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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

15
Dez17

O azul perfeito do Lápis-lazúli .


Beia Folques

lapis-lazuli-11.jpg

 

O azul tinge a tristeza. Escuro como o mar de Inverno que me traga.

Impiedoso e monstruoso na sua frieza. Vem de assalto, toma-me, esmaga.

Fico sujeita à sua crueza. Rasga a eterna chaga.

 

Como a cor desta caneta, que me liberta, desta angústia que me desorienta.

Como se esta folha imaculada fosse uma bóia para me salvar.

Escrevo sem nexo, como se a minha alma fosse analfabeta.

 

De Lápis-lazúli se faz a cor do presente.

Fria e protectora a cruz que jaz no meu peito,

Feita dessa pedra que me sequestrou lentamente.

De azul abismal raiado de ouro perfeito.

Não haveria tristeza tão dolorosa se não houvesse amado tão profundamente.

 

Assim como a imensidão do mar que me quer devorar.

Tive as estrelas douradas no crepúsculo para me encantar e a ti para amar.

 Agora para recordar.

 

14
Nov17

Como nasce o amor....


Beia Folques

amoe_é1.jpg

Uma jovem dizia-me triste que tinha acabado com o namorado. Ele era amoroso, ele tinha tudo mas…

Acho que de namoro ainda tinha pouco, andaram cerca de 2 semanas.

Então o que houve, o que falhou para a relação não ter ido adiante questionei. Porque não era aquilo que ela queria. Enfim faltou o fogo-de-artifício, a música de fundo, brilhos, a harmonia celestial, faíscas.

Até a entendo pelo menos o primeiro amor tem que vir com isto tudo. Uma falta de ar, o coração aos pulos, borboletas dentro e fora de nós. Toda a paisagem é tomada pela dimensão da nossa paixão, não cabe espaço para mais nada. Um desassossego, um nervoso miudinho constante.

Porém o meu lado racional abanou-me e lembrou-me que as relações mesmo as amorosas podem se construir aos poucos, ganhando a confiança um do outro, amizade, apoio, corpo, estrutura.

Nem tudo começa num fulminante “flechazo”. Nem tudo vem com efeitos especiais e sonoros. Há relações amorosas bem sólidas que nascem não num cruzar de olhos nem num momento ou num dia e sim no dia-a-dia, dia após dia. Com calma, ponderação e determinação.

Mas quer venham de rompante ou de mansinho uma certeza terá que existir, o sentimento que nutrimos pelo outro tem algo especial e que vale a pena investir nessa relação.

O outro tem qualquer coisa que interessa descobrir, conhecer. O outro tem aquilo que nos enriquece, complementa, nos equilibra. Que os dois juntos somos melhores do que cada uma das partes.

Isto do amor não vem com receita, não tem lógica nem razão e nunca se sabe como pode começar.

Mas sei que assim como diz Antoine de Saint-Exupéry se houver o sentimento:

- Se tu vens às quatro da tarde. Desde as três eu começarei a ser feliz.

Só pode ser amor.

E é tão misterioso como a sua origem:

- Não lhe direi as razões que tens para me amar, pois elas não existem. A razão do amor é o amor.

09
Nov17

Asas de Mãe


Beia Folques

mae_asas.pg

Os nossos filhos são as nossas alegrias e as nossas derrotas. Eles são “nós” e neles existimos. É uma relação feita noutra dimensão nasce no momento da concepção e perdura eternamente, é como se o cordão umbilical nunca sofresse o corte. Encontram-se em nós cravados.

Nunca desistimos, amando, cuidando, protegendo, educando, criando, ensinando e insistindo, persistindo, estando com eles em todos os momentos. Por eles lutamos quando travam as suas lutas, ganhamos quando ganham e aceitamos derrotas quando perdem mas sempre os amando, dando coragem, alento e força. As suas dores, medos e fraquezas, assim como as alegrias e conquistas são as nossas. Tudo se vive através deles.

Temos que aparentar despreocupação, bravura e ligeireza estando nós por vezes tão perdidos. Quantas vezes houve que nos sentimos desprotegidos e demos protecção, inseguros e demos segurança, emprestando alegria e entusiasmo quando na realidade nos sentimos um trapo. Temos que ser sólidos quando nos apetece esfumar. Como se fossemos sábios e eternos numa luta constante de dar sentido, visão, conselhos, norte à vida esquecendo as nossas vulnerabilidades e escondendo as nossas fragilidades. Tentando ser modelos na crença absoluta que se educa através do exemplo. Colocando-os sempre em primeiro lugar, tantas vezes adiando a nossa vida.

