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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

12
Dez18

Humanizar transações.


Beia Folques

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Quem faz um estabelecimento comercial de grande ou de uma pequena superfície, uma loja de Shopping ou de comércio tradicional, um restaurante ou uma drogaria são os empregados, quem lá trabalha.

Esqueçam se o produto que vendem é bom ou mesmo excelente, acessível ou mesmo barato se os donos ou empregados forem desatentos, desagradáveis ou indiferentes o cliente não faz nenhuma questão em voltar a esse espaço.

Nos últimos dias tive algumas experiências incríveis nas minhas “compras”. Tudo devido não ao que adquiri mas sim ao tratamento que tive da parte dos empregados.

Descobri no FB a indicação que em Sesimbra havia uma loja com figuras de barro para o Presépio tradicional giríssimas. Fui atendida pelo dono da loja o Sr. Álvaro Bizarro, uma simpatia que explicou que o FB da loja é coisa da neta. Era também artesão e fazia Presépios, tem alguns guardados perto da loja. O senhor ao ver o meu prazer pelo que via levou-me para admirar aquelas obras de arte. Para o ano irei a esta loja comprar mais figuras. Encontrar numa loja alguém que sente e gosta do que faz é entusiasmante para o cliente que também tem o mesmo interesse. O tratamento personalizado e diferenciado é um luxo que hoje em dia é raro usufruirmos.

Meti na cabeça que este ano iria fazer um verdadeiro Presépio em escada estilo Madeirense. O meu problema era fazer a dita estrutura em escada. Não tenho jeito para bricolage, não tinha nenhum para levar como modelo. Por fim encontrei na internet um que se assemelhava ao que eu pretendia. Desloquei-me à loja com a foto do que queria. Como era sábado à tarde dirigi-me a um desses estabelecimentos que tem tudo para bricolage e construções. Entrei na grande superfície onde tudo é descaracterizado e depois de dar uma volta na loja pensei que estava tramada pois só via ripas e tábuas enormes, não havia nada já pré cortado que desse para fazer o que precisava. E eis que dei com um dos empregados, o Joaquim. O Joaquim deve-se ter enchido de paciência e ajudou-me na execução do dito Presépio, até sugeriu materiais mais baratos e medidas pois eu sabia o que queria mas não tão tinha toda a informação. Cortou, limou as minhas tabuas e no fim saí da loja encantada com a minha aquisição e acima de tudo por ter tido a ajuda preciosa do Joaquim. Certamente voltarei lá quando precisar de algo e espero encontrar aquele empregado tão disponível.

Estive no Porto e nas minhas voltas só tive registos positivos dos colaboradores e alguns donos dos espaços onde andei.

Em especial numa loja fantástica de candeeiros. Como andava à procura de um para a minha sala de estar pensei em tentar a sorte. Tive a assistência de uma funcionária muito simpática, a Cátia. Como não tinham MB trouxe o candeeiro da loja sem o ter pago, só fiz a transferência bancária para pagar o dito candeeiro após sair da loja. Em boa verdade podia nem ter pago, mas a Cátia, uma rapariga amorosa acreditou em mim, simplesmente único. Este tipo de relação entre cliente/funcionário de um espaço comercial cria uma proximidade, um ambiente de confiança que de certeza quando quiser outro candeeiro a minha primeira opção será ir ao Porto e comprar naquela loja em particular. Acho que faz parte da condição humana querer ser tratada como uma pessoa e não um número. Saber que não somos tratados como massa humana.

Assim se fidelizam clientes. Um negócio cria marca pela disponibilidade, simpatia, confiança, auxílio de quem nos atende. Esta máxima é transversal a todo e qualquer negócio desde a farmácia ao restaurante.

Por isso tantas vezes me questiono o valor de um bom empregado/colaborador. Um patrão que não valorize um bom funcionário tem meio caminho para o fim do seu negócio. Todo o empenho e esforço que um empregado coloque na sua relação com o cliente deveria ser motivo de louvor por parte do dono ou gestor do mesmo.

Este tipo de funcionários em termos de retorno monetário para o estabelecimento comercial são uma mais-valia. A sua iniciativa e ajuda são aptidões valiosíssimas para o negócio. Por isso quando oiço que a maioria dos patrões pagam o ordenado mínimo a um colaborador destes fico escandalizada.

Hoje fica aqui o meu reconhecimento a uma profissão quer seja o dono ou o empregado que é cansativa e exigente sobretudo nesta quadra que anda tudo frenético e nervoso. Ter que lidar com o público não deve ser nada fácil, tantas pessoas e todas diferentes, algumas exigentes por vezes impacientes e sempre atarefadas. Cada uma com o seu pedido que quer transformar em objecto e nesta época do ano mesmo em sonhos.

