim, foi por bem, por vezes um deprimente eu é que mando como se isso fosse explicação para qualquer tipo de acção.

O que essas pessoas se esquecem é que os outros não são como eles e corre sangue quente nas veias, e que a vida dá muitas voltas. Os outros têm uma visão superior da vida, tem outras razões para a viver, objectivos reais e verdadeiros para lutar. A maldade ou a perversa existência deles para os restantes é vista como algo desnecessário mesmo fútil e mesquinho. São mesmo escusados.

A vida faz-se de alianças sinceras, de interajuda, de consensos simples e leais com base em relações honestas e transparentes e esta é a verdade para tudo que envolve a nossa existência: família, na sociedade, grupo de amigos ou mesmo em termos profissionais.

A esta espécie de pessoas lembro que quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. Não me lembro de um ser deprimentemente maquiavélico não ser descoberto, de alguém que sofra de uma condição patológica do poder não acabar a ser tratado como um desequilibrado ou mesmo de um serviçal, invertebrado, prepotente e arrogante capataz chegar a dono da Herdade. E também quem semeia ventos colhe tempestades. Bem este último provérbio fica para um próximo texto. 

O que eu queria mesmo era viver num mundo onde o Ser fosse mais importante do que o ter, e infelizmente esse ter para que tanto se batem e a tanto custo ser mesmo tão nanico, tão pouco e tão efémero.

23
Mai18

Kokedama- Desde a rede de galinheiro a uma planta decorativa.


Beia Folques

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Para realizar uma Kokedama precisamos de:

Rede galinheiro, musgo, terra, substrato, areia, muda de planta, fio de costurar grosso verde, argola de ferro, arame.

Aqui fica o meu resumo passo-a-passo.

IMG_20180523_115955_resized_20180523_120010864.jpg    1. Retira-se a muda da planta do vaso e separam-se os pés com as raízes.

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    2. Corta-se um quadrado de rede de galinheiro e é a partir dessa rede que se cria o vaso. Dá-se a forma de ninho, unindo os cantos com o próprio arame para arrematar o ninho que se criou. Por fim com um fio metálico interliga-se toda a borda superior para a estrutura ficar unida. Se quiser ter a planta suspensa é agora que coloca a argola directamente no topo deste vaso de arame. 

IMG_20180523_103028_resized_20180523_103042756.jpg    3. Forra-se o interior desta estrutura com musgo. O fundo e as paredes laterais.

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    4. Coloca-se no interior do ninho uma mistura com o seguinte preparado: areia, substrato e terra. Fazendo uma cama para colocar a planta.

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      5. Introduz-se a raiz da planta dentro deste vaso e preenche-se com mais terra para ficar perfeitamente plantada.

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     6. Agora vamos forrar exteriormente este vaso com musgo. Pega-se em “mantas” de musgo e vai-se rodeando a estrutura com ele. Com a linha de costurar ata-se o musgo ao vaso. Neste processo com as nossas mãos vamos moldando o trabalho, dando forma ao nosso vaso e elaborando a forma esférica. Temos que colocar várias camadas de musgo até obter o efeito pretendido por nós.

IMG_20180523_121153.jpg    7. Quando o nosso trabalho tiver o formato que queremos, mergulhamos a planta numa bacia com água. Retira-se da água e apertamos muito bem para a forma ficar bem definida e sair o excesso de água.

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    8. Temos a nossa obra de arte finalizada.

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Após assistir a este Workshop tudo parece bem mais simples. A vantagem de ter feito esta formação é perceber a técnica subjacente a esta arte, quais as plantas que se adequam a este trabalho, o tipo de “solo” a usar conforme a planta que se escolhe e mais mil e um pormenores que só se despertam ouvindo e interagindo com quem entende sobre esta matéria. É uma experiencia que só nos enriquece e embeleza a vida.

No Hortus Conclusus haverá novo Workshop de Kokedamas dia 9 de Junho. É no Porto, mas ir ao Porto é sempre um grande prazer. Então com este motivo de jardinagem fica um passeio irresistível.

https://www.facebook.com/Hortus-Conclusus-399142973898175/

 

A minha aposta agora é fazer Kokedamas com orquídeas. Adoro essa flor tão exótica e frágil. É o tipo de planta que de certeza se adequa a realizar uma Kokedama fabulosa. A manutenção de uma Kokedama é relativamente simples, é gerir a quantidade de água a borrifar para ela estar sempre verde e viçosa.