Amar um filho é poderoso, fetal, irracional, incondicional, doloroso mas é o sentimento mais puro mais abnegado, altruísta, que se pode ter. É uma ligação que nasce do instinto, que não tem regras, que não conhece limitações. É o elo mais forte que se sobrepõe a todas as outras relações. É um vínculo indestrutível, nasce da necessidade de amar plenamente.

Talvez sagrado porque é algo divino.

Serei só eu ou é sempre assim?

 

Imagem: Alas de madre.

              Dario Castillejos. Cartonista Mexicano

               

 

20
Out17

I want you to want me - Cheap Trick


Beia Folques

ctrich0.jpg

Nas minhas idas e vindas de carro oiço muita música na rádio. Aconteceu esbarrar nesta I want you to want me dos Cheap Trick. Fiquei com o refrão a ecoar na minha cabeça, ao fim do dia acabei por parar para pensar porquê. Talvez porque seja tão difícil amar alguém que se ache auto-suficiente, concluí. 

I want you to want me

I need you to need me

I'd love you to love me

I'm beggin' you to beg me

I want you to want me 

Um namorado, marido, amante, companheiro o que seja que se ache auto-suficiente, hermético, fechado e reservado, que esteja revestido de uma armadura está ausente, indirectamente sabotando a relação.

Não se quer revelar, esconde-se e protege-se atrás da sua aparência soberana. Mas que erro se o outro o ama, protege-se de quê? Não será uma boa ocasião para depor as armas.

 A vantagem de alguém te amar é que estás automaticamente liberto da carga do julgamento fácil, da punição, da avaliação negativa e caustica. És aceite pelo que és, com toda a carga boa e os dissabores que te completam.

Só desnudando as nossas fragilidades, expondo o nosso eu, abrindo o nosso interior é que nos damos a descobrir. Só assim a relação pode crescer, a partir da revelação, confissão completa e sincera do que vai em nós, e ser algo a dois, a partilhar, a comungar.

Amar é o acto mais desprendido e generoso que existe. Se o outro é relutante em te aceitar como és, condena-te de uma forma velada ou não os teus erros, medos, transgressões, exageros, culpas e faltas então não é amor, é outra coisa qualquer.

Como se vive com alguém auto-suficiente, tudo o resto é dispensável, tu és acessório, não és crucial? Como se chega ao outro se o outro tem um muro? Como podes pedir ajuda, apoio, se o outro não te pede? Como clamas atenção e amor se o outro não exterioriza esse tipo de sentimentos? Como mostras as tuas limitações, medos se o outro nunca os tem? Como imploras, como suplicas, como “gritas” se não fazem parte da linguagem do outro nenhuma destas expressões? Como dizes sinto a tua falta, tenho saudades se o outro nunca o verbaliza? Limpa-me as lágrimas se o outro nunca as verteu? Como se pede um abraço se o outro está refém dentro da sua torre de marfim?

Eu em particular preciso de me sentir útil, que o meu contributo seja uma ajuda, um apoio. Que recorram a mim, para eu poder dar amor, carinho, uma palavra, um sorriso, conforto. Tenho necessidade absoluta em estar lá para o objecto do meu amor, tenho uma necessidade primária que o outro se socorra em mim e o reconheça. Que necessite de mim, que precise de mim, que tenha a generosidade de pedir-me algo, o que seja, para que eu possa saber que sou peça importante nesta relação. Para me sentir valorizada porque o outro conta comigo, preciso desse protagonismo.

Uma relação é feita de meias partes que formam um todo. Não pode ser só um o vulnerável, o exposto e o outro a figura de corpo presente, impenetrável, auto-suficiente e orgulhosamente independente.

 Para a relação ser biunívoca, este processo tem que fluir nos 2 sentidos. Sem armaduras, sem falsos discursos de auto preservação, sem reservas. Com uma mão cheia de nada para receber e um coração cheio de tudo para dar. Quero olhar nos olhos do outro e ver o interior, não estarem embaciados e a atitude não seja de independência e distancia. Como o estar próximo fosse uma violação do espaço e da liberdade do outro.

Porque precisamos do outro para viver e só podemos pedir esse compromisso se o outro também estiver disposto a isso, a comungar, a dividir, a partilhar, a socorrer.

Ninguém quer ser sempre a parte fraca por isso este tipo de relações dificilmente sobrevivem. Em boa verdade a parte fraca foi sempre a parte mais forte. 

18
Set17

Bancos de jardim - Notting Hill


Beia Folques

notting-hill-bench.jpg

Ontem revi "Notting Hill" pela milésima vez. E nem por coincidência do meu texto da semana passada revisitei esta cena maravilhosa de um banco de jardim.

 

"For June who loved this garden from Joseph who always sat beside her. Some people do spend their whole lives together."

"Come and sit with me."

 

Vejam e apreciem. Nice garden.

 

13
Set17

Bancos de jardim.


