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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

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Amelices e outros estados de alma

30
Nov18

Bolas de Berlim.


Amélia Folques

Bola-de-Berlim.jpg

Estamos a entrar no mês das festas como se diz na Madeira, Dezembro.

Aquele mês em que somos “obrigados” a pensar no outro. Não sei se é por causa da pressão dos meios de comunicação, das Tv´s com os seus programas de sensibilização para outras realidades. Geralmente gente com vidas mais débeis e frágeis que as nossas, mais desfavorecidas e precárias. Vem aquele momento de aperto no coração que é o Natal dos Hospitais. Também surgem toda a sorte de peditórios, movimentos de recolha de roupas, brinquedos ou comida para ajudar alguém a ter um Natal mais feliz ou mesmo digno.

Ajudar os outros para mim não é difícil, sou solidária e as tristezas ou infortúnios alheios tocam-me sempre. Talvez porque tive uma mãe que me ensinou a importância do dar.

Fiz a 2ª e 3ª classe na Guiné Bissau. Ser branca e católica era minoria, 90% das crianças era nativa da Guiné. Facto que para mim não era problema e para os meus pais também não. Não havia problemas de integração, lá íamos com as batas brancas, não havia mochilas de marca, nem ténis sofisticados. Tudo feliz, tudo homogéneo embora fosse a verdadeira mixórdia cultural e religiosa. Dos poucos indícios de estarmos em território Português era cantar o hino de manhã e a língua ser o Português. Aprendia, estudava, brincava, não havia insultos, “bullying” ou agressões verbais ou físicas. Esta era a escola primária em Bissau.

Só notei que era privilegiada numa festa na escola, não sei se era o dia de Portugal que se festejava. Nessa festa eram distribuídas Bolas de Berlim a todas as crianças. E eu como criança que era ia lançada comer a minha Bola de Berlim. A minha mãe que lá estava disse-me para deixar o bolo no tabuleiro para outra criança que tivesse menos oportunidade de a desfrutar do que eu. Na altura achei a atitude da minha mãe uma violência. Com o tempo percebi a mensagem, fazer o bem e sobretudo não olhar a quem. A minha Bola maravilhosa provavelmente foi deliciada por uma menina/o talvez branca, mestiça ou preta, talvez muçulmana ou de outra religião africana, talvez o pai lutasse do outro lado do conflito, que interessa …

E esta foi uma das licções que a minha mãe me deu, e era assim que levava a vida, a ajudar família, amigos, desconhecidos.

A minha mãe não era de dar presentes extravagantes mas a porta de minha casa sempre esteve aberta a quem precisasse, dava a mesa, abrigo, géneros ou dinheiro, um conselho, uma palavra. Enfim oferecia uma doce bem redonda, cremosa e dourada Bola de Berlim …

Vamos lá entrar em Dezembro com o nosso coração bem recheado de coisas doces, ternas e reconfortantes para dar.

2 comentários

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    Amélia Folques 03.12.2018 14:12

    A maior verdade sobre ajudar é que acima de tudo é bom para nós. Ajuda-nos a ser mais felizes, menos centrados em nós e compreensivos. Só beneficios
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