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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

24
Jul18

Desabafos.


Amélia Folques

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Na minha busca incessante para encontrar o sentido ou a total ausência de sentido da vida encontrei algo que acho curioso que é o peso e a importância das palavras. Isto resultado das minhas poucas aulas de Yoga. A vantagem da Yoga é que nos trás proveitos físicos e abre uma porta para todo um mundo que devido à nossa vida mais ou menos turbulenta não nos debruçamos, o nosso cérebro e como ele nos domina.

A palavra pode ditar os nossos actos, por vezes indirectamente. Ao oralizar ou verbalizar mesmo que seja mentalmente uma palavra estamos a desencadear no nosso cérebro um conjunto de respostas ou acções de acordo com essa palavra.

Enfim essa foi a minha “discussão” ontem com uma amiga. Ela disse que estava “farta” de tudo que está a viver neste momento, efectivamente não se pode dizer que a vida dela no último ano tenha sido um mar de rosas, problemas de saúde vários e muito desagradáveis. Mas bolas está viva, a recuperar com amigos e família, com acesso a uma boa rede de profissionais, economicamente estável. Deve estar grata à vida e ao que a rodeia apesar de tudo, o saldo da balança é bem positivo. Em momentos de prova não está só, criou um conjunto de amigos sinceros e tem familiares que a apoiam. Tem mais do que talvez ¾ da população mundial: casa, comida, segurança. Além de ter todas as suas faculdades activas e tem dons que a maioria de nós não os têm como pintar ou escrever, apesar dos seus infortúnios recentes tem que estar grata à vida.

A palavra farta tem que ser substituída por grata ou agradecida, é urgente.

Logo pela manhã vinha a rabujar sozinha porque o sol anda preguiçoso, detesto casacos no Verão e adoro calor a estalar, um Verão a sério. Vinha no carro a ouvir as notícias e oiço os fogos na Grécia, lembrei-me da desgraça do ano passado, acho que ficámos todos irremediavelmente traumatizados com os incêndios no nosso país e pensei nas minhas lamentações matinais. Tenho mais que estar grata e feliz com este Verão bem ameno porque Verões escaldantes podem trazer resultados angustiantes, temos bem presente tempos desses.

Quando foi do debate sobre a eutanásia falou-se do caso mediático do cientista Australiano com 104 anos que considerava que a sua vida já não merecia ser vivida. Houve um amigo meu que me disse nessa ocasião que o Australiano deveria estar grato por estar vivo e poder ver o pôr-do-sol ao fim do dia. Estar grato nem que seja por ver a beleza infinita deste planeta que se repete diariamente, incansavelmente. Morreu a ouvir Hino à Alegria, da 9ª sinfonia de Beethoven e rodeado da família, questiono-me se não teria sido mais enriquecedor ter vivido mais algum tempo podendo desfrutar do amor e paz da família e ouvir o milagre fascinante que é a música. Este homem tinha tudo para estar grato e estava profundamente farto, exausto mesmo. Talvez porque tenha interiorizado sistematicamente a palavra cansado, farto, esgotado, desmoralizado…

É o núcleo familiar que exige esforço, trabalho, disponibilidade, compreensão e podemos estar fartos deste peso, dessa avalanche de exigências diárias. O sentimento é grato por existirem, preencherem a nossa vida, dar uma razão para seguir em frente sempre, sem eles a vida teria menos sentido, a bênção e paz que é esquecermo-nos de nós e poder focar em alguém dando amor incondicional, ter alguém para dar um beijo de boa noite ou mesmo um abraço para reconfortar ou mesmo mimar.

É o resto da família que basicamente está entretida em ver os teus deslizes, ou atropelos para poder apontar ou alvitrar inquisitivamente os teus insucessos. Mas basicamente é essa a sua função talvez por nos conhecerem desde sempre acham que podem-nos julgar facilmente devido à proximidade. E temos que estar gratos nem que seja por existirem e seguirem a nossa vida com tanto escrutínio, interesse e o tal dito afecto familiar.

É a selecção de gente ruim, mesquinha, desagradável ou amargurada que a vida nos coloca de vez em quando de forma a termos a perfeita consciência de não tornarmo-nos assim. Temos que estar gratos por cruzarmo-nos com eles para seguir sempre no caminho oposto a estes sentimentos.

É todo o nosso querido passado que correu menos bem em alguns aspectos e temos que estar gratos pelo que de pior aconteceu e assim aprendemos com os erros e ganhámos confiança e segurança em nós para enfrentar os desafios do presente com garra e ilusão e entusiamo para o futuro.

É o cão que larga pêlo, ladra ou lambe toda a gente e só faz confusão em casa, mas em vez de se enervar com o bichinho e dizer que está farto a postura é estar grato nem que seja quando chega a casa está lá o fofinho a saltar com o rabinho a abanar só de o ver. Chegar a casa e presenciar a alegria do animal dá uma satisfação imensa.

É as plantas de que tanto gostas mas estás farto de regar com cuidado. Mas quando florescem vez o teu trabalho recompensado, temos mais de estar agradecidos por ajudar a que este processo aconteça e dê flor. Gratos por fazer acontecer este pequeno milagre da natureza.

É tantas coisas que fazem parte na nossa vida e dizemos que estamos fartos, talvez porque não paramos para pensar que estão lá porque são a nossa rotina e ajudam a um certo equilíbrio. Ou mesmo aqueles acontecimentos que atravessam a nossa vida e ficamos logo saturados e eriçados e talvez ocorram para sabermos estimar o que existe de bom no nosso quotidiano e estarmos gratos pela vida que temos.

