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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

26
Dez17

À mesa....


Beia Folques

natal2bportugues.jpg

 

Nunca fui boa a aturar fretes. Depois dos 50 anos ainda fiquei mais exigente comigo, selectiva em relação aos outros, mesmo refinada.
De todos os desprazeres que tenho que gerir existe um que não cedo. Sentar-me à mesa com gente que me prejudicou, que não gosta de mim. Gente mascarada, indivíduos dissimulados, pessoas de diversas faces, oportunistas de ocasião, basta que eu sinta que há algo errado e está tudo estragado. Tudo menos isso. A hora da refeição é sagrada, se for para ser partilhada que seja com gente de bem, que me identifique, que esteja com o mesmo espirito que eu. É um sacrilégio comungar esse momento em nome de uma paz podre, de um ensaio de harmonia fictícia, de um acto de hipocrisia social, profissional o que seja, até mesmo com a desculpa de ser Natal.
Não toco no mesmo pão, não bebo do mesmo vinho ou água de alguém que só atravessou a minha vida para me “ferrar”, ou usar, que não me respeita nem me considera. Gente que encara os outros como peças de algum jogo em que podem manipular, forjar resultados para proveito próprio ou só para o gozo de desacreditar e de prejudicar alguém. Não colaboro em cenário de demonstrações de um medíocre poder, de amizades ou simpatias de ocasião, de manifestações de uma vã vitória.
Admiro gente que faz da hipocrisia uma arte de viver, por vezes é tão visível, tão latente que se sente. Admiro gente que faz de conta que não é nada com ela, que não é o objecto dessa má-formação, que é imune a esse sentimento. Pois eu não o sou nem me sujeito a isso.
Na minha mesa só se senta quem eu reconheça que seja digno de tal. Reservo-me a este direito porque sobretudo à mesa sou eu, franca, generosa, descontraída. Se for caso disso até dou o meu prato de comida e quero gente assim comigo. Gosto de pessoas que estão nesta vida para dar e não para subtrair. Para enriquecer os outros e enobrecer as relações humanas.
Porque a mesa é partilha, comunhão, alegria e tem que ser desfrutada em paz. Pratico esta máxima todos os dias do ano e não há excepções. Lamento mas nem nesta época. 

natalportugues2.jpg

 

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