Agora mãos na massa ou mesmo na terra.

21
Mai18

A insustentável beleza das Kokedamas.


Beia Folques

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Kokedamas é uma técnica Japonesa onde se cria uma estrutura esférica forrada a musgo com uma planta. Sendo essa uma arte Japonesa a execução de uma Kokedama pauta-se pela paciência, a técnica, a organização em todo o processo. O resultado final é uma planta ornamental cujo vaso é a sua raiz envolta numa base de musgo.  O efeito visual é de uma simplicidade extrema mas com traços de uma sofisticação discreta só possível vindas de Oriente onde a arte de tratar plantas é algo que cultivam e desenvolvem há milhares de anos. Onde o minimalismo é imperativo.

Uma Kokedama acrescenta ao espaço onde a colocas um toque de beleza, arte, evasão. Remete-nos para locais de contemplação e meditação, para paz e harmonia.

A Kokedama pode ser apresentada em cima de uma base mas para o seu efeito ser mais potenciado é preferível que a suspenda, como uma planta aérea. Suspensa evidencia a sua graça e leveza.

Ando sempre à procura de coisas que me ajudem a ausentar-me da rotina. Não que a rotina por si seja algo errado ou mau, é necessária mas temos que a quebrar para nos reorganizar e reequilibrar, não sermos engolidos por ela. Tenho que me abstrair por momentos do meu eu como mãe, mulher, funcionária de uma empresa, dona de casa, irmã, filha, e mais mil e uma coisas que constituem a minha vida. Isto é de tudo que exija de mim atenção, responsabilidade, respostas, tempo, preocupação, desgaste, trabalho. Porque a rotina envolve todos estes sentimentos, estados de espirito em grande escala, numa exponencial. Para me revitalizar preciso de instantes ou mesmo de um curto período de tempo com total ausência do quotidiano.

Falaram-me deste workshop no Porto de Kokedamas. Já conhecia as ditas plantas e admirava o engenho e arte ali existentes. Tive a sorte de ter umas amigas que também se interessam por botânica e fomos até ao Porto assistir a esta aula.

Este tipo de trabalho enquadra-se na perfeição na minha constante busca por coisas que acrescentam algo, que abrem outras janelas e fornecem outra compreensão da vida, ou mesmo que nos reaproximam da própria essência da vida. Mexer nos elementos como a terra e água é algo ancestral e inato ao ser humano. Vem de longe esta proximidade e nos remete às origens. Origens essas que nos distanciamos com a azáfama do dia-a-dia. Colocar as mãos na terra, brincar com as raízes, separar bolbos, mexer na água, regar as plantas é o tipo de exercício que nos ajuda a descomprimir, descontrair e nos leva ao encontro dos elementos vitais para a nossa existência. Direcciona para o que realmente é importante, para o mais elementar da nossa vida. Coloca em perspectiva a nossa existência. Atolados no acessório ou desnecessário por vezes inconscientemente e sem reflectir pois a vida como a vivemos não deixa muito espaço ao pensamento e nos tornamos cópias uns dos outros, autómatos de uma vida, quais ratos numa roda dentro de uma gaiola.

Neste workshop de Kokedamas aprendi efectivamente a fazer uma Kokedama. Conheci gente diferente desde a idade, nacionalidade, motivações ou mesmo ambições de vida. Levou-me á Terra não só aquela em que se mexe e planta e sujam-se as mãos de uma forma positiva e criativa mas sim por me levar à Terra como um todo imprescindível para a nossa harmonia interior e exterior. Terra essa que a usamos abusivamente e nunca a valorizamos.

Enquanto estive dedicada e interessada nesta experiência, aprendendo e desfrutando da aprendizagem, com os sentidos acordados e estimulados pelo prazer no que se estava a criar, revisitei a minha natureza e recentrei o meu eixo. Porque o nosso eixo é constantemente afectado e abalado.

