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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

29
Dez17

Quero Luz.


Beia Folques

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Quero Luz para me ver ao espelho todos os dias. Quero ver os meus limites, observar os meus medos, encarar as minhas imperfeições, ter consiência do meu eu com total claridade.

Quero Luz para desvendar a cegueira provocada pela ira, pela cólera, pela revolta e não ser tomada por tais sentimentos que transformam a vida mais tortuosa e difícil.

Quero Luz para ter o discernimento de ver além do que parece ser, o que parece óbvio, do que a realidade nos transmite.

Quero Luz para descortinar o bem do mal, para contemplar a paz e não a guerra, testemunhar a verdade e nunca a mentira.

Quero Luz para poder entrever a sinceridade do logro, conseguir separar os princípios morais e valores humanos dos interesses egoístas e supérfluos

Quero Luz para manter afastada a decadência, o que não nos dignifica e a cobardia.

Quero Luz para não ser engolida pelas crenças medievais, pelo preconceito, pela ignorância, pela manipulação e bajulação, pelo prejulgamento, pela estupidez.

Quero luz para encarar a insignificância da condição humana.

Quero Luz para ver a balança e ser justa e ponderada, para poder sempre decidir claramente.

Quero Luz para olhar de frente o inimigo, os desafios e as lutas.

Quero Luz para que seja protecção para todas as formas do mal, como um escudo que me defende.

Quero Luz para me mover em segurança. Não pisar areias movediças, ir de encontro ao abismo.

Quero Luz para fortalecer o meu corpo, o meu carácter, a minha essência, a minha consciência, a minha determinação, o meu entusiasmo, a minha energia.

Quero Luz para apreciar o belo, a natureza, todas as artes, desfrutar dos 5 sentidos em completa harmonia.

Quero Luz para acontecer o milagre da sombra e nunca estar só.

Quero Luz para me indicar o caminho, qual farol que guia os barcos no mar e encaminhá-los para porto seguro.

Quero Luz para encontrar os olhos do outro e dizer obrigada, fazer um elogio.

Quero Luz para me surpreender com a vida, com a generosidade, o amor, os gestos.

Quero Luz para que a criança que existe em mim possa sempre brincar e maravilhar-se com o caleidoscópio.

Quero Luz para me aquecer, para que os meus abraços sejam mais reconfortantes.

Quero Luz para ser Luz dos meus entes queridos e de quem precisa de mim.

Quero Luz para atrair aqueles de quem amo e fiquem ao meu redor.

Quero Luz suave e reconfortante das velas, da eficácia das lâmpadas, da objectividade da lanterna, das cores de uma fogueira, do calor de uma lareira, da potência dos archotes, da singelesa da lamparina. Quero Luz com a graça de um balão iluminado e delicado Chinês. Quero luz Suprema e Divina. Quero Luz abrasadora do Sol ou da discreta e imponente da Lua, nem que seja a longinqua e cintilante das estrelas.

Quero Luz para que ela alimente a minha Fé na Vida.

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Que 2018 seja um ano Iluminado para todos Nós.

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Quadros de Margarida Cepêda.

 

26
Dez17

À mesa....


Beia Folques

natal2bportugues.jpg

 

