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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

27
Mar18

Bairros de lata


Beia Folques

Quinta_da_Vitória1.jpg

 

O mês de Março foi rico em notícias espectaculares e alarmantes do ramo imobiliário. Desde abrirem em Portugal por dia uma média de 4 agências imobiliárias. Em Lisboa alugar uma casa é só duas vezes mais elevado o preço em média do que outro local do país ou ainda a maioria dos jovens em Portugal não consegue arrendar ou comprar casa devido aos empregos precários e a um mercado de habitação com preços muito elevados.

Enfim o Direito Humano a uma habitação condigna em Portugal está difícil de garantir com esta nova dinâmica de mercados.

Já não bastava a especulação louca que vai dentro de Lisboa ou do Porto agora estendeu-se para zonas limítrofes das grandes cidades. Temos o caso da Costa da Caparica e Loures, certamente isto não irá ficar só por aqui.

A venda desenfreada e a saldos do nosso grande património a estrangeiros. As leis feitas sem olhar á realidade de um povo pobre e envelhecido, com empregos precários ou pensões de quase sobrevivência e sem protecção deu neste circo.

Na Costa da Caparica um fundo imobiliário estrangeiro comprou uma empresa seguradora que detinha 28 casas de piso térreo onde habitam cerca de 100 pessoas, 20 famílias, muitas delas a viver aqui há mais de 40 anos, agora querem a sua propriedade o que implica desalojar esta gente. Maioritariamente gente de idade que para complementar a parca reforma ainda trabalham em algum biscate. É ler esta notícia- Costa da Caparica e ver o Portugal que esquecemos, sem qualquer tipo de apoio que existe aqui dentro, paredes meias com a nossa vida. Em Loures uma história semelhante, a Fidelidade que agora é Chinesa quer despejar mais de 158 famílias, cerca de 400 pessoas em 3 blocos de apartamentos que pertencem a esta seguradora. Aqui estou a falar de situações com um número elevado de famílias, pois também existem pequenos prédios em Lisboa ou no Porto onde os inquilinos estão com ordem de saída devido a toda esta especulação. Tudo legal, tudo dentro da lei.

A minha questão é se nós assinamos a carta dos Direitos Humanos, se nós temos como um direito a habitação, como é que no actual panorama imobiliário o conseguimos garantir ao mais comum do cidadão. Será que existe na nossa malha de habitação social capacidade para dar resposta a toda esta gente? Ou o governo tem um plano b para alojar estes casos e outros que certamente vão aparecer à conta da bolha do imobiliário.

Temos três problemas: o mundo do imobiliário, o universo do trabalho e o desamparo ou mesmo abandono da nossa 3ª idade. Talvez o apoio da Santa Casa da Misericórdia fizesse mais sentido aos idosos do que ao Montepio. Também ajudava muito deixarmos de ser o reino do precário, a nova India dos call centers e passar a querer o sustentável e digno com um ordenado condigno e talvez assim embora com sérias ressalvas se consiga dinheiro para alugar algo minimamente decente numa zona aceitável.

 

O ordenado médio em Portugal é cerca de 924 euros mensais (dados de 2016), o valor que se deve destinar para habitação é cerca de 33% do ordenado então precisamos de imóveis com valores de aluguer na casa dos 300 euros. Sabem, acho que nem um quarto em Lisboa se consegue por esse valor, mesmo na mais longínqua periferia não devem existir apartamentos a alugar por essa quantia. Só me ocorre em algum “bairro da lata”,  e agora estou em crer que voltaram em força. Qual América latina entre os condomínios e as favelas.

Sabem Portugal é maravilhoso, hospitaleiro, cool, amável etc e etc para todo o Mundo menos para quem cá vive a tentar levar uma vida digna.

10
Ago17

Dramas da vida real.


Beia Folques

bmao.jpg

É confuso e até a ser dramático chegar á minha idade e ser corrigida graças ao acordo ortográfico, a roda dos alimentos que se virou do avesso, e até o simples acto de cumprimentar se tornou um bicho de 7 cabeças.

Em qualquer encontro, convívio social deparo-me com esse dúvida 1, 2 beijos ou aperto de mão? Fui educada nos 2 beijos e assim foi até regressar a Lisboa. Vivi na Madeira e ai era 2 beijos, sempre, não havia margem para dúvidas. Desde que voltei confronto-me com esta dúvida, será esta pessoa é de 1, 2 beijos ou de aperto de mão? Se estiver no Algarve, Trás-os-montes, ou na Madeira estou bem é 2 beijos.

