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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

02
Mar18

Luz em Paris


Beia Folques

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Apesar deste Inverno rigoroso que assola a Europa, tive a felicidade de ter uns dias luminosos em Paris.

Quando fui levantar os bilhetes para subir à Torre Eiffel a funcionária da agência disse que estávamos com muita sorte pois há 2 meses que não se subia ao topo da Torre devido a falta de visibilidade e mau tempo. Cheguei á Torre Eiffel e olhei para cima, desisti de ir ao cimo. Por mais que me garantissem que era seguro e que a vista era deslumbrante, e que o próprio Eiffel tinha lá um simpático apartamento para receber os amigos, o meu pânico das alturas foi superior e fiquei no 2º piso, quem me acompanhava seguiu viagem até ao tecto do Mundo (pois deve ser essa a sensação de ir lá acima da magnifica torre).

A luz de Paris é linda embora desculpem o meu provincianismo mas a de Lisboa é insuperável.

O que me tocou e aqueceu mesmo em Paris não foi a luz natural mas sim a luz das velas nas Igrejas.

Ao contrário do nosso país em Paris acendem-se velas nos locais religiosos. Aqui não me perguntem porquê as velas tradicionais foram eliminadas e substituídas por outras em que se coloca uma moeda e acende-se uma “vela” électrica, e para meu horror já vi igrejas em que as supostas “velas” são activadas por uma APP. Só me apetece gritar e dizer: Cristo venha cá por ordem nisto!

Apesar da vista fantástica da Basílica Sacré Coeur e da beleza interior e exterior deste monumento, apesar da originalidade arquitetónica da Igreja de la Madeleine e sua riqueza e da imponência do altar onde se destaca uma peça magnífica em mármore branco com a Assunção da Santa Madalena, apesar da imensa dignidade da Catedral de Saint Louis des Invalides.

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Rendi-me a Notre Dame de Paris.

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É enorme mas sente-se uma casa de Deus. Adorei a sua mensagem Universal da Igreja Católica.

A começar pelos pequenos gabinetes em vidro à vista de todos onde tem um padre residente. Lê-se na porta destes espaços o nome do padre, as línguas que fala e o tipo de confissão que privilegiam. Confissão presencial, nunca tal tinha visto. Para mim todas as confissões só fazem sentido se forem presenciais, olhos nos olhos. Aquela coisa de estar num casulo a falar do mais intimo da minha vida, escudada atrás de uma treliça com alguém sem rosto faz-me muita confusão e também talvez por isso que nunca me confesse. Acho que foi a primeira vez em toda a minha vida que tive vontade de me confessar.

Gostei de ver as imagens dos meus Santos e Santas de adoração como o Santo António tão Português e do resto da Europa ou a minha Santa Ana e de tantos outros que são tão nossos como dos outros católicos espalhados pelo Mundo. Gostei de em todos eles haver a possibilidade de acender uma vela. Mas estimei sobretudo encontrar duas capelas de Santos menos convencionais para nós Europeus. Uma era uma capela dedicada a Nossa Senhora de Guadalupe e outra com toque asiático que é em honra de um Santo Chinês, Santo Paul Chen que se encontra enterrado nesta Catedral. Sente-se em todos esses pequenos ou grandes pormenores a Universalidade da Catedral de Notre Dame , não é o 1º templo Católico que sinto que esteja a viver para fora da sua comunidade mais próxima. Que queira ultrapassar os costumes do meio onde se encontra, derrubar a barreira da língua, o pequeno mundo dos seus paroquianos, uma igreja física que quer chegar a todos que lá chegam.

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Já vivi essa visão ecuménica de uma Igreja na Áustria, a Igreja de Santa Bárbara. Igreja Católica redesenhada pelo arquitecto Hundertwasswer, onde o maior rasgo de genialidade está nos 12  portões que representam as religiões mais representativas. Todo o templo e jardim encontram-se em perfeita comunhão e harmonia. Prezo e valorizo este esforço da Igreja Católica em ir mais além, em chegar a todas as pessoas, aos fiéis e não viver somente para os seus paroquianos.

Sentimento que me conforta é entrar num local de culto religioso e senti-lo como meu, Notre Dame sabe acolher um fiel.

A possibilidade de acender uma vela numa igreja é para mim dos actos com mais simbolismo, porque estamos a dar luz e a pedir luz, é dos poucos momentos na Igreja que interagimos. É colocar as nossas intenções quer elas sejam pedidos, dúvidas, temores, súplicas, reconhecimento ou gratidão naquela chama. É um pouco de nós que lá fica do muito que se pede ou se agradece. 