Em especial fico a pensar em alguns destes empregados sobretudo aqueles nas grandes superfícies que são meras personagens anónimas que ficam camuflados no meio dos artigos, das gentes e dos ruídos da loja, sem nome,  pagos a salários mínimos e sem reconhecimento.

06
Dez18

São Nicolau e a Coca-cola


Beia Folques

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Não podemos perder a criança que existe em nós. Por isso mantive sempre a ideia do Pai Natal, ele existe e mai nada digo eu inúmeras vezes. E assim vou com toda a espécie de argumentos e factos possíveis ou não, fundamentos reais ou da minha autocriação.

Um facto é certo hoje dia 6 de Dezembro assinala-se a data da morte de São Nicolau e é este Santo que está na origem do nosso Pai Natal.

A minha filha mais pequena quando tinha 8 anos na escola onde andava a professora resolveu contar a versão do Pai Natal dos tempos actuais. Após o seu dia de aulas contou-me desolada e finalizou a conversa com esta questão:

- Mamã, o Pai Natal é coisa da Coca-cola, até a roupa vermelha. Mas mãe se era para ser vermelho porque é que o Benfica não o quis patrocinar?

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Bem agora eu estava bem "entalada", só me lembrei se era para ser vermelho o PCP e o nosso Álvaro Cunhal andaram a dormir. Um partido que é mestre da propaganda bem podia ter utilizado esta ideia bastava trocar a Coca-cola por vodka e livravam-se da fama de comerem criancinhas ao pequeno-almoço. Mas no meio dos meus devaneios tinha ali uma criança tristonha com o coração partido. Duas facadas no mesmo dia: o Pai Natal não existe e ainda por cima o Benfica não o quis para mascote, brutal.

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Suponho que ela acreditou em mim. Tenho fé que sim pois esta conversa já foi há alguns anos e a minha menina nunca mais me colocou a questão.

Esforcei-me em fazer coincidir as duas versões.

Acho que apesar de tão pequena a minha filhota acima de tudo acredita e respeita a minha total e incondicional convicção no Pai Natal.

 

 

Na cabecinha dela o que vai é que tem uma mãe que ainda acredita no Pai Natal.

E se a mãe diz que existe então é porque existe e mai nada

Vamos lá recapitular o que fizemos este ano e avaliar se merecemos ter presentes no sapatinho. De certeza que merecemos e mesmo que nos tenhamos portado menos bem vamos ter prendas porque o meu Pai Natal acima de tudo é bondoso, compreensivo e generoso.

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30
Nov18

Bolas de Berlim.


Beia Folques

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Estamos a entrar no mês das festas como se diz na Madeira, Dezembro.

Aquele mês em que somos “obrigados” a pensar no outro. Não sei se é por causa da pressão dos meios de comunicação, das Tv´s com os seus programas de sensibilização para outras realidades. Geralmente gente com vidas mais débeis e frágeis que as nossas, mais desfavorecidas e precárias. Vem aquele momento de aperto no coração que é o Natal dos Hospitais. Também surgem toda a sorte de peditórios, movimentos de recolha de roupas, brinquedos ou comida para ajudar alguém a ter um Natal mais feliz ou mesmo digno.

Ajudar os outros para mim não é difícil, sou solidária e as tristezas ou infortúnios alheios tocam-me sempre. Talvez porque tive uma mãe que me ensinou a importância do dar.

Fiz a 2ª e 3ª classe na Guiné Bissau. Ser branca e católica era minoria, 90% das crianças era nativa da Guiné. Facto que para mim não era problema e para os meus pais também não. Não havia problemas de integração, lá íamos com as batas brancas, não havia mochilas de marca, nem ténis sofisticados. Tudo feliz, tudo homogéneo embora fosse a verdadeira mixórdia cultural e religiosa. Dos poucos indícios de estarmos em território Português era cantar o hino de manhã e a língua ser o Português. Aprendia, estudava, brincava, não havia insultos, “bullying” ou agressões verbais ou físicas. Esta era a escola primária em Bissau.

Só notei que era privilegiada numa festa na escola, não sei se era o dia de Portugal que se festejava. Nessa festa eram distribuídas Bolas de Berlim a todas as crianças. E eu como criança que era ia lançada comer a minha Bola de Berlim. A minha mãe que lá estava disse-me para deixar o bolo no tabuleiro para outra criança que tivesse menos oportunidade de a desfrutar do que eu. Na altura achei a atitude da minha mãe uma violência. Com o tempo percebi a mensagem, fazer o bem e sobretudo não olhar a quem. A minha Bola maravilhosa provavelmente foi deliciada por uma menina/o talvez branca, mestiça ou preta, talvez muçulmana ou de outra religião africana, talvez o pai lutasse do outro lado do conflito, que interessa …

E esta foi uma das licções que a minha mãe me deu, e era assim que levava a vida, a ajudar família, amigos, desconhecidos.

