musica,livros,vida,amor,sol,bem estar,sociedade

Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

11
Set17

Cacilheiros


Amélia Folques

cacilheiro.jpg

Devia ter uns 8 anos quando vim morar para a região de Lisboa. Até lá tinha vivido em Angola, Guiné, Lamego, Vila Real de Santo António. Era assim uma espécie de cigana intercontinental, era e acho que continuo a ser.

Ao chegar a Lisboa lembro-me de perguntar aos meus pais se a margem Sul do Tejo era Espanha. Da minha experiência por terras Algarvias aquilo de duas margens de rio com um barco para fazer a ligação o outro lado só podia ser Espanha. Desde pequena sempre me encantou o Tejo e os cacilheiros.

Embora tenha vivido em Oeiras até aos meus 24 anos nunca tive grande proximidade e também não desenvolvi particular interesse pela margem Sul, basta dizer que nunca fui a uma praia da Costa da Caparica, ou nunca tinha visitado Almada, Trafaria ou Cacilhas, até mesmo o Cristo Rei. Tão perto e tão longe.

A única coisa que sempre tive curiosidade era atravessar o Tejo num cacilheiro, isso sim e desde criança.

A semana passada li a notícia que estava um cacilheiro à venda por 25 mil euros. Fiquei preocupada, daqui a dias já não existe nenhum na frota da Transtejo e eu nunca viajei num daqueles barcos tão característicos do nosso rio.

Sábado desprezei as minhas lides caseiras, as inadiáveis compras do supermercado, as rotinas do sábado de manhã e recrutei os elementos da família que estavam com vontade de fazer uma viajem de cacilheiro e uma mini incursão pela margem Sul. Lá fomos de manhã até ao Cais do Sodré apanhar o barco.  

A viagem foi excelente, o velho e cansado cacilheiro cumpriu a sua missão. A vista que temos ao atravessar o rio Tejo percorre a Ponte Vasco da Gama até à Ponte 25 de Abril. Lisboa é linda vista sobre aquele prisma e com aquela luz. Assim como a aproximação a Cacilhas se revela muito interessante. Tanto para ver e descobrir, é tão bom ver as coisas com outros olhos, por outros ângulos.

Após desembarcarmos em Cacilhas seguimos ao longo do rio. Apesar de a marginal estar decadente, os antigos armazéns ou fábricas que ali existiram estarem a desmoronar-se, tem um certo encanto. É interessante ver o que tinha existido atrás aquelas fachadas, algumas ainda com azulejos antigos e pormenores curiosos. No fim da marginal encontra-se o elevador panorâmico, ponto bastante atractivo, tem um jardim bastante simpático e cuidado. O elevador é envidraçado e durante a viagem temos uma vista fantástica sobre a margem Norte. O elevador Boca do Vento liga a margem do rio a Almada velha, a maneira mais fácil e simpática de visitar o Cristo Rei.

Para chegar ao Cristo Rei temos que atravessar Almada velha, é um passeio a pé de cerca de 30 minutos sempre a subir. Almada velha uma desilusão, suja com lixo espalhado pelo chão e pior ainda os passeios servem não para os peões utilizarem e sim é onde se estaciona os carros naquela cidade. Se tens problemas de mobilidade, se tens uma criança e necessitas de uma cadeirinha para a transportar, ou sofres qualquer outra limitação evita atravessar Almada, uma verdadeira gincana para os peões. Não percebo como numa rota turística como aquela a Câmara de Almada não se preocupa em respeitar os seus visitantes já para não falar em quem lá habita e dignificar a cidade com uma aparência cuidada e promovendo alguns princípios básicos de cidadania até mesmo higiene.

Chegámos ao Cristo Rei, este monumento tem 2 parques de estacionamento mas mais uma vez os carros estão no passeio, a dificultar a vida aos transeuntes. Mais uma vez não percebo a falta de cidadania dos nossos conterrâneos, aqui não se pode dizer que são habitantes de Almada e sim turistas nacionais ou não que se deslocaram de carro para visitar aquele monumento. Após mais uma odisseia chegámos ao Cristo Rei.

 Um panorama de tirar a respiração, lindo. Um ecran gigante, um postal. Não subi ao topo do Cristo Rei, mais uma vez as minhas vertigens traíram-me. Mandei a família tirar fotografias por mim e gozarem ao máximo com a vista. Pois se de baixo é magnífica no topo do Cristo Rei deve ser fantástica. Lisboa nunca decepciona, tivemos sorte pois estava um daqueles dias de luz sobre Lisboa, onde temos a certeza que a luz de Lisboa é única.