Nunca fui boa a aturar fretes. Depois dos 50 anos ainda fiquei mais exigente comigo, selectiva em relação aos outros, mesmo refinada.
De todos os desprazeres que tenho que gerir existe um que não cedo. Sentar-me à mesa com gente que me prejudicou, que não gosta de mim. Gente mascarada, indivíduos dissimulados, pessoas de diversas faces, oportunistas de ocasião, basta que eu sinta que há algo errado e está tudo estragado. Tudo menos isso. A hora da refeição é sagrada, se for para ser partilhada que seja com gente de bem, que me identifique, que esteja com o mesmo espirito que eu. É um sacrilégio comungar esse momento em nome de uma paz podre, de um ensaio de harmonia fictícia, de um acto de hipocrisia social, profissional o que seja, até mesmo com a desculpa de ser Natal.
Não toco no mesmo pão, não bebo do mesmo vinho ou água de alguém que só atravessou a minha vida para me “ferrar”, ou usar, que não me respeita nem me considera. Gente que encara os outros como peças de algum jogo em que podem manipular, forjar resultados para proveito próprio ou só para o gozo de desacreditar e de prejudicar alguém. Não colaboro em cenário de demonstrações de um medíocre poder, de amizades ou simpatias de ocasião, de manifestações de uma vã vitória.
Admiro gente que faz da hipocrisia uma arte de viver, por vezes é tão visível, tão latente que se sente. Admiro gente que faz de conta que não é nada com ela, que não é o objecto dessa má-formação, que é imune a esse sentimento. Pois eu não o sou nem me sujeito a isso.
Na minha mesa só se senta quem eu reconheça que seja digno de tal. Reservo-me a este direito porque sobretudo à mesa sou eu, franca, generosa, descontraída. Se for caso disso até dou o meu prato de comida e quero gente assim comigo. Gosto de pessoas que estão nesta vida para dar e não para subtrair. Para enriquecer os outros e enobrecer as relações humanas.
Porque a mesa é partilha, comunhão, alegria e tem que ser desfrutada em paz. Pratico esta máxima todos os dias do ano e não há excepções. Lamento mas nem nesta época. 

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19
Dez17

O Menino Jesus e o Pai Natal


Beia Folques

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O meu filho mais velho vai fazer 25 anos, a minha filha mais nova tem 11 anos, nenhum dos dois ouviu da Mãe a frase brutal que o Pai Natal não existe.

A minha filha mais nova vive naquela dúvida será que existe ou não. Os amiguinhos já lhe devem ter dito que o Pai Natal não existe, mas a Mãe insiste que sim. Naquela idade o peso da sabedoria dos pais é imenso, embora já comece a contestar algumas das minhas afirmações. Neste particular eu sou irredutível, o Pai Natal existe e mai nada.

Eu fui criada entre o Pai Natal e o Menino Jesus que deixavam os presentes no sapatinho. Ainda hoje vivo o Natal com esse encanto. É uma data que tanto celebro os mistérios da nossa religião como a fantasia e a magia do dar. Adoro a expectativa do que o rechonchudo e corado Pai Natal vai deixar no sapatinho.

Nos meus filhos mais velhos reparo pelas suas carinhas que têm algum desconsolo de ter uma Mãe que insiste num Pai Natal. Acho que não me contrariam pois sabem que no dia que assumir que o Pai Natal não existe deixo eu de existir. O que mais agradeço é que nenhum deles diga à irmã mais nova que o Pai Natal pode não existir, é coisa da cabeça da mãe.

Faz parte de mim viver estes dias com muita alegria, adoro todo este frenesim. A árvore com fitas a enrolá-la, luzinhas a piscar, bolas brilhantes e bonecos a enfeitar e a estrela ao alto cintilante. O presépio lindo, cheio de figuras de barro bem coloridas, com riachos feito de fitas prateadas, tudo bem animado para ver o Deus Menino.

O Natal é a festa do nascimento do Menino Jesus, logo este existe e está bem presente nestes dias. Agora o Pai Natal é mais difícil explicar, um velhinho vestido de vermelho, pachorrento e generoso, que cabe numa chaminé. É lá, complicado!

Não desisto Dele, esta figura enternecedora que faz parte do meu Natal.  Toma mesmo um lugar de destaque nesta quadra, sem Ele não há Natal. Podem achar que sou uma consumista nata, mas neste caso estão errados. Sou é uma generosa extravagante adoro o dar, o presentear. E o Pai Natal traduz isto. O que existe dentro de nós de generoso, de mimar um pouco, de querer agradar, de querer chegar aqueles que tanto amamos, que nos são tão queridos. Porque dar um presente é mais do que ir ás compras e pronto está feito. Temos que dedicar tempo a essa tarefa, temos que dar um pouco de nós nessa escolha, o nosso tempo é tempo dedicado ao outro, usamos a nossa imaginação a pensar no que o outro gosta, aprecia, tem interesse. Um presente tem o nosso amor, a nossa percepção da pessoa a presentear, o cunho da nossa criatividade.  É essa a missão do Pai Natal e todos nós temos que a cumprir, por isso Ele existe e mai nada.

pai natal1.jpg

 

15
Dez17

O azul perfeito do Lápis-lazúli .