A minha mãe não era de dar presentes extravagantes mas a porta de minha casa sempre esteve aberta a quem precisasse, dava a mesa, abrigo, géneros ou dinheiro, um conselho, uma palavra. Enfim oferecia uma doce bem redonda, cremosa e dourada Bola de Berlim …

Vamos lá entrar em Dezembro com o nosso coração bem recheado de coisas doces, ternas e reconfortantes para dar.

23
Nov18

O "meu" padre.


Beia Folques

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Gosto de assistir a uma missa. Existem padres que tem o condão, a arte ou mesmo a magia de nos prenderem a atenção. As palavras da Bíblia fazem eco na nossa cabeça ou talvez o mais correcto será dizer no coração.

Por vezes a missa também se pode tornar algo penoso e aborrecido. É o caso de algumas leituras litúrgicas lidas com voz monótona, abafada e bem recheadas de palavras em latim, hebraico, aramaico ou grego que mais parecem chinês. Vai das tantas estou completamente isolada porque perdi o fio da mealha. Além de palavras "estranhas" existem textos que são mesmo complexos, senão  ambíguos ou mesmo controversos. Preciso de um padre que simplifique ou suavize toda esta parte da missa.

Lembro-me de uma missa em que me “ausentei” pois durante a homilia a palavra sicômoro foi dita várias vezes e eu ali a matar a cabeça para tentar perceber que raio era aquilo. Se no momento da leitura fosse logo dito que era um tipo de figueira com certas particularidades tinha-me mais focado na palavra de Deus e menos nas minhas pequenas ignorâncias. Na vez seguinte que ouvi esta palavra numa missa tive mesmo vontade de dizer ao Sr. padre:
- ãhn ãhn brincalhão, desta vez não me apanha. Já fiz o trabalho de casa mas pode simplificar e explicar a estes ignorantes mortais o que é o dito sicômoro pois acredito que há por aqui almas a matutar que diabo é isso.
E como esta existem outras palavras que estão ali para nos afastarmos do que é importante. Funciona assim como uma prova à nossa cultura geral, um teste à concentração na leitura e também à competência do padre.

Geralmente a mensagem da leitura destinada a cada missa é importante e ajuda-me a encarar o dia, os outros com que me cruzo, até a mim própria com outra disposição e vontade. Saio invariavelmente da missa com a minha Fé renovada, não falo da Fé em Deus mas mais na Fé na vida e em mim, na rotina, de como vamos vencer senão ultrapassar os desafios do dia-a-dia, a minha vontade de tentar ser melhor ou mais empática com os outros.

Todos os dias na missa suponho que o padre tenta sacudir o “mofo” que se acumula em mim, pois no fim de cada dia essa película bolorenta tenta se grudar ao meu corpo. Sinto essa película como o resultado das frustrações, lutas, limitações, pequenas ou grandes injustiças ou raivas, insucessos ou desenganos, desencontros com que nos deparamos diariamente e se nós deixamos acumular pode-nos levar para caminhos muito escuros. Tenho a sorte de ter um padre que me incentiva, abana, foca e revigora.

A missa é breve mas a mensagem é passada com sucesso. Após a missa tenho uma infinita confiança, calma e paz. Por vezes mesmo alegria.

Hoje o padre fazia anos e partilhou esse facto connosco. Achei original e fantástico pois sou daquelas que vive cada aniversário com profunda gratidão e alegria. Entendi o seu estado de alma. O que sucede nas missas é que esse tipo de partilha de informação não acontece. Transmite-se a palavra de Deus, a interpretação do padre dentro de certos limites à mesma, vários e sentidos momentos mas nada com cunho pessoal. Gostei desta pequena "transgressão". Aproxima-nos mais, estimei porque tive consciência que para ele somos mais do que uma comunidade de pessoas que o ouvem, que vão à sua missa. Este cuidado em dar esta informação e a forma como o fez denota algum cuidado com os seus paroquianos, não somos só filhos de Deus a assistir à missa que celebra mas também nos considera  próximos assim tipo seus “amigos”.

No fim da missa após o célebre "vão em paz e o Senhor vos acompanhe" já estava eu a dirigir-me para a saída quando fui surpreendida pelos restantes paroquianos que começaram a cantar os parabéns ao padre.

Adoro coisas que me surpreendam e não sei mas esta mexeu comigo, é sempre bom ver a forma como as pessoas encontram para espelhar o seu afecto, agraciar e agradar os outros. Quando se vê tanta maldade, incúria se não mesmo desprezo pelos outros de inúmeras maneiras que me leva imensas vezes a questionar a Fé nos Homens após esta pequena demonstração na “minha” Igreja a Fé na Criação saiu renascida.

ps- Muitos parabéns e muitos anos de vida. E que o dom da Palavra nunca lhe falhe é o que lhe desejo.

12
Out18

É sexista ou será só parvo?