Sinceramente não sei que motivações levam os Japoneses a criar Kokedamas ou Bonsais. Mas estou em crer que deve ser pela mesma razão que encontrei, o efeito terapêutico que daí advém. Um balsamo para o corpo e alma, uma fonte de energia positiva.

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Koke (musgo

dama (bola)

O workshop realizou-se no Hortus Conclusus- Porto. O professor excelente, o espaço fantástico. Recomendo vivamente.O Professor é Interessante, entendedor, culto e adora o que faz levando-nos atrás com tanto entusiasmo. Assim é facil aprender ...

https://www.facebook.com/Hortus-Conclusus-399142973898175/

24
Abr18

Guiné Bissau, 25 de Abril de 1974.


Beia Folques

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Nesse dia estava na 3ª classe numa escola pública em Bissau. 

O dia iniciou-se como qualquer outro dia, fui para a escola normalmente. No caminho não havia nenhum desassossego, confusão ou mesmo agitação. Nada que nos indicasse o pesadelo que se iria iniciar dentro de poucas horas.

Já estava na sala de aula quando pensei que a guerra tinha invadido Bissau. Começou com sons estranhos, vozes altas depois olhando pela janela via-se uma confusão de jipes a subir e descer aquela rua com negros que já não se encontravam fardados e aprumados, que empunhavam armas com um ar perfeitamente ensandecido. Aos gritos coléricos, com uma postura agressiva e intimidante.

O que até então tinha sido uma gente cordata, simpática e próxima transformaram-se em gente hostil, rebelde, alterada e ameaçadora. Foi tudo tão inesperado e assustador.

Nem sei quem me foi buscar á escola e depois deduzo que fiquei fechada em casa até embarcar. Suponho que tenha vindo para Portugal Continental poucos dias depois. Realmente a última memória que eu tenho da Guiné foram os tumultos na rua, as feições carregadas na cara daquelas gentes vistas da minha sala de aula, o desvario total.

O meu horror foi tanto que não quis ouvir falar de África durante pelo menos uma década.

Nem África nem Africanos.

Talvez o que mais me custou no cimo dos meus 8 anos foi pelo muito que eu tinha-me esforçado para aprender a viver e a amar aquela terra com tantas limitações e constrangimentos, a adaptar-me aquela realidade tão diferente de todas as outras que eu já tinha experienciado. Onde tinha assistido a tanto sofrimento por parte de toda a família em especial da minha Mãe e nunca termos desistido dela, termos superado todos os obstáculos e essa mesma terra tinha-se tornado no meu mais profundo inferno de um dia para o outro.

O 25 de Abril de 1974 foi o dia em que perdi a minha inocência em relação ao ser humano, assisti ao pior dele.

Essa foi a minha percepção dos acontecimentos nos meus fabulosos 8 anos da minha existência na Guiné no dia 25 de Abril de 1974.

O que para mim sempre foi um mistério foi ter trazido a minha boneca negrita de farta cabeleira em carapinha e nunca tê-la posto de lado. Era um dos meus bebés chorões preferidos.

Posteriormente vivendo em Oeiras as minhas amigas nunca perceberam porque é que eu gostava tanto de brincar com uma boneca de cor, quando tinha outros bonecos lindos loirinhos de olhos azuis, mais sofisticados e Europeus.

Passado tanto tempo, décadas, agora eu presumo que foi para manter a minha ligação com África neste caso em particular com a Guiné. Uma forma de não esquecer que tinha pertencido àquele Mundo. Mundo esse onde tinha vivido e aprendido tanto, tudo tinha valido a pena com aquela experiência até chegar esse dia.

A minha boneca foi a forma que arranjei para manter o fio fino e frágil da minha inocência e da minha fé no Homem cuja corrente tinha-se fragmentado dentro de mim naquele dia tão violento.

Cuidar dela foi a forma para não sucumbir a ódios, preconceitos, discriminações e mesmo rancores.

20
Abr18

Guiné Bissau, 24 de Abril de 1974.


Beia Folques

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O meu pai é Militar e a família acompanhava-o em todas as missões. Fiz Angola, Lamego, Tavira, Guiné. Eu posso dizer que tinha o serviço militar feito aos 8 anos de idade.

Nesse dia estava na 3ª classe numa escola pública em Bissau, no mais inóspito de África. Guiné é uma África muito particular.

