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Amelices e outros estados de alma

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

50 e´s ainda à procura do sentido da vida.

Amelices e outros estados de alma

23
Nov17

A gratidão dedicada aos colegas/amigos de trabalho


Amélia Folques

gratidao.jpg

 

Tive um jantar com um grupo de colegas/amigos de trabalho, um prelúdio de jantar de Natal. Trabalhei com eles cerca de 5 anos e já me separei desta equipa faz mais de 2 anos. Mas continuo a manter uma relação com eles, nem que seja um almoço ou jantar 2 ou 3 vezes ao ano e algumas esporádicas chamadas de telefone. Sou-lhes imensamente grata pelo carinho com que sempre me trataram e pela amizade genuína, autentica que me dispensaram.

Vim parar a este grupo de colaboradores da “minha empresa” por mero acaso. Tinha vindo da Madeira e a companhia onde trabalho colocou-me nesta equipa. Era só assim um pouco do que fazia no meu trabalho anterior, mas percebi que havia muitas quintas e quintais plantados no Continente. Eu era uma planta forasteira nesta selva, houve quem se sentisse melindrado e apesar do discurso da mobilidade tão propagandeado, o resultado foi um logro. Não fiz ondas e aceitei o que me deram, e no meu melhor estilo pensei isto tem que melhorar.

Estava naquele momento a passar uma fase terrível na minha vida, tinha perdido a minha mãe, os meus filhos numa adolescência egoísta e turbulenta, a troika no seu esplendor. Era tudo tão cinzento, lúgubre, mesmo.

A sala onde trabalhava eram só homens, no início 8. Não me melindrei, estava habituada a trabalhar com homens. A diferença era que com quem já tinha trabalhado as relações tinham sido construídas ao longo do tempo que tinha exercido a minha função na organização, não era um elemento estranho á equipa. O que dizer, eles foram encantadores. Cada um com o seu jeito, a sua habilidade foram me conquistando. Fizeram de tudo ou quase de tudo para me sentir bem com eles, entre eles.

Comecei a ganhar especial carinho por aquele grupo,  pessoas tão diferentes entre si, com uma panóplia tão vasta de interesses, desde o clube de futebol, politica, motivações. Mas cada um me tocou de uma forma bem intima. Bem dentro de mim guardo todos aqueles cuidados que tiveram comigo. No início não tínhamos grandes conversas embora eu seja bastante extrovertida, reservava-me pois não sabia o que esperar deles. Mas acho que eles desde o início tiveram a sensibilidade para entender tudo o que estava a passar comigo quer em termos familiares e profissionais. Com calma me enquadraram no departamento onde estava, davam conselhos, ajudavam, com cautela e atenção, de leve. Depois, o tempo foi passando, foram se criando laços e quando dei por ela já falávamos de tudo, era o trabalho, os desafios, o chefe ou o sub-chefe, era a mulher, o pai ou os filhos, os netos, até a gata ou o cão, o hóquei ou o futebol, os zumbidos e as preocupações, as ervilhas com ovos escalfados os caracóis e a cervejas, sei lá, uma micro família. Já nos conhecíamos ao ponto de olhar e saber com que estado estávamos naquele dia, se estava tudo bem ou não, se algum problema atormentava, ou que alegria tínhamos sido bafejados. Foram cerca de 5 anos com eles onde o convívio era fácil e agradável de muita boa disposição, franca solidariedade e camaradagem e até de muito riso.

A “minha empresa” tem uma coisa fabulosa é que apesar dos desapontamentos, das frustrações que nos dá, somos brindados pela revelação  do que há de melhor nas pessoas e foi isso mesmo que eu tive ali naquele grupo. Fui presenteada pelo melhor dos meus queridos colegas/amigos.  Por isso sempre que há um almoço ou jantar até pode ser a meio da semana eu estou lá com eles.

Devo-lhes muito, até a minha sanidade mental naqueles tempos de profunda mudança na minha vida. Sou-lhes imensamente grata.

01
Ago17

Colegas de trabalho


Amélia Folques

worker_1.JPG

 

Os colegas de trabalho não são valorizados, na hierarquia das relações e no senso comum não entram no escalão dos amigos.

É assim uma sub categoria dos vários tipos de relacionamentos que temos e damos às pessoas com quem interagimos no local de trabalho.

Não sei se é da palavra trabalho associada ao colega que diminui essa relação, não a elevamos a outro nivel. Não a levamos tão a sério como eles merecem.

Nos vários locais de trabalho que passei ganhei amizades fantásticas. Por vezes pessoas tão diferentes de mim, as nossas formas de estar na vida tão dispares e encontramos tantos pontos de encontro, afinidades, cumplicidades e entendimentos.

 Também já tive o infortúnio de me deparar com excelentes imbecis, magníficos idiotas, gente completamente desprovida de valores, ética e educação, cooperação e sentido de missão, de um oportunismo desmedido. Infelizmente existe de tudo um pouco.

Mas voltando ao tema de hoje, um singelo elogio aos meus colegas de trabalho. Só posso confessar que felizmente encontrei colegas de trabalho tão bons quanto os ditos amigos. Pessoas que estão lá para me dar um alento, um sorriso quando estou saturada ou desanimada com algum problema ou dificuldade, um vá lá que isto vai melhorar, tem calma, respira, inspira… Chamam a atenção de algum erro pela positiva, ajudam a focar no principal, ensinam, promovem o nosso crescimento, colaboram, elogiam e brincam e aprendemos sempre algo com eles.

A verdade é que passamos mais tempo com os colegas de trabalho do que com os nossos ditos amigos.