Beia Folques

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Tive formações em ambiente de trabalho toda a minha vida profissional. Recentemente tive mais uma. Trabalhei sempre em departamentos onde existiam mais homens que mulheres, acho que a maioria das vezes era a única mulher. Nem sempre foi fácil ou simpático mas fui gerindo essas limitações da melhor forma que sabia. Nunca recorri aos recursos humanos quando me senti mais “agredida” como profissional. Até ter tido esta formação onde ponderei seriamente em fazer uma queixa. Toda a situação simplesmente não é admissível, passo a explicar:

- mais uma vez era a única mulher no meio de homens, mas nada que não esteja habituada. O “formador” para demonstrar casos práticos foi pedindo a cada um dos participantes para fazer um exercício com a sua supervisão. Eis que chegou a minha vez. Qual é o meu espanto quando sou tratada como se fosse acéfala, os passos que tinha que fazer foram descritos e explicados como se eu fosse uma criança de 4 anos. Informação que já tinha sido dada anteriormente e que eu já tinha apreendido, pois se estou numa formação mesmo que contrariada ou o assunto seja o mais desinteressante possível esforço-me para aprender e tirar o maior proveito da mesma. A matéria de complexo não tinha nada o que ainda me deixou mais irritada, era do mais básico possível. Senti-me francamente chocada com a diferença de atitude que teve comigo comparando com os meus colegas mesmo aqueles que se poderiam equiparar ao meu grau de conhecimento naquela matéria.

Entre outros “mimos” no trato com a minha pessoa ainda teve a imbecilidade de responder a uma questão que coloquei quando estava o dito "formador" a fazer uma demostração com um colega que eles eram só homens e não eram “multi task” como as mulheres, o que num ambiente de café até aceitaria e poderia brincar mas ali não era o local para chalaças ou idiotices. Mais uma vez incorreu num erro grave e elementar nas relações de trabalho.

Não admito comportamentos paternais ou condescendentes no local de trabalho. Não quero nem preciso de proteccionismo ou de alguma espécie de tratamento diferenciado, só peço respeito e igualdade de oportunidades e de comportamento.

Tratar um colega de forma diferente é só uma forma de o discriminar e segregar pois está-se a remeter para outra esfera que não a do grupo. Ocorreu-me a realidade das castas, aqui existia a dos homens um nível superior e depois as mulheres que o “formador” no seu entender têm problemas de aprendizagem.

Hoje em dia que se discute até ao desvario estas questões relativas ao sexismo ou discriminação do gênero, observo que o preconceito está mais latente do que nunca na nossa sociedade. Há 20 anos atrás não era tão visível, era mais homogéneo e correcto o tratamento.

Sinto-me incomodada por mim mas só de pensar nas minhas filhas e tantas outras mulheres que têm que viver com estes trogloditas escrevo este texto. Hoje não estou para ficar calada.

Assusta-me o facto de este assunto ser da ordem do dia, na nossa função como educadores, das agendas de todas as escolas e de tantos Ministérios, da comunicação social, etc e o que deduzo é que quanto mais se discute talvez mais ruido se coloca ou diminui-lhe a importância e a mentalidade sexista ou o preconceito não é ultrapassado muito menos vencido. Estamos a viver um retrocesso civilizacional nesta área, o que irá agravar os desequilíbrios e as diferenças em todos os aspectos entre sexos tornando toda a Sociedade mais frágil e pobre.

A minha imensa questão é se esta gente com este tipo de comportamentos tem consciência do mesmo. São sexistas ou só e simplesmente parvos?

09
Out18

As noticias.


Beia Folques

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Cheguei a um ponto de saturação das notícias, dos acontecimentos que assolam este planeta e em particular este país. São tantos casos denunciados ou discutidos, tão variados, tão graves e provocadores e aparecem todos misturados com o que existe do mais desnecessário e supérfluo que torna a nossa missão de cidadão activo e participante do mundo quase impossível. Demasiadas frentes.

Sinto-me exaurida desta sobrecarga informativa ou desinformativa de que somos vitimas. As notícias até as mais desinteressantes são divulgadas com violência, de uma forma exagerada e extremada. Constantemente somos chamados a ter uma opinião, a tomar uma decisão, a aceitar ou rejeitar um acontecimento, sem termos todos os dados, sem ter tempo para reflectir. Se nos alheamos é como se nos demitíssemos do nosso papel como cidadão, porém se nos queremos manter informados entramos numa bola de neve descontrolada. Temos que filtrar tudo o que nos chega, pois a maioria da informação chega manipulada ou adulterada.

Culpo os governantes pelo desassossego em que vivemos. Eles são os maiores geradores de turbulência social. Se fossem honestos, se trabalhassem em prol de um país, se cumprissem o que prometeram não haveria um mundo tão desigual onde nasce todo o tipo de mal da nossa sociedade, onde germina toda a espécie de ervas daninhas.