O primeiro confronto com aquele país foi com o clima. O clima extremamente húmido e quente, depois as estradas em bruto, os abutres que havia por toda a cidade, o batuque constante vindos das sanzalas durante a noite, os morcegos que saiam da biblioteca municipal no lusco-fusco, por fim as casas dos oficiais que eram tristemente confortáveis. Lembro-me na altura o meu pai ter sido ferido em combate. O Governador da Guiné na altura que era o General Spinola ter se disposto imediatamente em ir visitá-lo lá a casa. Para o General Spinola não ficar incomodado com a parca mobília que a nossa casa tinha (casa essa disponibilizada pelo Exército) os nosso vizinhos do lado, o agora Gen. Almeida Bruno e o Cor. Matos Gomes cederam parte da mobília da casa deles para compor a nossa, para suavizar o ambiente.

Guiné é uma África extrema. Além da guerra se desenrolar de uma forma muito violenta. Para mim tudo era intenso. Lembro-me dos voos constantes de helicópteros a caminho do hospital transportando feridos da guerra. Lembro-me de ouvir rajadas de metralhadora à noite. Uma realidade estranha.

Mas tinha coisas bastante simpáticas e curiosas. Foi o lugar em Africa que vi mais diferenças tribais. Havia dezenas de etnias negras. A diferença entre eles era tão notória que se distinguiam visualmente. Os islamitas eram bastante altos e muito magros, havia outras etnias onde a constituição física destacava-se por serem bem entroncados e fortes, havia também mais pequenos e franzinos. A forma como trajavam era bem distinta de etna para etnia. Outra diferença que me impressionou era a forma como se expressavam artisticamente. Os Muçulmanos da Guiné trabalhavam o ouro ou a prata com um requinte e sofisticação invejável a qualquer Europeu. A cidade de Bafatá podia rivalizar com a de Gondomar pois os trabalhos eram quase filigrana. Porém havia outras tribos que o que usavam como acessórios, enfeites era feito de pedra, malaquite por exemplo e a inspiração vinha da protecção, funcionavam como amuletos, artefactos mais primitivos e toscos.

A escola, essa era igual a todas as escolas que já tinha frequentado só que aqui havia crianças de outras cores. Fiz a 2ª e parte da 3ª classe na Guiné Bissau. Ser branca e católica era minoria, 90% das crianças era nativa da Guiné. Facto que para mim não era problema e para os meus pais também não. Não havia problemas de integração, lá íamos com as batas brancas, não havia mochilas de marca, nem ténis sofisticados. Tudo feliz, tudo homogéneo embora fosse a verdadeira mixórdia cultural e religiosa. O único cunho de estarmos em território Português era o cantar o hino de manhã. Aprendia, estudava, brincava, não havia insultos, “bullyIng” ou agressões verbais ou físicas.

Fora da escola brincávamos com as outras crianças nativas ou não em casa, na rua. Lembro-me de ter uma amiga a Adriana, uma Guineense grande que andava na minha escola e vivia do outro lado da rua numa cubata. Nunca senti que se interessasse pelo nosso modo de vida ou estranhasse os nossos bens quando ia lá a casa. A única coisa que ela adorava era o frigorífico e só porque a minha mãe fazia uma espécie de gelados com sumos e aquilo ia para o frigorífico solidificar. O nosso relacionamento com o nativo era fácil e natural.

Não havia nenhuma espécie de extravagâncias nem requintes nas nossas vidas neste Ultramar. Antes pelo contrário, era tudo muito minimalista como se diz agora. Havia uma livraria que recebia o Asterix, quando chegava era a minha loucura, o verdadeiro luxo.

Havia um pobre cinema, que passava uns filmes dos anos 50. O momento de maior diversão que por lá havia era o bingo na messe de oficiais. Uma vez num jogo de bingo em que fiz o cartão completo escolhi como prenda uma boneca bem negrinha com uma carapinha generosa, estava encantada com a minha nova “filha”.

Quando me vêm falar de racismo e comportamentos xenófobos dos Portugueses revolto-me pois estive lá e vivi sempre o oposto. Tanto éramos próximos que uma das recompensas num jogo realizado numa messe de oficiais era uma boneca negra e ninguém se sentiu incomodado ou agredido por tal objecto, era naturalmente aceite.