Beia Folques

jardim1.jpg

Gosto de jardins. Costumo frequentar um jardim que é perto do meu local de trabalho. Sempre que posso e o tempo colabore vou até lá descomprimir, passear. Por vezes almoço no jardim, sentada num banco ou mesmo sobre a relva.

 Este fascínio por jardins não é de agora. Sempre que posso visito um, ou se estou a fazer um determinado percurso que tem um jardim próximo lá vou eu, atravesso um desses espaços maravilhosos, que são um prazer para os sentidos.

 Tenho especial gozo em ver as pessoas a passear os seus cães, brincar com as crianças, no seu exercício físico diário, ou somente desfrutando da paz e da natureza daquele local.

Mas de todos os frequentadores de um jardim aqueles por quem tenho especial afecto e simpatia são os casais de namorados, apaixonados que lá estão em verdadeira comunhão com o amor e a natureza. Invariavelmente quando passo por eles sorriu, conseguem tirar-me um sorriso de cumplicidade, por me darem a alegria de ver uma demostração de amor tão inocente e voluntária, genuína e simples. Por vezes em locais mais recônditos outras vezes  desafiadoramente expostos á vista  de todos. Completamente ausentes e abstraídos de quem os rodeia. O que me enternece sempre é que estes casais estão tão absortos neles, embora o espaço seja público e mais ou menos frequentado, eles ficam revestidos por um manto que  torna as pessoas que circundam invisíveis para eles, estão num Mundo lá deles. Perdidos dentro da sua paixão.

Quantas juras de amor, promessas de um futuro juntos e vitorioso um banco de jardim já ouviu? Quantos beijos apaixonados ou abraços intensos foram lá dados? E as gravações feitas a canivete que são a testemunha de um amor eterno  ficam assim eternizadas num banco de jardim ou mesmo numa árvore, existe algo tão pueril e doce como esta expressão de amor?

A magia do jardim não é só a sua arquitectura paisagista, os seus jardins cuidados e floridos, o elemento água: os seus repuxos, fontes, cascatas. Os animais que por lá andam, ou mesmo os passarinhos que juntamente com o som das folhas das árvores quando dá um vento são a orquestra perfeita para ouvir num jardim. A principal magia de um jardim são as pessoas que o gozam e os amantes que se entregam.

Para quê estátuas ou monumentos num jardim se podes ter imagens reais tão belas e expressivas?

Ainda ontem fui ao “meu” jardim e deparei-me com um casal que costuma lá ir. O banco  de jardim que costumam estar sentados geralmente é o mesmo. Gosto de os ver, não sei se são casados, amigos coloridos ou não, namorados mas nota-se a o seu entendimento e sua cumplicidade nos pequenos gestos e olhares, como tocam os ombros. O curioso é que não são um casal de jovens e sim um casal de cerca de setentas e muitos que se sentam ali naquela comunhão de sentimentos.

Vê-los renova-me a fé que este sentimento não se gasta nem se perde com o tempo, nem com a idade. Não há limites para se amar num banco de jardim.

18
Jul17

Não somos ilhas.


Beia Folques

m cepeda1.jpg

Fui tomar um café com uma amiga, conversando comentámos sobre o afastamento de uma amiga em comum. Estava com namorado novo essa amiga em comum. Embora tivesse essa relação recente nem por isso parecia mais feliz, surpreendentemente tinha-se isolado de todos nós.

Pensando nesse caso cheguei á conclusão que um sinal nas relações a dois que indica que a relação é tóxica, venenosa mesmo, é quando um dos elementos que a constituem tenta afastar o outro do grupo de amigos ou da família. É um alerta urgente de ser analisado que facilmente se confunde com o outro nos amar tanto que só nos quer para ele, ter tanto interesse e necessidade que todo o tempo é gasto só e exclusivamente com o outro.

Se tens uma relação amorosa e essa pessoa não te apresenta os seus amigos ou a família, não te introduz no seu mundo, no seu núcleo de amizades e afectos alguma coisa está errada. O mesmo acontece quando não se quer que o outro tenha amizades, conviva com os seus entes queridos até então.

Os teus amigos te definem e acrescentam algo á tua personalidade, moldam o teu estilo de vida, expressam a forma de estares na vida. Só conheces verdadeiramente o outro se conheceres os seus amigos e família, só conheces o outro se conheceres o ambiente onde se desenvolveu e cresceu. Os amigos e a família dão-te estrutura, corpo, são pilares de ti. São o passado e presente.

 Se estiveres com alguém que te afaste e tente negar essa parte de ti é porque não quer conhecer-te verdadeiramente, a tua essência. Pode querer muitas coisas mas não é o teu verdadeiro eu. Só ama parte de ti, egoisticamente não te quer como um todo.