Hoje estamos a discutir até ao limite a viragem política no Brasil um país onde o caos, insegurança e a miséria são obras de má governação, a Venezuela que nem me apetece emitir comentários de tão aberrante a sua situação calamitosa. Por cá ministro da defesa indefensável, o nojo dos jogos da nossa justiça, um país onde só existe litoral, o eterno fogo, onde os transportes públicos falham sistematicamente e existe tanto mais para nos tirar do sério só ouvindo o jornal da noite. Vivemos tempos irresponsáveis, fracturantes e perigosos nos 4 cantos do mundo.

Já não bastando o estado de corrupção e ineficácia assim como total desprezo dos políticos à realidade do país ou mesmo ao mundo em que vivemos. Temos uma comunicação social ávida de nada onde nos mesmos sítios onde se discute os dramas do CR7, as tricas mais bestiais de algum apresentador de tv, o futebol dentro e fora de campo, o género ou sem género, a toilette da Melania Trump e qualquer outra cretinice ou inutilidade discute-se também as alterações climáticas ou o brexit, diria que tudo isto com o mesmo grau de importância ou de gravidade.

Interrogo-me se esta insanidade, profusão e descontrolo informativo não serão para intencionalmente nos distrair e afastar do que está a acontecer de importante ao nosso redor. De propósito, para nos vencer pelo cansaço. É esgotante estar sempre alerta, procurar a verdade das notícias, tentar ver o mundo de uma forma lúcida, separar o que verdadeiramente interessa da amálgama de informação que nos é disponibilizada. E assim a pouca voz que o cidadão tem desaparece por completo no meio de tanta desinformação mascarada de informação, estamos atolados em lixo.

01
Ago18

Prendas que são verdadeiros "penicos".


Beia Folques

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Adoro um presente, acho que eu e talvez 95% da população mundial. Adoro aqueles que me surpreendem, que fico com cara de Uauhh!!.

O incrível é que um presente para ser fantástico não tem de ser propriamente de valor elevado.

Isto a propósito de um presente que não era para mim mas sinto-o como meu. Guardo como se fosse uma peça única de cristal delicadíssimo.

Os meus filhos na semana passada ao mexerem nuns caixotes que estão guardados desde a última vez que mudei de casa perguntaram-me porque raio eu tinha guardado um penico de plástico verde alface bem fluorescente. Se aquilo não devia ir para o lixo. Arrepiei-me toda.

Tal como a música da Ágata no seu refrão:

Podes ficar com as jóias, o carro e a casa

Mas não fiques com ele.

E até as contas do banco, e a casa de campo,

Mas não fiques com ele.

 

O meu “ele” é o dito penico.

A história do penico para mim é de uma ternura, de ajuda e generosidade, de amor que me toca profundamente.

O penico foi comprado por um dos meus filhos para oferecer á irmã mais pequena, não sei precisar se foi quando ela fez 1 ano. O meu filho teria uns 12 anos. Ele queria uma prenda para a irmã e não me pediu dinheiro, o dinheiro que ele tinha era dos trocos que lhe dávamos para um bolo na escola ou algum extra. O conceito de mealheiro nunca funcionou com este meu filho. Quando tinha dinheiro a mais era logo para algum jogo para o computador ou a Nitendo, Game boy ou algo do género.

Foi à Pré-Natal porque sabia que eu gostava dos produtos dessa loja. Andou à procura de alguma coisa que achasse útil ou engraçada para a mana mas com o dinheiro que tinha estava difícil a compra. Até que uma empregada da loja foi ter com ele para o ajudar. O meu filho explicou que gostava do penico, era giro e a mana iria precisar de um. Ao ver o dinheiro que tinha a empregada viu o problema. Então perguntou-lhe se a mãe tinha cartão da loja, como por vezes me acompanhava nas compras sabia que sim e disse o meu nome. Então a simpática e generosa funcionária ajudou-o com os pontos que eu tinha no cartão e assim o meu menino comprou o dito penico.

Faltaram uns 3 euros e ela não lhe disse nada. Um dia que fui á loja a funcionária identificou-me e contou-me a história.

Agradeci-lhe do fundo do coração e paguei o que devia que não era nada mesmo comparado pela alegria que ela me tinha dado pois conseguiu que o meu filhote se sentisse realizado e feliz e eu, bem não há preço quando se vê um miúdo chegar a casa radiante com um saco grande onde vinha um embrulho de alguma dimensão contendo uma prenda para a irmã bebé. Uma prenda que no mínimo era inesperada.

É irónico como um penico pode demonstrar sentimentos tão nobres. A ajuda entre os Homens na sua forma mais pura, desinteressada e genuína, a generosidade, a bondade, o carinho e o amor de um irmão.

Talvez o maior presente sejam sempre as pessoas, com o melhor que elas albergam e assim nos surpreendem. Neste caso a senhora que trabalhava na Pré-Natal, que foi um anjo para o meu filho e o meu filho que me encantou completamente com a surpresa para a irmã.