O meu pai foi ferido gravemente, duas as minhas irmãs tiveram que regressar ao Continente e ir viver com os meus avós porque estavam sempre doentes na Guiné. A vida era exigente, sofrida e dura para os meus pais. Mas nunca foi parte da equação deixar o meu pai a viver a guerra sozinho.

Aprendi a amar aquele lugar feito de tantos contrastes. Com a natureza em efervescência constante, onde tínhamos que manter os 5 sentidos sempre despertos e alertas.

Tenho saudades das trovoadas fabulosas e estrondosas que por lá aconteciam, das chuvadas violentas que largavam da terra um cheiro único, tenho saudades das cores e do cheiro dos cajueiros, de toda aquela paisagem rude e agreste, dos pântanos e das ostras. Daquele pequeno mundo onde coexistiam gentes tão diferentes. 

Essa era a minha percepção nos meus fabulosos 8 anos da minha existência na Guiné no dia 24 de Abril de 1974.

 

 

 

 

 

18
Abr18

No Reino do porreiro pá - o caso das viagens.


Beia Folques

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Logo pela manhã oiço que a figura Ferro Rodrigues tomou as dores dos deputados que se afiambraram com o dinheiro que o Governo Regional dá aos ilhéus pelas viagens de avião. Isto é o Estado reembolsa despesas acima de 134 euros para os Açorianos e no caso Madeirense acima dos 86 euros, até ao limite de 400 euros por viagem.

Pois vejamos o próprio Estado adianta 500 euros por semana sendo num total de 2000 ou mesmo 2500 euros por mês, conforme os meses aos senhores deputados para gastos com viagens. Estranho é a possibilidade de que o dinheiro ser deles mesmo que não as façam e imaginem sem necessidade de apresentar comprovativo de voo. Esta escumalha ao ter os bilhetes apresenta para reembolso. A coisa nem era escandalosa se o reembolso fosse entregue posteriormente aos cofres do Estado pois os bilhetes efectivamente foram pagos pelo próprio Estado. Mas não esta cambada de alpinistas sociais e políticos sem moral, princípios de cidadania, total ausência de respeito pelo cidadão e sem escrúpulos acha que este dinheiro é deles legitimamente.

Portanto caro cidadão, você e eu andamos a financiar alegremente a esta gente. Os nossos deputados pedem reembolso para os próprios de um gasto cuja despesa foi paga pelo Estado, dinheiro de todos nós.

Questiono o Estado ao dar dinheiro para viagens e que o fim não seja esse mesmo. É impróprio, indevido e lamentável.

Questiono o Estado por não exigir a comprovativo de compra dos bilhetes.

O Estado não está a desempenhar o seu papel ao permitir que o dinheiro público seja esbanjado sem controle pelos deputados. O próprio Estado para os senhores deputados é uma porta escancarada para as manhas e artimanhas desta fauna. Tão exigente com o resto da população e tão permissivo com quem delega o poder e que deveriam ser o exemplo. Acordem, o dinheiro que utilizam é de todos nós é para ser aplicado na causa pública.

Acho que por bem da transparência e da credibilidade dos nossos deputados e figuras do Estado esta lei seja analisada e rectificada pois peca por desleixo. Não faz sentido nem é legítimo sair do tesouro público dinheiro para pagar viagens não realizadas. Num país pobre como o nosso é uma prática escandalosa simplesmente.

Em relação a estes tristes provincianos e pobres políticos não sejam desonestos e abstenham-se de pedir um dinheiro que não é vosso. A passagem foi paga pelo erário público e lamento eu contribuo e a mim custa-me a vida e também me dói ser roubada de todas as formas e feitios por vocês. Já estou a pagar viagens, mais viagens não realizadas e a vossa ganância ainda vos leva a pedir o reembolso de um dinheiro que sai do Estado mais uma vez, que é pertença da causa pública e eu mais uma vez contribui e o fim dos meus impostos não é os vossos bolsos sem fundo privados. Tenham vergonha.

O vosso defensor já se sabe que vergonha não o assiste.

Vivemos no Reino do porreiro pá mas aborrece-me o porreiro ser só para alguns e o pá paga o desgoverno.

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