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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

23
Nov18

O "meu" padre.


Amélia Folques

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Gosto de assistir a uma missa. Existem padres que tem o condão, a arte ou mesmo a magia de nos prenderem a atenção. As palavras da Bíblia fazem eco na nossa cabeça ou talvez o mais correcto será dizer no coração.

Por vezes a missa também se pode tornar algo penoso e aborrecido. É o caso de algumas leituras litúrgicas lidas com voz monótona, abafada e bem recheadas de palavras em latim, hebraico, aramaico ou grego que mais parecem chinês. Vai das tantas estou completamente isolada porque perdi o fio da mealha. Além de palavras "estranhas" existem textos que são mesmo complexos, senão  ambíguos ou mesmo controversos. Preciso de um padre que simplifique ou suavize toda esta parte da missa.

Lembro-me de uma missa em que me “ausentei” pois durante a homilia a palavra sicômoro foi dita várias vezes e eu ali a matar a cabeça para tentar perceber que raio era aquilo. Se no momento da leitura fosse logo dito que era um tipo de figueira com certas particularidades tinha-me mais focado na palavra de Deus e menos nas minhas pequenas ignorâncias. Na vez seguinte que ouvi esta palavra numa missa tive mesmo vontade de dizer ao Sr. padre:
- ãhn ãhn brincalhão, desta vez não me apanha. Já fiz o trabalho de casa mas pode simplificar e explicar a estes ignorantes mortais o que é o dito sicômoro pois acredito que há por aqui almas a matutar que diabo é isso.
E como esta existem outras palavras que estão ali para nos afastarmos do que é importante. Funciona assim como uma prova à nossa cultura geral, um teste à concentração na leitura e também à competência do padre.

Geralmente a mensagem da leitura destinada a cada missa é importante e ajuda-me a encarar o dia, os outros com que me cruzo, até a mim própria com outra disposição e vontade. Saio invariavelmente da missa com a minha Fé renovada, não falo da Fé em Deus mas mais na Fé na vida e em mim, na rotina, de como vamos vencer senão ultrapassar os desafios do dia-a-dia, a minha vontade de tentar ser melhor ou mais empática com os outros.

Todos os dias na missa suponho que o padre tenta sacudir o “mofo” que se acumula em mim, pois no fim de cada dia essa película bolorenta tenta se grudar ao meu corpo. Sinto essa película como o resultado das frustrações, lutas, limitações, pequenas ou grandes injustiças ou raivas, insucessos ou desenganos, desencontros com que nos deparamos diariamente e se nós deixamos acumular pode-nos levar para caminhos muito escuros. Tenho a sorte de ter um padre que me incentiva, abana, foca e revigora.

A missa é breve mas a mensagem é passada com sucesso. Após a missa tenho uma infinita confiança, calma e paz. Por vezes mesmo alegria.

Hoje o padre fazia anos e partilhou esse facto connosco. Achei original e fantástico pois sou daquelas que vive cada aniversário com profunda gratidão e alegria. Entendi o seu estado de alma. O que sucede nas missas é que esse tipo de partilha de informação não acontece. Transmite-se a palavra de Deus, a interpretação do padre dentro de certos limites à mesma, vários e sentidos momentos mas nada com cunho pessoal. Gostei desta pequena "transgressão". Aproxima-nos mais, estimei porque tive consciência que para ele somos mais do que uma comunidade de pessoas que o ouvem, que vão à sua missa. Este cuidado em dar esta informação e a forma como o fez denota algum cuidado com os seus paroquianos, não somos só filhos de Deus a assistir à missa que celebra mas também nos considera  próximos assim tipo seus “amigos”.

No fim da missa após o célebre "vão em paz e o Senhor vos acompanhe" já estava eu a dirigir-me para a saída quando fui surpreendida pelos restantes paroquianos que começaram a cantar os parabéns ao padre.

Adoro coisas que me surpreendam e não sei mas esta mexeu comigo, é sempre bom ver a forma como as pessoas encontram para espelhar o seu afecto, agraciar e agradar os outros. Quando se vê tanta maldade, incúria se não mesmo desprezo pelos outros de inúmeras maneiras que me leva imensas vezes a questionar a Fé nos Homens após esta pequena demonstração na “minha” Igreja a Fé na Criação saiu renascida.

ps- Muitos parabéns e muitos anos de vida. E que o dom da Palavra nunca lhe falhe é o que lhe desejo.

13
Dez17

O Mês das Festas.


Amélia Folques

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Se há coisa de que tenho saudades da Madeira é do ambiente de Natal. Das missas do Parto, dos convívios com os amigos e família, das lapinhas e rochinhas, broas e licores, bolos de mel, dos sapatinhos. Vive-se o Natal na Madeira de uma forma diferente do que no Continente. É mais caloroso, mais religioso, mais envolvente, mais alargado.

 As missas do Parto é a referência de Natal mais emblemática na Madeira. São missas para celebrar a gravidez da Virgem Maria, vão desde o dia 16 de Dezembro acabando a 24 de Dezembro e são sempre de madrugada. São 9 missas pois foram 9 os meses de gestação, terminam com a Missa do Galo, Nascimento de Jesus. As Missas do Parto são consideradas a adaptação local das Novenas ao Menino Jesus praticadas nos séculos XVIII e XIX no Norte de Portugal. É uma bela preparação para o dia de Natal, pena que aqui no Continente não existam. No fim da missa as pessoas reunem-se nos adros das igrejas e tocam e cantam músicas, existe sempre algo para comer e beber. 
Os dias começam cedo no mês de Dezembro na Madeira. Este mês é reservado para os amigos e família, existem almoçaradas e jantaradas, lanches, tudo é motivo para nos reunirmos. O tempo sempre ameno também ajuda para estes festejos. Em todas as casas existe licores e broas caseiras para receber alguma visita esperada ou mesmo inesperada.

O presépio tradicional da Madeira é único e lindo, a lapinha. Em escada com o Menino Jesus em pé vestido com um vestido em bordado Madeira no topo da escada, todo o protagonismo é dele. Depois nas escadas estão as peças de presépio em barro, frutos secos, maças e laranjas, com vasinhos de searas, com pão e uma vela ou lamparina de azeite.Todo o presépio é decorado com sapatinhos (orquídeas) e flores de papel. A mesa da lapinha é forrada com uma toalha de linho bordada reservada para esse efeito, um verdadeiro altar, geralmente se monta o presépio dia 8 de Dezembro.

Na Madeira o mês de Dezembro é chamado como o mês das Festas. As festas só acabam no dia de Santo Amaro (15 de Janeiro), ao que os Madeirenses chamam o “varrer dos armários”. Nesta data tinha sempre 1 ou 2 jantares na casa de amigos para fazer o “varrer dos armários”, na teoria deveria ser comer o que sobrava das Festas, na realidade era outra Festa. E assim terminavam as festas de Natal na Madeira.

Se quiserem sentir um pouco deste ambiente vai-se realizar dia 16 de Dezembro na Igreja de Alfragide uma Missa do parto. A Missa do Parto tem início previsto para as 6h30 da manhã, na igreja da Divina Misericórdia, situada junto ao Estado Maior da Força Aérea, na Paróquia de Alfragide.

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