E não existe nenhuma Igreja em Paris que me negue esse prazer ou mesmo essa necessidade.

 

29
Dez17

Quero Luz.


Beia Folques

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Quero Luz para me ver ao espelho todos os dias. Quero ver os meus limites, observar os meus medos, encarar as minhas imperfeições, ter consiência do meu eu com total claridade.

Quero Luz para desvendar a cegueira provocada pela ira, pela cólera, pela revolta e não ser tomada por tais sentimentos que transformam a vida mais tortuosa e difícil.

Quero Luz para ter o discernimento de ver além do que parece ser, o que parece óbvio, do que a realidade nos transmite.

Quero Luz para descortinar o bem do mal, para contemplar a paz e não a guerra, testemunhar a verdade e nunca a mentira.

Quero Luz para poder entrever a sinceridade do logro, conseguir separar os princípios morais e valores humanos dos interesses egoístas e supérfluos

Quero Luz para manter afastada a decadência, o que não nos dignifica e a cobardia.

Quero Luz para não ser engolida pelas crenças medievais, pelo preconceito, pela ignorância, pela manipulação e bajulação, pelo prejulgamento, pela estupidez.

Quero luz para encarar a insignificância da condição humana.

Quero Luz para ver a balança e ser justa e ponderada, para poder sempre decidir claramente.

Quero Luz para olhar de frente o inimigo, os desafios e as lutas.

Quero Luz para que seja protecção para todas as formas do mal, como um escudo que me defende.

Quero Luz para me mover em segurança. Não pisar areias movediças, ir de encontro ao abismo.

Quero Luz para fortalecer o meu corpo, o meu carácter, a minha essência, a minha consciência, a minha determinação, o meu entusiasmo, a minha energia.

Quero Luz para apreciar o belo, a natureza, todas as artes, desfrutar dos 5 sentidos em completa harmonia.

Quero Luz para acontecer o milagre da sombra e nunca estar só.

Quero Luz para me indicar o caminho, qual farol que guia os barcos no mar e encaminhá-los para porto seguro.

Quero Luz para encontrar os olhos do outro e dizer obrigada, fazer um elogio.

Quero Luz para me surpreender com a vida, com a generosidade, o amor, os gestos.

Quero Luz para que a criança que existe em mim possa sempre brincar e maravilhar-se com o caleidoscópio.

Quero Luz para me aquecer, para que os meus abraços sejam mais reconfortantes.

Quero Luz para ser Luz dos meus entes queridos e de quem precisa de mim.

Quero Luz para atrair aqueles de quem amo e fiquem ao meu redor.

Quero Luz suave e reconfortante das velas, da eficácia das lâmpadas, da objectividade da lanterna, das cores de uma fogueira, do calor de uma lareira, da potência dos archotes, da singelesa da lamparina. Quero Luz com a graça de um balão iluminado e delicado Chinês. Quero luz Suprema e Divina. Quero Luz abrasadora do Sol ou da discreta e imponente da Lua, nem que seja a longinqua e cintilante das estrelas.

Quero Luz para que ela alimente a minha Fé na Vida.

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Que 2018 seja um ano Iluminado para todos Nós.

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Quadros de Margarida Cepêda.

 

11
Set17

Cacilheiros


Beia Folques

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Devia ter uns 8 anos quando vim morar para a região de Lisboa. Até lá tinha vivido em Angola, Guiné, Lamego, Vila Real de Santo António. Era assim uma espécie de cigana intercontinental, era e acho que continuo a ser.

Ao chegar a Lisboa lembro-me de perguntar aos meus pais se a margem Sul do Tejo era Espanha. Da minha experiência por terras Algarvias aquilo de duas margens de rio com um barco para fazer a ligação o outro lado só podia ser Espanha. Desde pequena sempre me encantou o Tejo e os cacilheiros.

Embora tenha vivido em Oeiras até aos meus 24 anos nunca tive grande proximidade e também não desenvolvi particular interesse pela margem Sul, basta dizer que nunca fui a uma praia da Costa da Caparica, ou nunca tinha visitado Almada, Trafaria ou Cacilhas, até mesmo o Cristo Rei. Tão perto e tão longe.

A única coisa que sempre tive curiosidade era atravessar o Tejo num cacilheiro, isso sim e desde criança.