O valor das coisas está em nós como as sentimos e não no objecto propriamente dito. Por isso é que existem “penicos” que valem ouro.

 

24
Jul18

Desabafos.


Beia Folques

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Na minha busca incessante para encontrar o sentido ou a total ausência de sentido da vida encontrei algo que acho curioso que é o peso e a importância das palavras. Isto resultado das minhas poucas aulas de Yoga. A vantagem da Yoga é que nos trás proveitos físicos e abre uma porta para todo um mundo que devido à nossa vida mais ou menos turbulenta não nos debruçamos, o nosso cérebro e como ele nos domina.

A palavra pode ditar os nossos actos, por vezes indirectamente. Ao oralizar ou verbalizar mesmo que seja mentalmente uma palavra estamos a desencadear no nosso cérebro um conjunto de respostas ou acções de acordo com essa palavra.

Enfim essa foi a minha “discussão” ontem com uma amiga. Ela disse que estava “farta” de tudo que está a viver neste momento, efectivamente não se pode dizer que a vida dela no último ano tenha sido um mar de rosas, problemas de saúde vários e muito desagradáveis. Mas bolas está viva, a recuperar com amigos e família, com acesso a uma boa rede de profissionais, economicamente estável. Deve estar grata à vida e ao que a rodeia apesar de tudo, o saldo da balança é bem positivo. Em momentos de prova não está só, criou um conjunto de amigos sinceros e tem familiares que a apoiam. Tem mais do que talvez ¾ da população mundial: casa, comida, segurança. Além de ter todas as suas faculdades activas e tem dons que a maioria de nós não os têm como pintar ou escrever, apesar dos seus infortúnios recentes tem que estar grata à vida.

A palavra farta tem que ser substituída por grata ou agradecida, é urgente.

Logo pela manhã vinha a rabujar sozinha porque o sol anda preguiçoso, detesto casacos no Verão e adoro calor a estalar, um Verão a sério. Vinha no carro a ouvir as notícias e oiço os fogos na Grécia, lembrei-me da desgraça do ano passado, acho que ficámos todos irremediavelmente traumatizados com os incêndios no nosso país e pensei nas minhas lamentações matinais. Tenho mais que estar grata e feliz com este Verão bem ameno porque Verões escaldantes podem trazer resultados angustiantes, temos bem presente tempos desses.

Quando foi do debate sobre a eutanásia falou-se do caso mediático do cientista Australiano com 104 anos que considerava que a sua vida já não merecia ser vivida. Houve um amigo meu que me disse nessa ocasião que o Australiano deveria estar grato por estar vivo e poder ver o pôr-do-sol ao fim do dia. Estar grato nem que seja por ver a beleza infinita deste planeta que se repete diariamente, incansavelmente. Morreu a ouvir Hino à Alegria, da 9ª sinfonia de Beethoven e rodeado da família, questiono-me se não teria sido mais enriquecedor ter vivido mais algum tempo podendo desfrutar do amor e paz da família e ouvir o milagre fascinante que é a música. Este homem tinha tudo para estar grato e estava profundamente farto, exausto mesmo. Talvez porque tenha interiorizado sistematicamente a palavra cansado, farto, esgotado, desmoralizado…

É o núcleo familiar que exige esforço, trabalho, disponibilidade, compreensão e podemos estar fartos deste peso, dessa avalanche de exigências diárias. O sentimento é grato por existirem, preencherem a nossa vida, dar uma razão para seguir em frente sempre, sem eles a vida teria menos sentido, a bênção e paz que é esquecermo-nos de nós e poder focar em alguém dando amor incondicional, ter alguém para dar um beijo de boa noite ou mesmo um abraço para reconfortar ou mesmo mimar.

É o resto da família que basicamente está entretida em ver os teus deslizes, ou atropelos para poder apontar ou alvitrar inquisitivamente os teus insucessos. Mas basicamente é essa a sua função talvez por nos conhecerem desde sempre acham que podem-nos julgar facilmente devido à proximidade. E temos que estar gratos nem que seja por existirem e seguirem a nossa vida com tanto escrutínio, interesse e o tal dito afecto familiar.

É a selecção de gente ruim, mesquinha, desagradável ou amargurada que a vida nos coloca de vez em quando de forma a termos a perfeita consciência de não tornarmo-nos assim. Temos que estar gratos por cruzarmo-nos com eles para seguir sempre no caminho oposto a estes sentimentos.

É todo o nosso querido passado que correu menos bem em alguns aspectos e temos que estar gratos pelo que de pior aconteceu e assim aprendemos com os erros e ganhámos confiança e segurança em nós para enfrentar os desafios do presente com garra e ilusão e entusiamo para o futuro.