E assim sucessivamente…

Dizemos a palavra obrigada com alguma despreocupação, por vezes mesmo com desinteresse ou leviandade, quase automaticamente. Não lhe fazemos a devida reverência pois ela encerra um conjunto de sentimentos que nos enriquecem a gratidão por algo; o reconhecimento do esforço alheio; o interesse, o cuidado ou mesmo o amor que sentimos do outro por nós; a gentileza, a dedicação ou preocupação de alguém por um conhecido ou mesmo desconhecido.

Temos que dizer obrigada, sou grata mais vezes, do fundo do coração. Ter sempre presente o que estas palavras contém e repetir como um mantra, uma oração. Incessantemente para o nosso foco ser sempre: o amor e não o ódio, o que é bom e não o mau, o que nos dá paz e tranquilidade e não a agitação e turbulência, valorizar o “pão-nosso de cada dia” como algo único e inestimável, reconhecer o nosso nada perante o universo, apreciar tudo o que a mundo nos dá com os sentidos despertos.

Se interiorizarmos a gratidão certamente iremos desfrutar mais a vida. E o nosso obrigada, sou grata será dito não de forma automática mas sim consciente com todo o significado e sentimento que encerra.

Vamos dar ordem ao nosso cérebro para todos os nossos actos ou discursos sejam demonstração de gratidão perante: os outros, a natureza, a vida, o universo, Deus, o que seja. Temos muito mais para agradecer do que para sermos ingratos ou ressentidos. O retorno que esta constatação nos proporciona dá paz e serenidade, saúde física e mental.

 

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23
Nov17

A gratidão dedicada aos colegas/amigos de trabalho


Amélia Folques

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Tive um jantar com um grupo de colegas/amigos de trabalho, um prelúdio de jantar de Natal. Trabalhei com eles cerca de 5 anos e já me separei desta equipa faz mais de 2 anos. Mas continuo a manter uma relação com eles, nem que seja um almoço ou jantar 2 ou 3 vezes ao ano e algumas esporádicas chamadas de telefone. Sou-lhes imensamente grata pelo carinho com que sempre me trataram e pela amizade genuína, autentica que me dispensaram.

Vim parar a este grupo de colaboradores da “minha empresa” por mero acaso. Tinha vindo da Madeira e a companhia onde trabalho colocou-me nesta equipa. Era só assim um pouco do que fazia no meu trabalho anterior, mas percebi que havia muitas quintas e quintais plantados no Continente. Eu era uma planta forasteira nesta selva, houve quem se sentisse melindrado e apesar do discurso da mobilidade tão propagandeado, o resultado foi um logro. Não fiz ondas e aceitei o que me deram, e no meu melhor estilo pensei isto tem que melhorar.

Estava naquele momento a passar uma fase terrível na minha vida, tinha perdido a minha mãe, os meus filhos numa adolescência egoísta e turbulenta, a troika no seu esplendor. Era tudo tão cinzento, lúgubre, mesmo.

A sala onde trabalhava eram só homens, no início 8. Não me melindrei, estava habituada a trabalhar com homens. A diferença era que com quem já tinha trabalhado as relações tinham sido construídas ao longo do tempo que tinha exercido a minha função na organização, não era um elemento estranho á equipa. O que dizer, eles foram encantadores. Cada um com o seu jeito, a sua habilidade foram me conquistando. Fizeram de tudo ou quase de tudo para me sentir bem com eles, entre eles.

Comecei a ganhar especial carinho por aquele grupo,  pessoas tão diferentes entre si, com uma panóplia tão vasta de interesses, desde o clube de futebol, politica, motivações. Mas cada um me tocou de uma forma bem intima. Bem dentro de mim guardo todos aqueles cuidados que tiveram comigo. No início não tínhamos grandes conversas embora eu seja bastante extrovertida, reservava-me pois não sabia o que esperar deles. Mas acho que eles desde o início tiveram a sensibilidade para entender tudo o que estava a passar comigo quer em termos familiares e profissionais. Com calma me enquadraram no departamento onde estava, davam conselhos, ajudavam, com cautela e atenção, de leve. Depois, o tempo foi passando, foram se criando laços e quando dei por ela já falávamos de tudo, era o trabalho, os desafios, o chefe ou o sub-chefe, era a mulher, o pai ou os filhos, os netos, até a gata ou o cão, o hóquei ou o futebol, os zumbidos e as preocupações, as ervilhas com ovos escalfados os caracóis e a cervejas, sei lá, uma micro família. Já nos conhecíamos ao ponto de olhar e saber com que estado estávamos naquele dia, se estava tudo bem ou não, se algum problema atormentava, ou que alegria tínhamos sido bafejados. Foram cerca de 5 anos com eles onde o convívio era fácil e agradável de muita boa disposição, franca solidariedade e camaradagem e até de muito riso.

A “minha empresa” tem uma coisa fabulosa é que apesar dos desapontamentos, das frustrações que nos dá, somos brindados pela revelação  do que há de melhor nas pessoas e foi isso mesmo que eu tive ali naquele grupo. Fui presenteada pelo melhor dos meus queridos colegas/amigos.  Por isso sempre que há um almoço ou jantar até pode ser a meio da semana eu estou lá com eles.

Devo-lhes muito, até a minha sanidade mental naqueles tempos de profunda mudança na minha vida. Sou-lhes imensamente grata.

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