A semana passada li a notícia que estava um cacilheiro à venda por 25 mil euros. Fiquei preocupada, daqui a dias já não existe nenhum na frota da Transtejo e eu nunca viajei num daqueles barcos tão característicos do nosso rio.

Sábado desprezei as minhas lides caseiras, as inadiáveis compras do supermercado, as rotinas do sábado de manhã e recrutei os elementos da família que estavam com vontade de fazer uma viajem de cacilheiro e uma mini incursão pela margem Sul. Lá fomos de manhã até ao Cais do Sodré apanhar o barco.  

A viagem foi excelente, o velho e cansado cacilheiro cumpriu a sua missão. A vista que temos ao atravessar o rio Tejo percorre a Ponte Vasco da Gama até à Ponte 25 de Abril. Lisboa é linda vista sobre aquele prisma e com aquela luz. Assim como a aproximação a Cacilhas se revela muito interessante. Tanto para ver e descobrir, é tão bom ver as coisas com outros olhos, por outros ângulos.

Após desembarcarmos em Cacilhas seguimos ao longo do rio. Apesar de a marginal estar decadente, os antigos armazéns ou fábricas que ali existiram estarem a desmoronar-se, tem um certo encanto. É interessante ver o que tinha existido atrás aquelas fachadas, algumas ainda com azulejos antigos e pormenores curiosos. No fim da marginal encontra-se o elevador panorâmico, ponto bastante atractivo, tem um jardim bastante simpático e cuidado. O elevador é envidraçado e durante a viagem temos uma vista fantástica sobre a margem Norte. O elevador Boca do Vento liga a margem do rio a Almada velha, a maneira mais fácil e simpática de visitar o Cristo Rei.

Para chegar ao Cristo Rei temos que atravessar Almada velha, é um passeio a pé de cerca de 30 minutos sempre a subir. Almada velha uma desilusão, suja com lixo espalhado pelo chão e pior ainda os passeios servem não para os peões utilizarem e sim é onde se estaciona os carros naquela cidade. Se tens problemas de mobilidade, se tens uma criança e necessitas de uma cadeirinha para a transportar, ou sofres qualquer outra limitação evita atravessar Almada, uma verdadeira gincana para os peões. Não percebo como numa rota turística como aquela a Câmara de Almada não se preocupa em respeitar os seus visitantes já para não falar em quem lá habita e dignificar a cidade com uma aparência cuidada e promovendo alguns princípios básicos de cidadania até mesmo higiene.

Chegámos ao Cristo Rei, este monumento tem 2 parques de estacionamento mas mais uma vez os carros estão no passeio, a dificultar a vida aos transeuntes. Mais uma vez não percebo a falta de cidadania dos nossos conterrâneos, aqui não se pode dizer que são habitantes de Almada e sim turistas nacionais ou não que se deslocaram de carro para visitar aquele monumento. Após mais uma odisseia chegámos ao Cristo Rei.

 Um panorama de tirar a respiração, lindo. Um ecran gigante, um postal. Não subi ao topo do Cristo Rei, mais uma vez as minhas vertigens traíram-me. Mandei a família tirar fotografias por mim e gozarem ao máximo com a vista. Pois se de baixo é magnífica no topo do Cristo Rei deve ser fantástica. Lisboa nunca decepciona, tivemos sorte pois estava um daqueles dias de luz sobre Lisboa, onde temos a certeza que a luz de Lisboa é única.

Vale bem a pena fazer esta mini excursão tão perto, tão acessível e tão reveladora da nossa cidade e arredores. O tipo de programa que vale para toda a família desde a mais pequena ao mais velho, ficaram agradavelmente surpreendidos.

Ainda passeámos mais um pouco, visitámos Cacilhas que é muito agradável.

No regresso viemos um pouco mais cansados, mas mesmo assim no barco foi mais uma sessão fotográfica a bordo. Quer na ida como no regresso os ocupantes do cacilheiro eram maioritariamente turistas não como nós Portugueses e sim estrangeiros. Eles então estavam rendidos ao trajecto.

Consternou-me identificar os poucos Portugueses que lá estavam e via-se que o usam como meio de transporte regular. A sua apatia, o seu desinteresse pelo céu, rio ou pela vista privilegiada que se tem das duas margens mais a vista das duas pontes é desconcertante.

É um graça poder desfrutar da beleza do Tejo e a sua envolvência diariamente. Até para aliviar a carga das nossas vidas convém não nos abstrairmos destas pequenas prendas que a natureza nos dá generosamente, são pormenores retemperadores e fonte de energia para o nosso quotidiano.

Boa semana

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