É o cão que larga pêlo, ladra ou lambe toda a gente e só faz confusão em casa, mas em vez de se enervar com o bichinho e dizer que está farto a postura é estar grato nem que seja quando chega a casa está lá o fofinho a saltar com o rabinho a abanar só de o ver. Chegar a casa e presenciar a alegria do animal dá uma satisfação imensa.

É as plantas de que tanto gostas mas estás farto de regar com cuidado. Mas quando florescem vez o teu trabalho recompensado, temos mais de estar agradecidos por ajudar a que este processo aconteça e dê flor. Gratos por fazer acontecer este pequeno milagre da natureza.

É tantas coisas que fazem parte na nossa vida e dizemos que estamos fartos, talvez porque não paramos para pensar que estão lá porque são a nossa rotina e ajudam a um certo equilíbrio. Ou mesmo aqueles acontecimentos que atravessam a nossa vida e ficamos logo saturados e eriçados e talvez ocorram para sabermos estimar o que existe de bom no nosso quotidiano e estarmos gratos pela vida que temos.

E assim sucessivamente…

Dizemos a palavra obrigada com alguma despreocupação, por vezes mesmo com desinteresse ou leviandade, quase automaticamente. Não lhe fazemos a devida reverência pois ela encerra um conjunto de sentimentos que nos enriquecem a gratidão por algo; o reconhecimento do esforço alheio; o interesse, o cuidado ou mesmo o amor que sentimos do outro por nós; a gentileza, a dedicação ou preocupação de alguém por um conhecido ou mesmo desconhecido.

Temos que dizer obrigada, sou grata mais vezes, do fundo do coração. Ter sempre presente o que estas palavras contém e repetir como um mantra, uma oração. Incessantemente para o nosso foco ser sempre: o amor e não o ódio, o que é bom e não o mau, o que nos dá paz e tranquilidade e não a agitação e turbulência, valorizar o “pão-nosso de cada dia” como algo único e inestimável, reconhecer o nosso nada perante o universo, apreciar tudo o que a mundo nos dá com os sentidos despertos.

Se interiorizarmos a gratidão certamente iremos desfrutar mais a vida. E o nosso obrigada, sou grata será dito não de forma automática mas sim consciente com todo o significado e sentimento que encerra.

Vamos dar ordem ao nosso cérebro para todos os nossos actos ou discursos sejam demonstração de gratidão perante: os outros, a natureza, a vida, o universo, Deus, o que seja. Temos muito mais para agradecer do que para sermos ingratos ou ressentidos. O retorno que esta constatação nos proporciona dá paz e serenidade, saúde física e mental.

 

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26
Jun18

Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré.


Beia Folques

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Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. Ressalvo que este texto não tem nada a ver com futebol. Só que é um excelente provérbio e lembrei-me dele de tanto cruzar com gente que sonha em um dia ser jacaré.

Somos forçados a viver com este tipo de gente. Pessoas sem estrutura, hombridade, seriedade e princípios.

Gente que nasceu ou cresceu, desenvolveu-se num limbo, no meio de um lamaçal. Viveram sempre em terreno estéril. Nunca souberam a importância do reconhecimento do outro, da rede entre todos, o que são raízes, o ter raízes, o criar raízes. Quer essas sejam na família, na sociedade, grupo de amigos ou mesmo em termos profissionais. Gente que não tem a mínima noção e desvaloriza o outro ser humano, que vive com as premissas erradas.

 A palavra humano é desconhecida no seu parco mundo linguístico, diria mesmo misteriosa para essa gente. Qualquer portador de Asperger identifica, tem mais empatia com o outro que estes elementos.

Gente que faz literalmente tudo para se impor, para se colocar em bicos de pés e dizer aqui estou eu, querem ganhar visibilidade a todo o custo. Gente que na presença de alguém superior, com mais poder ou influência se humilha, se coloca de quatro, qual serviçal perante o amo. Acho que noutros tempos foram muito úteis como capatazes, tem o perfil certo para terem voz e autoridade perante os fracos, precários e desprotegidos.

Para fazer vingar o seu plano, por vezes só um triste e mísero plano, pois os sonhos e ambições efectivamente grandes e de relevo não os têm, destroem tudo o que seja válido. Pois esses podem por a nu a sua ganância ou mesmo incompetência, os seus esquemas obscuros e planos de bastidores. Essa gente nunca é clara nem óbvia é cínica e hipócrita, levamos algum tempo a decifrá-los.

O que assisto é a forma como levam a vida a desconsiderar, despromover ou desacreditar os outros. Manipulam a informação, boicotam qualquer esforço de melhoria, dividem para "reinar", empolam ou subestimam situações para “explicarem” os seus objectivos.