Vale bem a pena fazer esta mini excursão tão perto, tão acessível e tão reveladora da nossa cidade e arredores. O tipo de programa que vale para toda a família desde a mais pequena ao mais velho, ficaram agradavelmente surpreendidos.

Ainda passeámos mais um pouco, visitámos Cacilhas que é muito agradável.

No regresso viemos um pouco mais cansados, mas mesmo assim no barco foi mais uma sessão fotográfica a bordo. Quer na ida como no regresso os ocupantes do cacilheiro eram maioritariamente turistas não como nós Portugueses e sim estrangeiros. Eles então estavam rendidos ao trajecto.

Consternou-me identificar os poucos Portugueses que lá estavam e via-se que o usam como meio de transporte regular. A sua apatia, o seu desinteresse pelo céu, rio ou pela vista privilegiada que se tem das duas margens mais a vista das duas pontes é desconcertante.

É um graça poder desfrutar da beleza do Tejo e a sua envolvência diariamente. Até para aliviar a carga das nossas vidas convém não nos abstrairmos destas pequenas prendas que a natureza nos dá generosamente, são pormenores retemperadores e fonte de energia para o nosso quotidiano.

Boa semana

29
Mar17

O Estado é laico?


Amélia Folques

A Câmara de Lisboa pretende avançar com cerca de 3 milhões de euros para a construção de uma mesquita no coração de Lisboa. Desse valor do erário público metade é para expropriar edifícios que têm legitimo dono.

Lisboa apesar da maravilhosa, exuberante, cosmopolita e luxuosíssima Av. Da Liberdade é uma cidade pobre. Debate-se diariamente com problemas na reabilitação de edifícios, a salubridade não é bandeira na capital, é demasiado comum passear na cidade e deparar com situações de mendicidade e sem abrigos, a rede de transportes é um caos. Creches, jardins-de-infância, lares de 3ª idade não chegam para cobrir as necessidades. Combater a desertificação da cidade deveria ser prioridade, antes que tudo se transforme em fins para o turismo. Com tanto onde gastar os 3 milhões… Seria lógico que fosse de forma a dar melhor qualidade de vida a quem vive ou trabalha em Lisboa e eis que o dinheiro é escoado para a construção de uma mesquita.

Não percebo esta obstinação da Câmara de Lisboa ou que interesses escondidos estarão por trás desta obra?

A Câmara de Lisboa deveria agir em favor do interesse público colectivo do concelho, neste caso actua a favor de uma população específica. O presidente da Câmara e seus pares são políticos que por definição são homens públicos, que lidam com a chamada "coisa pública". A "coisa pública" é a origem da palavra República. A República necessita três condições fundamentais para a caracterizar: um número razoável de pessoas, uma comunidade de interesses e de fins e um consenso do direito. A edificação desta mesquita é para uso exclusivo de uma parte da população e não para toda a população, nem para um quarto da população que constitui os eleitores da Câmara de Lisboa, ataca direitos de posse patrimonial além do valor exorbitante que será gasto, dinheiro que é para ser usado na “coisa Pública”.

Já que acham tão necessário mais um local de culto do Islão na área de Lisboa porque não utilizar terrenos vazios nos limites da Cidade. Porque é que se vai pagar esta factura tão onerosa do dinheiro público incluindo a expropriação de património? Procurei na internet e na zona limítrofe e centro de Lisboa existem cerca de 23 mesquitas e locais de culto do Islão.

E que tal também promover outras religiões para sermos mais equitativos nesta distribuição de bens públicos e a Câmara de Lisboa tomar medidas e expropriar parte do Largo de São Domingos, ceder os terrenos aos Judeus para edificar uma Sinagoga em memória do massacre de 1506. Aqui fica a ideia.

 

A Câmara de Lisboa não se rege por leis do Estado, tem estatuto próprio que passa por não defender a “coisa Pública”, e também não é laica, conclui.

 

http://rr.sapo.pt/noticia/79621/nova_mesquita_camara_de_lisboa_aguarda_publicacao_em_dr_para_avancar_com_projecto

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Mais uma vez um fantástico texto, muito actual nes...

  • Anónimo

    Adorei o seu texto, sem dar por ela estava na minh...

  • Triptofano!

    Usar luvas não faz sentido nenhum - é preferível l...

  • cheia

    É pena que não dêem o exemplo! Mas, usar máscara e...

  • Amélia Folques

    é um livro encantador. Bjs

Mensagens

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D