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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

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Amelices e outros estados de alma

31
Out17

Pão-por-Deus.


Beia Folques

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Detesto estrangeirismos, incomoda-me a vontade do povo Português em absorver os usos e costumes de outros povos que não têm nada a ver com a nossa forma de estar em desfavorecimento da nossa cultura popular. Um caso francamente imbecil é o famoso Halloween, caramba nem a palavra é Portuguesa, nem se deram ao trabalho de transformar em Haloeada, Haloivada ou outra coisa qualquer.

 Em Portugal para o dia 1 de Novembro já temos a festejar o Dia de todos os Santos e o dia de Pão-por-Deus.

O Pão-por-Deus é uma tradição muito antiga em Portugal. A melhor interpretação que encontro para a origem desta celebração é que originalmente era um peditório cujas esmolas eram para os mais necessitados em nome das almas dos parentes e desta comunhão nasce o Pão-por-Deus. Estas práticas caritativas tão presentes na nossa cultura e a evolução dos tempos levaram ao que hoje é o Pão-por-Deus.

Sendo hoje em dia uma festa para as crianças, a garotada saí à rua e junta-se em pequenos grupos para pedir o Pão-por-Deus porta a porta. As mães fazem os saquinhos, os saquinhos são em pano com uma corda a fechar à semelhança dos sacos de pão comuns ou já não tão comuns mas os tradicionais, só que em tamanho mais pequeno e decorados para a ocasião. As crianças batem às portas das casas e pedem o Pão-por-Deus com um verso apropriado, as pessoas oferecem bolinhos, guloseimas, rebuçados, castanhas, figos secos, maças, nozes, amêndoas, romãs, as oferendas variam dependendo da zona do país. Quem não dá uma oferenda leva com uma praga em forma de verso.

Também em certas zonas do nosso país era tradição os afilhados visitarem os padrinhos e esses oferecerem um santoro ou brindeiro, que é um pão doce. Actualmente será mais um pretexto para os padrinhos darem algo aos afilhados e não um pão doce certamente.

 Na Madeira esta tradição mantem-se muito viva e é cultivada nas escolas, no Continente nem por isso. O famigerado, comercial e carnavalesco Halloween tomou conta do dia.

Questiono as famílias que já tiveram essa tradição, as escolas que deveriam acima de tudo ter o dever de ensinar, cultivar e preservar a nossa cultura popular o porquê de não haver interesse em manter a tradição do Pão-por-Deus. Constata-se é a promoção entusiástica de algo que não é nosso. Eu sei que a nossa festa não tem o carácter folclórico do Halloween, não mete caveiras nem bruxas, morcegos, nem doçura ou travessura. Temos uns versos para dizer na altura de fazer o suposto "peditório" mas não mete adereços e efeitos especiais. Gosto mais da nossa tradição é mais genuína e autêntica. Vai há essência da celebração, ao real motivo do dia que é o encontro do dar e partilhar entre humanos e não na celebração de bruxas.

Este texto é para a minha afilhada Clara (Funchalense) que está a estudar em Lisboa e diz muito triste aqui em Lisboa ninguém sabe o que é o Pão-por-Deus.  

3 comentários

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    Beia Folques 31.10.2017 14:02

    Já li o teu texto e recomendo vivamente. Diz tantas verdades envoltas em humor. Sem ser fracturante é pertinente e levanta muitas questões..
    Lembraste-me de Munique, vivi lá e é uma cidade fabulosa em todos os sentidos e católica, temos em comum algumas tradições e feriados religiosos. Como se aproxima o Natal podes falar de algo que me encanta na Alemanha(em especial Munique) as feiras de Natal, o ambiente, o cheiro, a animação, as maças caramelizadas e o vinho quente.
    Adorei o teu "Ein deutsches Requiem, Op.45" de Johannes Brahms, simplesmente wunderbar. Danke schön.
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    Robinson Kanes 31.10.2017 15:53

    Grato :-)

    Não é uma cidade apaixonante, mas tem um efeito especial em nós. Isso faz-me gostar muito de Munique.

    Os mercados de Natal... Isso sim é Natal, e na Alemanha nem se fala, melhores que em qualquer outro país. Só consigo beber "glühwein" na Europa Central, de facto. Confesso que os mercados que mais me apaixonam são os de Nuremberga (bem perto) e o de Dresden... Aliás, Dresden é a minha cidade de eleição na Alemanha, mas sem aquele frio da Saxónia de preferência.

    P.S: Esqueci-me dos "lebkuchen"... A minha perdição.
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