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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

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Amelices e outros estados de alma

23
Abr20

O Grande livro da Laura Ashley


Amélia Folques

Hoje no Dia Mundial do Livro lembrei-me deste livro de decoração. Livro que me ajudou a criar um lar.

 Comprei-o em 91 pouco antes de casar e escrevi uma dedicatória no livro de mim para mim: desejei que tivesse sempre casas lindas para viver e que fosse sempre feliz nelas.

Desde sempre adorei dar prendas a mim mesma, adoro mimar-me.

Nesta época de ebooks continuo a ser do papel, do manusear, ler e poder revisitar um livro. Inclusivamente escrever nele, tomar notas ou acrescentar algo. Somente prescindo dos livros da Bimby por algo mais tecnológico agora tudo o resto tem que ser palpável e menos agressivo para a vista do que o uso de pc, ipads, telemóveis, etc.

O Grande livro de decoração da Laura Ashley é intemporal. O bom gosto "British" nunca falha, passado 30 anos o livro mantém-se actual. Com sugestões, soluções e dicas bastante úteis e bonitas.

Este estilo Inglês tradicional alia o clássico ao muito romântico sendo o resultado surpreendentemente moderno, acolhedor e suave. Tudo irrepreensivelmente elegante e muito convidativo. Resultam em casas felizes para serem vividas e desfrutadas.

Aprendi a misturar padrões sejam eles florais, quadrados e riscas ou mesmo círculos ou tendo temas de animais o importante é seguir uma paleta de cores coerente também a utilizar as diferentes texturas para criar diferentes ambientes. A importância dos quadros ou bibelots para transmitir a tua personalidade, dar a tua marca ao espaço e a sofisticação que se pretende. Como valorizar e destacar moveis antigos e os equilibrar num ambiente moderno. O uso das plantas de interior para suavizar e embelezar a casa. Compreendi que o importante está nos detalhes e pormenores e é isso que transforma um espaço numa casa. E a tua casa é o teu refúgio, o teu porto seguro onde te sentes aconchegada e querida enfim o teu lar.

Um livro inspirador que te ensina, motiva e dá ideias brilhantes.

Li hoje que a empresa Laura Ashley que existe desde 1953 foi vítima económica do infame coronavírus. Foi comprada pela Gordon Brothers, uma empresa gigante de investimentos. Fiquei triste pois neste mundo de tubarões ser peixe por mais exótico que sejas não sobrevives e és devorado. E o momento actual que vivemos está favorável aos grandes investidores.

Como escrevi naquela dedicatória só quero ter casas bonitas e ser feliz nelas, agradeço ao mundo Laura Ashley ter-me ajudado nesta missão.

Agora quero ajudar as pessoas a encontrar casas que transformem em lares para serem bem-afortunadas.

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16
Abr20

Sinais dos tempos


Amélia Folques

 

Estive no mundo das telecomunicações 30 anos. Entrei nesse terreno fértil logo que acabei o curso em pleno grande boom das telecomunicações, no enorme projecto da digitalização das centrais telefónicas em Portugal. A modernização da rede CTT e TLP estava a cargo da Siemens e da Alcatel, eu era colaboradora da Siemens.

Não posso dizer que tudo o que hoje nos socorremos para viver nestes dias estranhos e que nos apoiamos fortemente que são as tecnologias seja graças a estas duas grandes empresas porque já existia uma rede telefónica Nacional. Limitámo-nos a enriquecê-la, agilizá-la e modernizá-la.

Fui da Siemens para os CTT que foram TP que foi PT que passou a Meo e por fim Altice.

Nesses tempos entraram facilidades nos telefones fixos impensáveis para as pessoas: aviso de chamada em espera, voice-mail, identificação do número ou números confidenciais, facturação detalhada, lista telefónica, etc e etc. No meio de tanta sofisticação havia um modelo de telefones da Siemens que tinha um visor onde se podia ver o outro interveniente. Este telefone não teve aceitação nos nossos clientes talvez pela estranheza para a época de tal funcionalidade ou pelo valor do mesmo, na Alemanha também foi descontinuado. Suponho que na altura a videoconferência fosse simplesmente demais.

Seguiram-se os faxes, bips´s e telemóveis de "chumbo", depois vieram os modens com as suas luzinhas e apitos que nos ligavam à net. 