Talvez prezamos mais os nossos amigos pois passamos com eles tempo com mais qualidade, quando nos encontramos com os nossos amigos geralmente o ambiente é mais relaxante e simpático e a nossa disposição também. O local de trabalho pode ser cinzento, tenso e dissimulado, pouco hospitaleiro para desenvolver novas amizades, andamos desconfiados de tudo e de todos. Mas no meio deste enquadramento existe sempre alguém que se destaca e aproxima-se mais da nossa forma de estar na vida ou na empresa e assim aparecem os colegas de trabalho. Os colegas de trabalho mais próximo de nós são com quem por vezes desabafamos o nosso desconforto ou decepção pela forma que o trabalho nos corre ou qualquer outro contratempo, trocamos opiniões e ideias. Mas não é só de trabalho que acabamos por falar, é difícil não reparar quando um de nós tem algum problema pessoal, familiar, profissional ou outro. Por vezes é injustamente com quem descarregamos a nossa frustração, ou irritação se algo nos vai mal. Acabamos por contar mais de nós do que seria suposto de acordo com os dogmas sociais com alguém que partilhamos o trabalho, acabamos por viver um pouco as suas alegrias, ambições ou preocupações e tantas outras emoções ou sentimentos. São relações de muitas horas, diárias, são relações que naturalmente e involuntariamente desenvolvem-se. São relações que para mim são fundamentais para a minha estabilidade e equilíbrio, para a minha sanidade mental.

O local de trabalho pode ser terreno inóspito e agreste se tivermos um colega de trabalho que seja,  a vivência nesse sitio torna-se mais suave.

Graças a Deus aparecem sempre uns anjos da guarda que são os meus tão queridos colegas de trabalho.

03
Abr17

e quando não manda, comanda....


Amélia Folques

Uma chefia é por definição alguém que hierarquicamente está acima de um grupo de pessoas.

Será uma pessoa com experiencia no assunto que conduz, com conhecimentos vários e pertinentes nessa área. Que representa esse grupo, que é responsável pelo desempenho e o propósito deste universo, assim como organiza, define, arquitecta, manda ou delega trabalho ou actividades para cumprir o fim a que esta comunidade se propõe. Que se interessa e preocupa com essas pessoas que são os seus colaboradores. O chefe não é uma figura externa à organização e sim é parte dela, é figura intrínseca da mesma. O chefe tem que ser uma personagem presente e activa desta estrutura.

O chefe deve ser respeitado, a sua equipa deve-lhe reconhecer valor. Deve agilizar o bom funcionamento da organização, deve ser um facilitador nas questões mais pertinentes, menos consensuais e perante as dificuldades que esta população se depara no desempenho da sua função. O chefe tem que ser reconhecido pelos seus conhecimentos e trato social. O chefe tem que ter “skills” comportamentais apuradas.

Um bom chefe tem que ter a qualidade inata de ser um líder. Uma equipa liderada por um chefe com este perfil é uma equipa de sucesso, de referência.

Um chefe que é um líder leva-nos a ser melhores no que fazemos, estamos mais predispostos ao sucesso da equipa em obter melhores resultados, atentos, mais estimulados, reagimos como um todo. Para um líder trabalhamos mais, envolvemo-nos completamente talvez porque que temos o reconhecimento que somos peças importantes, até dispomos do nosso tempo da vida pessoal em favor da equipa, do grupo, da tarefa que nos foi confiada. O grupo faz um trabalho visando um fim comum que o motiva, de um forma desprendida, voluntária e entusiástica.

Para um líder a equipa não é um fardo, mas sim pessoas que confia e se socorre para cumprir uma missão. O líder reconhece a importância, a ajuda dos seus colaboradores na empreitada que têm que cumprir. Identifica-se como tal, assume a sua importância e responsabilidade com e pelo grupo.

Trabalhar com um líder é dignificante, motivante, francamente estimulante. Sabemos que temos um dever, incumbência a cumprir, que nos foi confiado um papel que faz parte do bom desempenho dessa máquina.

Como levar um barco a bom porto, seguir avante onde todas as adversidades podem ser contornadas ou ultrapassadas porque estamos todos lá com sentido de responsabilidade e missão, com um “norte”. O rumo está definido, a trajectória foi planeada e concertada.

Trabalhar com um chefe é como navegar à vista, sem risco, no imediato e cada um vai remando um pouco para o seu lado. Falta a bussola orientadora.

Em boa verdade a maioria são chefias que nem conhecem os pontos cardeais, não sabem ler as cartas, não reconhecem o marinheiro, o timoneiro, nem sequer o mestre ou o piloto. A sua gente vai remando sem rumo traçado o naufrágio será uma certeza, não há é hora marcada. E quais ratos serão os primeiros a fugir do barco....

15
Mar17

Dignidade e direito ao trabalho


Amélia Folques

Lembrei-me da onda de suicídios de trabalhadores que houve na France Telecom .

Da notícia sobre o funcionário do Bpi que se matou no local de trabalho. Lembrei-me do que li nos jornais nos últimos dias, CGD. Correio da Manhã, SIC, Novo Banco despedimentos, suspensão de contratos de trabalho, redução de colaboradores, reformas antecipadas, etc. Tudo isto na última semana e não oiço nenhuma voz a alertar para o grave que é esta realidade em termos sociais, económicos, estruturais.

 Razão tem o Papa: "Quem, por manobras económicas, para fazer negócios que não são totalmente claros, fecha fábricas, empreendimentos laborais e tira trabalho aos homens, esta pessoa comete um pecado gravíssimo" e acrescentou "O trabalho dá-nos dignidade e os responsáveis dos povos, os dirigentes, têm a obrigação de fazer todos os possíveis para que cada homem e cada mulher possam trabalhar e assim andar de cabeça erguida, olhar os outros nos olhos, com dignidade”.

 

Ver : 

Papa. Tirar trabalho às pessoas é "pecado gravíssimo"

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