Beia Folques

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O azul tinge a tristeza. Escuro como o mar de Inverno que me traga.

Impiedoso e monstruoso na sua frieza. Vem de assalto, toma-me, esmaga.

Fico sujeita à sua crueza. Rasga a eterna chaga.

 

Como a cor desta caneta, que me liberta, desta angústia que me desorienta.

Como se esta folha imaculada fosse uma bóia para me salvar.

Escrevo sem nexo, como se a minha alma fosse analfabeta.

 

De Lápis-lazúli se faz a cor do presente.

Fria e protectora a cruz que jaz no meu peito,

Feita dessa pedra que me sequestrou lentamente.

De azul abismal raiado de ouro perfeito.

Não haveria tristeza tão dolorosa se não houvesse amado tão profundamente.

 

Assim como a imensidão do mar que me quer devorar.

Tive as estrelas douradas no crepúsculo para me encantar e a ti para amar.

 Agora para recordar.

 

13
Dez17

O Mês das Festas.


Beia Folques

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Se há coisa de que tenho saudades da Madeira é do ambiente de Natal. Das missas do Parto, dos convívios com os amigos e família, das lapinhas e rochinhas, broas e licores, bolos de mel, dos sapatinhos. Vive-se o Natal na Madeira de uma forma diferente do que no Continente. É mais caloroso, mais religioso, mais envolvente, mais alargado.

 As missas do Parto é a referência de Natal mais emblemática na Madeira. São missas para celebrar a gravidez da Virgem Maria, vão desde o dia 16 de Dezembro acabando a 24 de Dezembro e são sempre de madrugada. São 9 missas pois foram 9 os meses de gestação, terminam com a Missa do Galo, Nascimento de Jesus. As Missas do Parto são consideradas a adaptação local das Novenas ao Menino Jesus praticadas nos séculos XVIII e XIX no Norte de Portugal. É uma bela preparação para o dia de Natal, pena que aqui no Continente não existam. No fim da missa as pessoas reunem-se nos adros das igrejas e tocam e cantam músicas, existe sempre algo para comer e beber. 
Os dias começam cedo no mês de Dezembro na Madeira. Este mês é reservado para os amigos e família, existem almoçaradas e jantaradas, lanches, tudo é motivo para nos reunirmos. O tempo sempre ameno também ajuda para estes festejos. Em todas as casas existe licores e broas caseiras para receber alguma visita esperada ou mesmo inesperada.

O presépio tradicional da Madeira é único e lindo, a lapinha. Em escada com o Menino Jesus em pé vestido com um vestido em bordado Madeira no topo da escada, todo o protagonismo é dele. Depois nas escadas estão as peças de presépio em barro, frutos secos, maças e laranjas, com vasinhos de searas, com pão e uma vela ou lamparina de azeite.Todo o presépio é decorado com sapatinhos (orquídeas) e flores de papel. A mesa da lapinha é forrada com uma toalha de linho bordada reservada para esse efeito, um verdadeiro altar, geralmente se monta o presépio dia 8 de Dezembro.

Na Madeira o mês de Dezembro é chamado como o mês das Festas. As festas só acabam no dia de Santo Amaro (15 de Janeiro), ao que os Madeirenses chamam o “varrer dos armários”. Nesta data tinha sempre 1 ou 2 jantares na casa de amigos para fazer o “varrer dos armários”, na teoria deveria ser comer o que sobrava das Festas, na realidade era outra Festa. E assim terminavam as festas de Natal na Madeira.

Se quiserem sentir um pouco deste ambiente vai-se realizar dia 16 de Dezembro na Igreja de Alfragide uma Missa do parto. A Missa do Parto tem início previsto para as 6h30 da manhã, na igreja da Divina Misericórdia, situada junto ao Estado Maior da Força Aérea, na Paróquia de Alfragide.

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