O mesmo se aplica quando estás com alguém que não te quer incluir, envolver no seu grupo de amigos ou família. Não se quer dar a descobrir, a revelar, a desnudar a sua pessoa. Reserva-se e não se expõe. Nunca o conhecerás a sério.

 Se os dois mundos não coexistirem e ajustarem-se, fundirem-se ficarás sempre fracturado.

A relação é superficial e desequilibrada. Pois excluirmos quem nos apoiou, esteve lá connosco e para nós, com quem partilhámos momentos bons ou menos felizes é como nos amputarmos. Não somos ilhas, e toda essa gente que nos acompanhou até termos uma nova relação amorosa tem um pouco da nossa história para contar e algo a acrescentar.

Com eles crescemos e vivemos por isso toda essa partilha de informação com o objecto amoroso da nossa relação é uma mais-valia para nos desvelar aos olhos dele. Por vezes de uma forma positiva e correndo o risco de também poder ser negativo.

Mas ninguém é perfeito nem os amigos, nem a família. Mas são parte de nós, formamos um mundo e não uma ilha.

 

Pintura: Margarida Cepêda

28
Jun17

E sobre jogos malvados...ganhar, perder


Beia Folques

Balthus.jpg

 

 

A revisitar hoje o Chris Isaak e a ouvir Wicked game ocorreu-me este texto. O que é estranho é na música ser o lamento de um homem, geralmente são eles os trapaceiros neste jogo.

O ir de menina a mulher é um processo difícil e doloroso, porém necessário. A experiência amorosa é inevitável, mas tem que se tomar alguns cuidados.

Nunca começar a jogar “blackjack” ou roleta russa sem passar nas “slot-machines”. Pensa nas tuas limitações, não te metas com o desconhecido, não arrisques demasiado, no fim não perdes dinheiro, mas a dignidade, amor-próprio, objectividade. Identidade e equilíbrio.

O amor pode ser um jogo sujo, rasteiro onde um manipula, subjuga o outro.

Após lançados os dados nesta partida existe quase sempre um jogador mais fraco, submisso, inexperiente que fica a bel-prazer do outro. Rapidamente fica-se viciado neste jogo, dependendo da próxima jogada, cartada. Esperando sofregamente que a sorte mude e passe a ser uma peça importante neste xadrez. Quantos xeque-mates se pode sofrer? A quantos se pode sobreviver e continuar a jogar.

Sequestrada neste jogo de sorte e de azar, está-se amarrado ao parceiro de “mão”, afeiçoando-te a este jogo, num crescendo sentimento de lealdade, cumplicidade e sujeição perante o outro apostador.

A falácia, armadilha deste jogo é que quem domina a arte permite que ganhes esporadicamente para teres o sentimento que podes igualar a “parada”. Ganhas de vez em quando para te prender nesta obsessão Achando que estás a ganhar, o teu esforço, empenho e dedicação estão a vencer, e assim vais sendo manipulado nesta trapaça. E continuas esperando que o próximo lance te seja favorável. Alucinado, viciado não vês que este jogo está adulterado. Nunca poderás igualar o outro porque te falta experiência, não sabes controlar as tuas emoções, não estás preparado.

A mestria de um jogador é controlar as suas emoções, saber gerir o tempo, prever, antecipar as tuas jogadas. Sendo ele o teu professor és um livro aberto, conhece o teu baralho, as tuas feições e expressões, o teu desespero, as tuas fragilidades.

Mesmo que um “croupier” mais solicito te alerte para o abismo emocional que este estado te leva, não ouves, não queres ouvir nem reconhecer a tua condição.

Amar neste jogo é um sentimento reles, tortuoso. Passamos a depender egoisticamente da existência do outro. Como se só fossemos felizes se o outro o for, mesmo que as suas necessidades não coincidam com as nossas, mesmo que o outro não oiça os nossos gritos surdos de atenção. Pois não passa pela cabeça fazer qualquer tipo de ruído, barulho na verdadeira acepção da palavra, o incomodar o outro neste estado de dependência, é algo perfeitamente improvável, amar assim é doloroso e solitário.

Só reconhecemos a nossa derradeira derrota quando já não existe força anímica para executar a próxima jogada. Como se levantar a alavanca da máquina, premir os botões, lançar os dados, baralhar as cartas, o cavalo ou o bispo pesarem como figuras reais. Tudo é um esforço monumental.

Um dia temos a lucidez que neste jogo não existe paridade, a balança pende sempre para um lado e esse nunca é o nosso, e sempre para quem ganha.

A derrota foi sempre nossa. A partir desse momento aprendemos a jogar só com alguém que jogue o mesmo jogo, com o mesmo baralho, com as mesmas regras. Nunca com um apostador mais experiente, astuto, oportunista.

  

 

Ps-cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Pintura: Balthus

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