Vivi toda a minha adolescência na linha de Cascais e na minha adolescência eram 2 beijos, sem hesitações. Agora na linha é a confusão completa, se tenho um convívio, jantar, almoço, encontro social lá vou eu para a “luta”, voluntariosa e generosa cumprimento com 2 beijos, 70% das vezes lá fico eu com a cara suspensa. As pessoas cumprimentam com aquele ar de descaso, enfado, bem como se fosse uma maçada. Já dar 1 beijo é uma canseira quanto mais 2.No fim a coisa já corre melhor, registei mentalmente e tenho as tabelas com 1, com 2, com aperto de mão e aqueles que bom era dar uma cabeçada, e assim a coisa não falha. Verdade seja dita esta preocupação também tenho que a ter no Porto, já aderiram á moda de me baralhar. 

Não é suficientemente mau ter esta inquietação no social, quanto mais no campo religioso, imaginem na missa. No momento em que o Sr. Padre resolve dizer “ saudemo-nos na paz de Cristo” eu estremeço, olho à minha volta e analiso a situação, serão de 1,2 beijos ou aperto de mão?

Se estiver rodeada de homens agradeço a Deus e penso isto com um aperto de mão se resolve. Mentira, os cavalheiros também querem beijo e volto eu ao meu desassossego.

É o momento da missa que mais detesto. Mas há quem adore. Já vi pessoas que devem tirar esse momento da missa para baterem recordes de beijos, fazem autênticas piscinas na Igreja a angariar o maior número de saudações. Penso mesmo se não existirá este desafio no “guiness” e estarão a treinar.

Por vezes cruzo-me com pessoas que não conheço, ou conheço relativamente pouco tempo e compreendo que seja de 1 beijo pois não conheço a família nem as suas tradições e se existe esta ideia logo teve que surgir em algum lado. Mas todos aqueles que privei em criança, adolescente ou mesmo aqueles que sabemos de onde vêm e agora aparecem com 1 beijo, abomino, mesmo. Como estranho imenso aquelas pessoas que ao beijar nem tocam na outra, fazem um ligeiro ensaio da saudação.

Adoro mesmo é quando o cumprimento é um beijo na mão. Surpreende-me sempre, é o tipo de cumprimento personalizado, toca-me de outra forma. A mim me encanta deparar-me com um cavalheiro, é pena é ser algo em desuso.

 E por favor desçam à terra e Sr. Padre acabe com as saudações na missa, eu quando vou quero paz e sossego. É que não gosto mesmo de beijar estranhos, isto de oscular por aí não é para mim.

16
Jun17

Filhos de um Deus menor


Beia Folques

MARGARITA SIKORSKAIA.jpg

Qualquer famosa figura mediática tem contratos milionários com várias marcas, algumas dessas marcas os obrigam a ter uma conduta livre de escândalos ou que não levante qualquer tipo de polémicas, isso envolve drogas, jogo, relações amorosas ou não, etc. Uma conduta angélica, sem margem para questões que possa obrigar a marca a ter que se desmarcar da estrela. As marcas ao definirem essas premissas fizeram um estudo prévio na sociedade, e do mesmo apoia-se no que é politicamente correcto. As hipocrisias do costume!

Esses contratos acabam por ser espartanos, ditatoriais, limitando a liberdade do contratado. Ficando esses refém da marca.

 

Posto isto só me ocorre que princípios se rege o mundo das marcas e da sociedade em geral.

 Para as marcas não é problema alugar uma mulher para entregar o filho/filhos. Ter um comportamento egoísta onde se nega ao filho o carinho, o colo, o calor de uma mãe é passível de ser considerado de justificável. Onde é ignorado o filho comprado nunca poderá usar a palavra mãe. Onde o superior interesse da criança não é avaliado. As marcas e a sociedade vivem bem com isto ? o dinheiro dá direito a comprar filhos, infelizmente é essa a mensagem que se passa…Um filho pode ser tratado como um objecto negociável isto é simples mercadoria, a estrutura familiar pode ser ignorada, o maior interesse da criança pode ser desprezado. É tudo uma questão de valores monetários.

 

A mensagem que esta criatura mediática transmite acerca da sua opinião sobre as mulheres incomoda-me. O seu cepticismo em relação ao sexo oposto, a sua desconfiança indigna-me. A falta de respeito e consideração que tem por elas, pois só as encara numa perspectiva de usá-las para um fim. Com a sua atitude assume que o sexo oposto é algo dispensável, desnecessário, utilizável e descartável. Basta ter dinheiro e somos os donos dos nossos filhos.

