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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

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Amelices e outros estados de alma

13
Dez17

O Mês das Festas.


Amélia Folques

pres1.JPG

Se há coisa de que tenho saudades da Madeira é do ambiente de Natal. Das missas do Parto, dos convívios com os amigos e família, das lapinhas e rochinhas, broas e licores, bolos de mel, dos sapatinhos. Vive-se o Natal na Madeira de uma forma diferente do que no Continente. É mais caloroso, mais religioso, mais envolvente, mais alargado.

 As missas do Parto é a referência de Natal mais emblemática na Madeira. São missas para celebrar a gravidez da Virgem Maria, vão desde o dia 16 de Dezembro acabando a 24 de Dezembro e são sempre de madrugada. São 9 missas pois foram 9 os meses de gestação, terminam com a Missa do Galo, Nascimento de Jesus. As Missas do Parto são consideradas a adaptação local das Novenas ao Menino Jesus praticadas nos séculos XVIII e XIX no Norte de Portugal. É uma bela preparação para o dia de Natal, pena que aqui no Continente não existam. No fim da missa as pessoas reunem-se nos adros das igrejas e tocam e cantam músicas, existe sempre algo para comer e beber. 
Os dias começam cedo no mês de Dezembro na Madeira. Este mês é reservado para os amigos e família, existem almoçaradas e jantaradas, lanches, tudo é motivo para nos reunirmos. O tempo sempre ameno também ajuda para estes festejos. Em todas as casas existe licores e broas caseiras para receber alguma visita esperada ou mesmo inesperada.

O presépio tradicional da Madeira é único e lindo, a lapinha. Em escada com o Menino Jesus em pé vestido com um vestido em bordado Madeira no topo da escada, todo o protagonismo é dele. Depois nas escadas estão as peças de presépio em barro, frutos secos, maças e laranjas, com vasinhos de searas, com pão e uma vela ou lamparina de azeite.Todo o presépio é decorado com sapatinhos (orquídeas) e flores de papel. A mesa da lapinha é forrada com uma toalha de linho bordada reservada para esse efeito, um verdadeiro altar, geralmente se monta o presépio dia 8 de Dezembro.

Na Madeira o mês de Dezembro é chamado como o mês das Festas. As festas só acabam no dia de Santo Amaro (15 de Janeiro), ao que os Madeirenses chamam o “varrer dos armários”. Nesta data tinha sempre 1 ou 2 jantares na casa de amigos para fazer o “varrer dos armários”, na teoria deveria ser comer o que sobrava das Festas, na realidade era outra Festa. E assim terminavam as festas de Natal na Madeira.

Se quiserem sentir um pouco deste ambiente vai-se realizar dia 16 de Dezembro na Igreja de Alfragide uma Missa do parto. A Missa do Parto tem início previsto para as 6h30 da manhã, na igreja da Divina Misericórdia, situada junto ao Estado Maior da Força Aérea, na Paróquia de Alfragide.

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11
Abr17

Viajar para a Madeira.


Amélia Folques

 

Depois do voo ter partido com cerca de 1h de atraso e indecisões várias sobre a porta de embarque rumamos à maravilhosa ilha da Madeira. Sou daquelas que preferem companhias de bandeira, uma perfeita “aburguesada”. Gosto de conforto, organização e segurança, nisto de viajar de avião sou muito comodista. Para o destino Madeira a TAP dá-me outra segurança. Após entrar no avião fomos recebidos por uma equipa simpática que fez toda aquela recepção calorosa de boas-vindas e outros salamaleques.

O voo decorria tranquilamente como gosto, sem tremeliques e outros abanos. Estava eu quase a dormir fui interrompida para jantar, Aceitei o jantar que era uma “sandocha” de algo indefinido e rúcula entregue sem prato nem tabuleiro assim envolvida num plástico e um guardanapo. E para beber perguntaram, pedi a clássica garrafinha de vinho tinto. Agora só temos vinho a copo. Vinho a copo !!? Apeteceu-me pedir um pastel de bacalhau para acompanhar. Bebi a “sorrelfa” que não sei de quem era, mas era tinto pela cor e há muito que me socorro deste precioso liquido para tornar as minhas viagens de avião mais leves.

Adorava andar de avião, agora adoro viajar e para isso preciso do avião. Depois de tão frugal refeição já estava eu bem desperta. Procurei pelos écrans de televisão que costumavam passar mini filmes e iam dando em tempo real a nossa posição no trajecto da viagem e outras informações, estavam desactivadas disse-me o assistente de bordo. Nestes voos já não existe este serviço. Bem aquilo ajudava-me a distrair um pouco e era simpático ver que estávamos mais perto do destino.

Agora o que vou fazer? Ver a revista da “free-shop” podia ser que aparecesse alguma coisa interessante, como não a encontrava nas bolsas das cadeiras mais uma vez chamei o/a assistente. Já não há vendas a bordo nos voos para a Madeira, só nos longos cursos.

Olhei à volta para ter a certeza que não estava num avião “low cost”.

Viajei vezes sem conta nesta rota e era outro serviço, outra oferta a bordo. Sou do tempo que davam aos meus filhos um livro para entreter e lápis de cor.

 Esta democratização das linhas áreas não baixaram os preços apenas (embora no caso da Madeira não sinta essa diferença, os bilhetes são caros) mas sim baixaram o nível da experiência que é viajar de avião. Sempre temos a mais-valia de aterrar democraticamente num aeroporto com nome de jogador de futebol, filho da terra.

Estou tão fartinha do desbaratar de tudo que nos identificava, que nos distinguia e qualificava, o que era de prestígio e referência foi banido. A maioria da população acha estes novos tempos tão normais que eu fico estupefacta com a facilidade com que se aceita o medíocre.

O mercado livre dizem eles, para mim é selvagem e mais uma vez se nivela tudo por baixo e isso é que é democrático julgam eles.

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