Qual réptil que tem várias peles e as vai usando de acordo com os diversos interlocutores. Vão mudando o discurso, adaptando sistematicamente a postura dependendo com quem estão a lidar e o grau de influência que querem ter nessa pessoa. Não têm só uma palavra, não têm só uma lógica, não têm só uma pele. Têm várias, várias verdades universais, muitas máscaras. E quando confrontados e sabem que já não vale a pena reencarnar mais nenhuma personagem pois o pano foi aberto e o palco está à vista, dependendo do contexto a resposta será eu não queria mas, eu não faço, eu não tive a culpa, não fui eu, pensei que era melhor assim, foi por bem, por vezes um deprimente eu é que mando como se isso fosse explicação para qualquer tipo de acção.

O que essas pessoas se esquecem é que os outros não são como eles e corre sangue quente nas veias, e que a vida dá muitas voltas. Os outros têm uma visão superior da vida, tem outras razões para a viver, objectivos reais e verdadeiros para lutar. A maldade ou a perversa existência deles para os restantes é vista como algo desnecessário mesmo fútil e mesquinho. São mesmo escusados.

A vida faz-se de alianças sinceras, de interajuda, de consensos simples e leais com base em relações honestas e transparentes e esta é a verdade para tudo que envolve a nossa existência: família, na sociedade, grupo de amigos ou mesmo em termos profissionais.

A esta espécie de pessoas lembro que quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. Não me lembro de um ser deprimentemente maquiavélico não ser descoberto, de alguém que sofra de uma condição patológica do poder não acabar a ser tratado como um desequilibrado ou mesmo de um serviçal, invertebrado, prepotente e arrogante capataz chegar a dono da Herdade. E também quem semeia ventos colhe tempestades. Bem este último provérbio fica para um próximo texto. 

O que eu queria mesmo era viver num mundo onde o Ser fosse mais importante do que o ter, e infelizmente esse ter para que tanto se batem e a tanto custo ser mesmo tão nanico, tão pouco e tão efémero.

23
Mai18

Kokedama- Desde a rede de galinheiro a uma planta decorativa.


Beia Folques

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Para realizar uma Kokedama precisamos de:

Rede galinheiro, musgo, terra, substrato, areia, muda de planta, fio de costurar grosso verde, argola de ferro, arame.

Aqui fica o meu resumo passo-a-passo.

IMG_20180523_115955_resized_20180523_120010864.jpg    1. Retira-se a muda da planta do vaso e separam-se os pés com as raízes.

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    2. Corta-se um quadrado de rede de galinheiro e é a partir dessa rede que se cria o vaso. Dá-se a forma de ninho, unindo os cantos com o próprio arame para arrematar o ninho que se criou. Por fim com um fio metálico interliga-se toda a borda superior para a estrutura ficar unida. Se quiser ter a planta suspensa é agora que coloca a argola directamente no topo deste vaso de arame. 

IMG_20180523_103028_resized_20180523_103042756.jpg    3. Forra-se o interior desta estrutura com musgo. O fundo e as paredes laterais.

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    4. Coloca-se no interior do ninho uma mistura com o seguinte preparado: areia, substrato e terra. Fazendo uma cama para colocar a planta.

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      5. Introduz-se a raiz da planta dentro deste vaso e preenche-se com mais terra para ficar perfeitamente plantada.

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     6. Agora vamos forrar exteriormente este vaso com musgo. Pega-se em “mantas” de musgo e vai-se rodeando a estrutura com ele. Com a linha de costurar ata-se o musgo ao vaso. Neste processo com as nossas mãos vamos moldando o trabalho, dando forma ao nosso vaso e elaborando a forma esférica. Temos que colocar várias camadas de musgo até obter o efeito pretendido por nós.

IMG_20180523_121153.jpg    7. Quando o nosso trabalho tiver o formato que queremos, mergulhamos a planta numa bacia com água. Retira-se da água e apertamos muito bem para a forma ficar bem definida e sair o excesso de água.

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    8. Temos a nossa obra de arte finalizada.

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Após assistir a este Workshop tudo parece bem mais simples. A vantagem de ter feito esta formação é perceber a técnica subjacente a esta arte, quais as plantas que se adequam a este trabalho, o tipo de “solo” a usar conforme a planta que se escolhe e mais mil e um pormenores que só se despertam ouvindo e interagindo com quem entende sobre esta matéria. É uma experiencia que só nos enriquece e embeleza a vida.

No Hortus Conclusus haverá novo Workshop de Kokedamas dia 9 de Junho. É no Porto, mas ir ao Porto é sempre um grande prazer. Então com este motivo de jardinagem fica um passeio irresistível.

https://www.facebook.com/Hortus-Conclusus-399142973898175/

 

A minha aposta agora é fazer Kokedamas com orquídeas. Adoro essa flor tão exótica e frágil. É o tipo de planta que de certeza se adequa a realizar uma Kokedama fabulosa. A manutenção de uma Kokedama é relativamente simples, é gerir a quantidade de água a borrifar para ela estar sempre verde e viçosa.

Agora mãos na massa ou mesmo na terra.

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