Aí surge a minha primeira experiência em teletrabalho. Recordo-me em noites de temporal na Madeira de pijama em casa ligar o modem estabelecer a ligação ou melhor desligar e ligar 100 vezes e depois aceder à central digital para ver os alarmes que havia para distribuir pelas diferentes equipas de prevenção. Era uma empresa que privilegiava sempre o serviço ao cliente. Geralmente eram problemas de transmissão ou de energias e as povoações ficavam isoladas.

Apareceram as salas de videoconferência. Cheguei a ser responsável operacional pela unidade do Funchal, eram umas salas sonorizadas e bastante sofisticadas que alugávamos aos clientes para fazerem reuniões com os seus parceiros de negócio noutros pontos do globo. O que se aproxima mais ao actual Zoom ou Hangout, mas saindo do conforto e descontracção do nosso lar e tudo feito com outro protocolo e rigor que o ambiente assim o exigia.

Com a tecnologia móvel tudo cresceu, os telemóveis foram evoluindo ficando cada vez mais robustos, aperfeiçoados e com funcionalidades inimagináveis. Dando-nos o que nem precisávamos até ao dia de hoje.

E entrou a fibra e tudo deu novo pulo. A rede ganhou outra fiabilidade, segurança e rapidez. Os computadores transbordavam aplicações, estávamos ligados por áudio e vídeo ou mesmo pela escrita era correio virtual e mensagens, jogos, programas para trabalho ou meramente recreativos, clouds, motores de busca, arquivos, informação de toda a espécie, etc. Mais uma vez foi-nos oferecido mais do que precisávamos e quantas vezes nos interrogamos para que serviria tanta parafernália tecnológica.

Até ao dia de hoje.

Quando estamos confinados à nossa casa e ela tem que ser o nosso lar e o nosso local de trabalho; ela tem que ser a sala de reuniões para reunir com o cliente; tem que ser o café para trocar impressões com os colegas de trabalho, amigos ou família; tem que ser o nosso ginásio; igreja; shopping; tem que ser a sala de aulas dos mais pequenos ou universitários; tem que ser o recreio da escola e tantas outras coisas mais que a vida nos desafia neste infame momento e nós com a nossa imensa capacidade de adaptação nos reinventamos.

Com todo o meu espanto constato que estive toda a minha vida profissional envolvida para preparar o país para este momento da História da Humanidade como colaboradora de uma empresa de telecomunicações.

Já não trabalho para a Altice agora faço algo completamente diferente, mas que me dá imenso gozo e prazer, sou consultora imobiliária. A palavra teletrabalho ganhou nova dimensão. Na minha nova actividade profissional só tenho que agradecer às empresas de telecomunicações que facultam a possibilidade de todos nós podermos continuar com a vida profissional; que possamos dar apoio e comunicar com a família, grupo de amigos e colegas de trabalho quer seja por voz ou via outra plataforma que forneça o serviço áudio e vídeo; que os mais novos possam continuar com o seu projecto pedagógico e educativo; poder fazer compras que de outra forma é impossivel; usufruir de aplicações de lazer ou outras que nos fazem aprender, crescer ou só mesmo entreter.

Agora vejo-me a falar com os meus clientes a propor reuniões via internet, a sugerir open houses virtuais ou visitas virtuais aos seus imóveis, a querer vídeos do interior do mesmo porque a situação assim o exige e convém colocar no link de promoção do imóvel toda a informação possível e mais alguma porque até há quem compre casa via internet. Algo que seria irreal no mercado Português.

Encontro-me associada a uma empresa americana e constato como eles já aproveitavam e exploravam todas as plataformas tecnológicas em proveito do negócio por isso se encontram num nível muito superior ao nosso, a vantagem é que se aprende imenso com eles. Nós somos mais da proximidade, do olhar directo, do “tacto”, da informalidade, estes comportamentos já estão a ser alterados por outros mais distantes e técnicos sendo igualmente funcionais e produtivos. Nada vai ficar como era dantes.

Só penso como seria este planeta se o diabo do Corona vírus tivesse aparecido há 30 anos. Se o país está quase parado aí teria afundado completamente e a palavra confinação ainda seria mais dura, mais pesada, mais pobre e mais só.

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