 

Os filhos não nascem a partir de um projecto de vida em comum entre 2 pessoas, onde cada um contribui com o seu papel, de um acto de amor. Mas sim de um devaneio egocêntrico e egoísta de alguém. Da  megalomania de pensarmos que somos pequenos deuses.

 

A mensagem que as marcas passam é que as mulheres são objectos rotuladas do pior, os filhos podem ser comprados desde que tenhamos dinheiro para tal. A sociedade acha isto aceitável, é uma total ausência de valores.

 

Também não entendo o silêncio da sociedade civil em geral, dos meios de comunicação que não fazem uma discussão séria sobre “barrigas de aluguer” e das feministas em particular sobre este assunto.

 Esta prática em si está errada, nem pode ser considerada moderna ou pioneira porque é só e somente criminosa.

Ps- o contrario também considero criminoso, negar ao filho o direito de ter um pai.

 

Quadro de Margarita Sikorskaia

21
Mar17

Dia Internacional da Síndrome de Down e outros dias.


Beia Folques

Hoje o dia é rico em efemerides: Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, Dia Mundial da Árvore, Dia Mundial da Poesia e Dia Internacional da Síndrome de Down, etc. Prezo muito todas as causas que envolvem esta data, mas o Sindrome de Down acho que é o de todos o que tem a menor visibilidade.

A melhor forma de evidenciar o Dia Internacional da Síndrome de Down é mostrar os portadores deste síndrome que são jovens,  adultos que venceram o preconceito, que se instruíram, que foram apoiados pela família e sociedade, que ocupam o seu lugar na sociedade e seguiram os seus sonhos. Nas últimas semanas apareceram em jornais, na tv, na internet histórias de sucesso com pessoas portadoras de Síndrome de Down. Uma estilista que apresentou a sua colecção de moda na London Fashion Week, uma jovem com Síndrome Down apresenta previsão do tempo na França e mais outros exemplos que vi. Esta exposição devia ser mais intensa e massificada para alertar que estão lá pessoas como nós, a lutar pelo seu espaço, com as suas ambições, pessoas com capacidades e vontade.

Vejo trabalho e envolvência do Governo, na Sociedade, até em series televisivas e filmes para lutar contra o preconceito racial, religioso, homofóbico mas em relação à Trissomia 21, efectivamente nada. Pelo menos em Portugal não se luta contra este estigma. A estes preconceitos que caem no esquecimento junto o caso das crianças, jovens e adultos com Asperger e Autistas.

“Um em cada 800 bebés em Portugal nasce com trissomia, 21, 95% dos pais preferem abortar em caso de diagnóstico de Trissomia 21 no feto”- O nosso país é pobre a muitos níveis. Não existe proteção eficaz nem acompanhamento a uma família que se depare com esta situação, a maioria das famílias já luta muito no seu dia-a-dia, a saída por vezes e infelizmente será o aborto. Não deveria ser mas pelos dados que encontrei é essa.

Li hoje que o António Costa plantou uma árvore e lança a reforma da floresta para assinalar o Dia Internacional das Florestas. A minha interrogação é o que fez o governo para o Dia Internacional da Síndrome de Down, para este e todos os outros dias de quem vive com esta particularidade ou outras.

Este síndrome assim como Asperger e ao Autismo não irão desaparecer e é necessário não falhar a quem precisa de uma sociedade justa e equilibrada.

Foto de Trissomia 21.

15
Mar17

Dignidade e direito ao trabalho


Beia Folques

Lembrei-me da onda de suicídios de trabalhadores que houve na France Telecom .

Da notícia sobre o funcionário do Bpi que se matou no local de trabalho. Lembrei-me do que li nos jornais nos últimos dias, CGD. Correio da Manhã, SIC, Novo Banco despedimentos, suspensão de contratos de trabalho, redução de colaboradores, reformas antecipadas, etc. Tudo isto na última semana e não oiço nenhuma voz a alertar para o grave que é esta realidade em termos sociais, económicos, estruturais.

 Razão tem o Papa: "Quem, por manobras económicas, para fazer negócios que não são totalmente claros, fecha fábricas, empreendimentos laborais e tira trabalho aos homens, esta pessoa comete um pecado gravíssimo" e acrescentou "O trabalho dá-nos dignidade e os responsáveis dos povos, os dirigentes, têm a obrigação de fazer todos os possíveis para que cada homem e cada mulher possam trabalhar e assim andar de cabeça erguida, olhar os outros nos olhos, com dignidade”.

 

Ver : 

Papa. Tirar trabalho às pessoas é "pecado gravíssimo"

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